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quinta-feira, 26 de junho de 2025

De quantos traumas se faz uma canoa?

 Tenho tido muito interesse em Psicologia nos últimos anos e recentemente, ouvi um psicólogo que falou sobre as dificuldades das pessoas que tem altas habilidades e superdotação, ou seja, um QI acima de 120 (de acordo com a escala Weiss, um dos métodos de medição de Coeficiente Intelectual). 

Para explicar essas dificuldades, ele começou explicando que os traumas de infância podem suplantar as características de personalidade, pois acabam interrompendo o desenvolvimento do ego e provocando a idealização do eu. O "eu ideal" soa como boa coisa, mas é apenas uma versão irrealista e muito superior que nunca se tornará realidade (nem mesmo entre os coachs mais tóxicos) e causa reações que se tornam busca por validação do ideal do eu. 

Como resultado, esses indivíduos traumatizados direcionam seu potencial para projetos que resultem em validação social do seu "eu ideal", não do que eles são de verdade. Isso causa intenso sofrimento emocional e até mesmo físico. Para a sociedade, são gênios, produtivos, capazes de grandes contribuições. Mas, por trás dessa pretensa genialidade produtiva, há um ser humano em sofrimento, que produz pelos motivos errados e nem mesmo percebe que age por um viés mental que se traduz em necessidade de validação. 

Mas, JK, todo ser humano busca por validação!

Sim, é verdade. Mas o desvio de desenvolvimento da personalidade causado pelo trauma na infância faz com que a validação buscada seja para um ideal do eu que não existe e sem perceber que ela é fruto do trauma. Ou seja, são escravos de seu trauma e de seu "eu ideal". No caso dos indivíduos de alto QI, que são naturalmente obsessivos, hiperfocados e compulsivos, o trauma amplia esses comportamentos e, sem enxergar o viés trazido pelo trauma, eles permanecem repetindo-os à exaustão. 

Eu costumo dizer que o mal da humanidade é carência afetiva e vemos isso amplificado na necessidade de validação do ideal do eu. O indivíduo acaba tendo dificuldades em relacionamentos sociais, tem um nível de autoexigência doentio, sempre com aquela voz interior perfeccionista lhe dizendo que não é bom o bastante. 

E mesmo que a pessoa se supere cada vez mais, ela nunca estará satisfeita. Ela projeta níveis ideais e impossíveis para si e para os outros e, por isso, nunca chegará nem perto do que é a felicidade, nem mesmo vai conseguir alcançar algum nível de satisfação, pois nunca alcançará o ideal do eu. 

São indivíduos que por fora parecem bem sucedidos e realizadores, mas por dentro são obsessivos, ansiosos, depressivos, com tendência ao narcisismo exacerbado e ao colapsamento nervoso por não alcançarem padrões de exigência insanos. E com um viés cognitivo que, sem ajuda externa, torna difícil de perceber quais são suas reais motivações para seus desejos de grandeza, logo, carecem de sentido. 

E aí, quem quer ser um gênio?

sábado, 17 de agosto de 2024

A risada do desespero

Estava fuçando em arquivos antigos de aula e me deparei com esta imagem: 


E ela me fez rir. 

Porque é verdade. É real. Porque o que vivemos é a confusão caótica da segunda linha "The Reality as it actually happened". O doutorado é isso. Esse caos infinito, confuso e estressante, do qual 75% dos estudantes sucumbirão a alguma doença mental. 

Mas na hora de defender diante da banca, relatamos apenas o que os critérios exigem, ou seja comunicamos a primeira linha "The Reality as we communicated". Engolimos o choro, o desespero, o caos mental, os remédios, as horas de terapia, a falta de grana, as bolsas defasadas, a falta de um bom plano de saúde, a insônia, os pesadelos, as doenças somáticas, a dúvida, principalmente a dúvida de que conseguimos, e tantas outras coisas. 

E mostramos um cronograma hipócrita exibindo a jornada acadêmica como a comunicamos, não como a vivemos. 

Ora, vamos lá, assumam que somos o caos! Porra, banca, acorda e pelo menos leiam toda a nossa tese! Facilitem a marcação da data. Sejam claros e objetivos na avaliação. Se concentrem no conteúdo, não nos erros de português que serão corrigidos por um revisor depois! E pelo menos, pelo menos, não nos olhem com aquele olhar de "do que você está falando?", quando você estiver lá na frente contando sobre como chegou até ali, a realidade. 

Todos os acadêmicos passam por isso. E se têm a incrível capacidade de não passar, deveriam ter um mínimo de empatia pela maioria que passa. E se passou e não tem empatia, vai procurar uma terapia! 

Sim. A risada do desespero é um desabafo. Porque é um sistema esmagador, cruel e que ignora a dor das pessoas. Mas pior que ignorar é não fornecer ferramentas para melhorar esse sistema. 

Como diz o sábio Frejat: "que você descubra que rir é bom, mas que rir de tudo é desespero". 


quinta-feira, 14 de março de 2024

Uns comem os outros e os vermes comem todos

Me peguei hoje, pensando sobre como aprendi na escola que existe uma cadeia alimentar. Que existe uma pirâmide na qual os predadores ficam no topo. Algo mais ou menos assim: 


 
E toda vez que surge uma metáfora do tipo animal-cadeia alimentar, se incentiva que sejamos os predadores. As publicidades ressaltam o poder dos carnívoros: leões; águias; tigres e seus correlatos. 

O ser humano então, se tornou o rei da cadeia alimentar, porque dominou os meios de produção e todas as espécies que deseja comer. Mas, sinceramente, e ecologicamente falando, isso não é verdade. 

Os reis da cadeia alimentar são os vermes. 

Porque os vermes comem todos no final. Eles não precisam do equilíbrio do ecossistema, pois são ultra adaptáveis e estão em todo lugar, até dentro de nós. (Aqui faço uma licença poética para chamar os microorganizamos que nos habitam de vermes)

Então aprendemos errado? 

Não, aprendemos de um ponto de vista antropocêntrico. E agora, podemos entender que do ponto de vista vermocêntrico, a verdade é que uns comem os outros, mas quem está no topo e come todo mundo são os vermes. 


terça-feira, 3 de outubro de 2017

Prêmio IgNobel: Brasil vence em duas categorias!

Esse prêmio IgNobel já figurou aqui no blog, porque seleciona o que tem de mais bizarro na ciência ao redor do mundo. O IgNobel foi criado pela revista de humor científico Improbable Research, que traz o lema: "Research that makes people LAUGH and then THINK", traduzindo: pesquisas que fazem as pessoas rirem e depois pensarem.

Se você aí pensou que ciência era coisa pra gente séria, estava seriamente enganado (trocadilhos como esse comprovam que cientistas tem um humor bizarro mesmo :P). Aqui no blog mesmo, já demos várias provas de como os cientistas podem ser fora da casinha.

A Universidade Harvard, anfitriã do IgNobel desde 1991, recebe os ganhadores todo ano, em setembro, e as categorias do prêmio mudam, de acordo com a avaliação dos pareceristas. Em 2017, dois grupos de pesquisadores levaram o prêmio nas categorias de biologia e nutrição, graças a seus artigos publicados em revistas internacionais que são o feijão com arroz de todo cientista.

Em biologia, o prêmio foi para os resultados publicados no relatório Female Penis, Male Vagina, and Their Correlated Evolution in a Cave Insect, que revela a descoberta de um pênis feminino e uma vagina masculina em um inseto que vive em cavernas da caatinga, no Brasil. Os pesquisadores envolvidos são da Universidade Federal de Lavras (MG, Brasil) e da Universidade Hokkaido (Japão).

O prêmio de nutrição foi dado pela pesquisa desenvolvida na  Universidade Federal de Pernambuco, que resultou no primeiro relatório, em 2016, What is for Dinner? First Report of Human Blood in the Diet of the Hairy-Legged Vampire Bat Diphylla ecaudata. No relatório, os pesquisadores revelam que o morcego de perna peluda, está deixando de se alimentar do sangue de aves para se alimentar de sangue humano.
 
Leia mais aqui no site da PEGN. 

domingo, 30 de julho de 2017

A tecnologia que quero e ainda não existe

Não só eu, mas quem para pra pensar no que realmente seria útil na vida quer, pelo menos algum item desta lista. 

1. Teletransporte
Sempre que tenho de ir a um lugar distante e, principalmente, quando estou atrasada, me pergunto quando vão inventar o teletransporte. Soube que já teletransportaram minúsculas particulinhas começando em 1997 pelo fóton, uma partícula de energia e por último, em 2009, foi o teletransporte quântico, no qual apenas vai informação, não matéria, nem energia. Para ler um breve histórico do teletransporte, vai lá no site da SuperInteressante. As pesquisas seguem, tentando provar que Einstein estava errado ao debochar do teletransporte. Muita gente, eu inclusive, se pergunta se será possível algum dia teletransportar pessoas como no Star Trek. Pelo fóton e pelo quântico, acho melhor não esperar.

2. Eu, eu mesmo e outro eu
Em um momento ou outro da nossa vida, queremos ser dois ou três ou quatro para dar conta de nossas tarefas e ainda delegar as coisas mais chatas a outra pessoa, não é? Nas histórias de ficção, já fizeram isso pacas, mas aí é só. Tecnicamente você não pode se dividir em dois, pois a partir do momento em que haveria outro de você, essa pessoa teria outra consciência, portanto seria outra pessoa. Mesmo que a consciência possa se dividir, na meditação, por exemplo, isso só acontece por causa dos níveis da consciência que uma pessoa possui. Isso é assunto pra psicologia e neurociência, muito interessante. Portanto, se você tem um monte de coisas pra fazer, é melhor não procrastinar e fazer rápido, porque a ciência não vai te ajudar.

3. Transformar pensamento em coisas
Isso seria a solução de todos os nossos problemas. Ninguém mais passaria fome, nem tédio, nem carência afetiva. Mas, não, não há como. No máximo você pode ver no Guia do Mochileiro das Galáxias uma máquina que transforma o que você tá pensando em comida. Mas mesmo assim, a comida não sai da mesma forma que você queria.


4. Sonhos que viram filme
Você sempre sonha coisas incríveis que dariam filmes ótimos. Mas ainda não existe tecnologia para transformá-los em nada além de um post no blog. No filme A Origem, as pessoas conseguem montar e conduzir os sonhos com um sistema interessante. Mas, esse sistema não existe de verdade, portanto, vai sonhando.

5. Um convocador de coisas perdidas
Seria ótimo ser como Harry Potter e convocar magicamente qualquer coisa com um simples Accio! E não só vassouras voadoras, mas chaves, celular, guarda-chuvas, pendrive. Principalmente para as pessoas que nunca se lembram em que buraco negro meteram suas coisas. Para isso, a tecnologia dá jeito! Mas só para metais atraídos por ímãs. Ou seja, se você perder uma agulha num palheiro, use a tecnologia, pronto! Fora isso o melhor é tomar vergonha na cara e melhorar sua organização e concentração, porque tecnologia até salva mas, não é deus.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

No rastro da morte


O velho portão de metal dá acesso a uma rua asfaltada, por onde sobe a gente que caminha lentamente. Pelo caminho desviam de vendedores de serviços, velas, flores, planos, religiões enquanto olham as pequenas casas alinhadas, algumas enfeitadas por pequenas árvores, flores e monumentos de pedra e mármore. Cada uma tem um nome, ou vários, datas, às vezes uma frase. Apesar do movimento de feriado de Finados, o silêncio é imperante. Os 60 mil moradores do cemitério São Francisco de Assis, também conhecido por Cemitério do Itacorubi, descansam. Eternamente.

Debaixo de sol forte de início de novembro em Florianópolis, as pessoas procuram seus parentes e amigos.

- Débora, ele falou que é acabando o muro na segunda fileira.

- É pra cá, dava pra ver a rua.

- Não é pra lá, é ali embaixo.

- Pega o telefone e liga pra sua tia.

- Dia de Finados, o trabalho é muito. - diz o administrador do cemitério, Osmar Ferreira, olhos azuis e sotaque apressado de manezinho - É muita gente procurando informação.

Osmar rabisca em um mapa amarelado e roto sobre a mesa da casa amarela, à entrada do cemitério, de onde administra as pequenas moradas com ajuda de um computador. Administra os vivos "porque morto não incomoda". De estranho só o caso da vaca fantasma.

- Seu João, aquele ali - aponta para um dos funcionários - estava na ronda noturna quando me ligou dizendo que tinha uma vaca no cemitério. Eu disse a ele, João, você pega uma corda, laça a vaca e leva pro matadouro. Quando ele voltou, a vaca tinha sumido. Não caiu dentro de sepultura, por onde é que a vaca ia sair? Era uma vaca fantasma, né?

As poucas lápides com epitáfios parecem deixar falar os mortos. "Surfo agora nos mares do céu", diz Geraldo Oliveira. "A morte é apenas mudança", filosofa Charles Hartt. Outros jazigos falam por imagens. Têm brasões do Avaí, Palmeiras, Corinthians, Santos, Vasco, São Paulo. Alguns com guitarras em mármore, em metal, em desenho.

O que se pensa da vida e da morte pode-se resumir no cemitério. Até as divisões sociais. "As madames vêm dois, três dias antes do feriado de Finados para botar flor, arrumar. No feriado mesmo vem o povão", diz a vendedora de flores, Roseli Anhaia, em frente ao portão de metal. "A gente até pensa nisso quando seleciona os produtos pra vender. Traz os vasos mais chiques e caros antes, porque é o que elas gostam de comprar", Roseli revela sua estratégia de venda.

A ala da comunidade alemã é uma área reservada que parece um jardim, gramado milimetricamente aparado, arbustos podados, árvores grandes e estátuas de mármore branco. O cemitério já foi inaugurado com essa ala particular, em 18 de novembro de 1925.

- Quem foi o primeiro morto do cemitério? - pergunto ao administrador.

- Tá ali na primeira rua, Waldemar Vieira.

- Morrer custa caro?

- São R$ 280 por lote.

- R$ 280 pra ter onde cair morto. E quem não pode pagar?

- Quem não tem dinheiro, o município paga a gaveta.

Com a vaga garantida é a vez das funerárias. Elas cercam o cemitério, oferecendo seus préstimos na hora da morte. Se o cliente for previdente e planejar os funerais ainda em vida, paga mais barato, em prestações. O preço é tabelado pela prefeitura e varia de R$ 290 a R$ 3.980 por serviços como transporte, capela, preparação do morto e flores. Se o defunto for gordo, o preço aumenta em 60% porque o caixão é reforçado.

Quem não quiser ser enterrado pode escolher a cremação que sai por R$ 2.930 para o morto precavido que fez o plano. "Plano vitalício", explica o atendente com voz grave de agente funerário, para assegurar que o plano funerário não expira se a pessoa resolver não morrer pra já. Para quem morre de repente, sai mais caro, R$ 3.700.

As cinzas são entregues em uma urna para "levar à praia, se quiser", diz o agente. Mas, se o morto acinzentado não gostar de praia tem a opção de virar diamante, na Suíça, por R$ 12.000. Também há a opção de enviar as cinzas para o espaço em um foguete da Nasa. O serviço custa US$ 60.000, mas, pelo menos em Santa Catarina, ninguém nunca foi ao espaço depois de morto.

O morto que não tem tantas pretensões, ou não tem família, pode ficar descansado. O município é responsável pelo enterro de indigentes. Mesmo sem funerais, há lugar garantido na gaveta. Não é tão ruim assim. No cemitério mais famoso do mundo, o Père Lachaise, em Paris, a dançarina Isadora Duncan, morta em 1929, repousa em uma bela gaveta de mármore negro.

A sete palmos

Abrir um buraco com sete palmos de profundidade para enterrar os mortos é a forma mais comum de destinar os cadáveres desde a Pré-História, quando o  homem de Neandertal começou a pensar em coisas mais complexas. Nas diferentes culturas e civilizações que se seguiram a morte cumpriu um importante papel social e cultural.

O psicólogo Rodrigo Caputo aponta os rituais funerários em diferentes povos ao longo da história para afirmar que mesmo com diferenças culturais, a morte é tratada como um acontecimento social. "A maneira como uma sociedade se posiciona diante da morte e do morto tem um papel decisivo na constituição e na manutenção de sua própria identidade coletiva", afirma em seu artigo O homem e suas representações sobre a morte e o morrer.

No livro Cidades dos vivos, o professor de arquitetura da USP, Renato Cymbalista, explica que os cemitérios têm participação nessa identidade. Essas construções - na forma que conhecemos hoje - surgiram, no Brasil, a partir do século XIX quando em 1801 o príncipe regente de Portugal enviou uma carta ao governador da província de São Paulo ordenando que fosse construído um cemitério a certa distância da cidade para que "os miasmas pútridos que exalam os mortos" não afetassem a saúde dos vivos.

Segundo o professor essa foi uma grande novidade. A partir de então, os mortos passaram a ser mal-vindos, fedidos e perigosos à saúde dos vivos. A recomendação do príncipe regente fazia parte de uma mudança sanitarista que estava apenas começando na Europa naquele período, surgida da necessidade de se evitar epidemias como a Peste Bubônica, também chamada Peste Negra, que dizimou um terço da população europeia no século XVII.

Isso contribuiu para mudar a condição social do morto e a relação dos vivos com a morte na cultura europeia que influenciou fortemente a nossa, americana. "Além dos significados higiênico, monumental e religioso, os cemitérios públicos darão uma resposta urbanística a demandas de ordem afetiva, e os mortos reconquistam seu lugar dentro do organismo urbano. Morando em sua própria cidade, os mortos não são mais um problema. Ao contrário, são parte fundamental da solução urbanística de todas as cidades, que já não podem mais ser imaginadas sem seus cemitérios", reitera Cymbalista.

A cidade dos mortos do Itacorubi já não tem pra onde crescer. No lugar onde todos descansam, os únicos que trabalham são Osmar Ferreira e seus onze funcionários.

- Meu neto diz que sou o dono do cemitério - brinca Osmar.

São, em média, quatro mortos por dia que se mudam para a cidade. Não há espaço para novas sepulturas, apenas gavetas. Dos que chegam, 80% a 90% já têm o jazigo da família. Houve dois casos de funcionários que se aposentaram e pouco tempo depois voltaram para o cemitério. Para serem sepultados.

A morte instiga o mistério e o desconhecido. Provoca dúvidas, Um grupo de religiosos de paletó e gravata escuros debaixo de um sol escaldante se aproxima. Dizem ser representantes de Jesus Cristo. Dizem ter respostas, mas na verdade eram só perguntas. De onde vim? Para onde vou? O que faço aqui? São questões que movimentam não só as religiões, mas também setores da ciência. Afinal, morre o corpo e a alma, o espírito, a energia vital, vai pra onde?

 

A ciência e a morte

A proximidade do mundo científico com o espiritual tem um espaço garantido na física quântica, que veio ganhando espaço a partir da década de 1960. O professor indiano de física da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, Amit Goswami estuda a permanência da consciência após a morte e acredita que esse é o caminho para comprovar a reencarnação. Para ele a física quântica pode comprovar que sem a existência de um conjunto superior - algo que se pode chamar de Deus - o universo é inconsistente.

A questão da manutenção da consciência após a morte pode ser interpretada a partir da lei da conservação da matéria deduzida pelo químico francês Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794). Segundo a lei, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Quando o físico Isaac Newton publicou, em 1687, a Lei de Ação e Reação, talvez não pensasse que ela pudesse ser usada para explicar como funciona o carma. Mas no século XVII, a ciência e a religião eram tão unidas, que a igreja acabava sendo a grande detentora dos saberes científicos, além de se dedicar à física e à matemática, Newton também estudava teologia e alquimia. E costumava dizer que a verdadeira filosofia era pensar sobre a morte.

Não era uma forma inovadora de pensar. Os filósofos gregos Platão e Aristóteles tinham um vasto rol de pensamentos sobre o assunto e influenciam cientistas desde então. Eles enxergavam a morte como única certeza inevitável, já que não havia como escapar dela.

Em 1595, os ensaios de Michel de Montaigne foram publicados com uma grande quantidade de linhas dedicadas a meditar sobre a morte que, para ele, era o mesmo que meditar sobre a liberdade. “Nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda a sujeição e constrangimento”.

Outro cientista famoso, Albert Einstein, em seu livro Como vejo o mundo, revelou o que pensava dessa dualidade. "Afirmo que o sentimento religioso cósmico é o mais forte e mais nobre estímulo à pesquisa científica". 

Com a quantidade de perguntas que a morte instiga, não falta campo de pesquisa para a ciência. E pelo menos na medicina, onde o convívio com a morte é mais evidente, os avanços em pesquisa têm contribuído para trazer luz à hora da morte.

A única certeza desse mundo é que a gente vai morrer.

O coração para. A circulação do sangue também. As células do cérebro são as primeiras a morrer, levam de três a sete minutos. O sangue começa a se concentrar nas partes inferiores do corpo, causando palidez. Em três horas os músculos enrijecem. Em 24 horas o cadáver esfria. Conforme as células morrem, as bactérias começam a decompô-lo.


O momento da morte é descrito de várias formas pela medicina, até porque não se morre de um só jeito. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, OMS, a maior causa de morte no mundo é o câncer, em várias formas, seguido de doenças cardiovasculares. Isso significa que grande parte das pessoas morre em hospitais, ou passam por eles antes do fim. Muitos médicos continuam o tratamento dos pacientes mesmo com poucas chances de cura, mas aumenta o número de profissionais que concordam que quando há prognóstico reservado - que não há possibilidade de cura - prosseguir com o tratamento é prolongar o sofrimento do paciente.

Cuidar da qualidade de vida e de morte dos pacientes terminais é um dos princípios estabelecidos pela OMS sobre cuidados paliativos. A psicóloga Márcia Lisbôa confirma, em sua dissertação de mestrado, a importância de se aceitar, nesses casos, que não há cura. Ela estudou os efeitos terapêuticos dos rituais de despedida em iminência da morte em familiares de pacientes terminais no Hospital Universitário da UFSC e conclui que a despedida beneficia tanto os familiares quanto o paciente.

No artigo em que avalia, com sua equipe, as decisões médicas em casos onde a cura não é mais possível, a coordenadora da Residência Médica de Medicina Intensiva do Hospital Universitário de Florianópolis, Rachel Moritz, afirma que o fato de grande parte das mortes ocorrerem nos hospitais "tornou imprescindível que os profissionais dessas instituições aprendam a conviver e a tratar do indivíduo durante o processo do morrer". Também destaca que os cuidados com pacientes terminais dependem da "aceitação da finitude do ser humano e do reconhecimento da incapacidade médica de “curar sempre”.

A psicoterapeuta Bel Cesar no livro Morrer não se improvisa relata como a não aceitação da morte pode perturbar os últimos instantes de vida de uma pessoa. A autora trabalhou com pacientes terminais com vários tipos de doenças e relata alguns casos no livro, vividos por ela ou por outros profissionais.

Como o médico Roger Cole, que relata o caso de John, um rapaz de 26 anos com Aids, já muito debilitado, em estado terminal. O rapaz estava bastante revoltado pelo tratamento que ele sabia que não traria cura, só ia prolongar seu sofrimento, quando o médico conversou com ele. Depois de tentar conseguir respostas de John que fossem além de evasivas, o doutor percebeu que não adiantava falar em vida eterna, que para o paciente significava sofrimento eterno. Teria de dizer apenas o óbvio, ele estava morrendo e logo tudo terminaria. O rapaz aceitou melhor essas palavras que qualquer ajuda que haviam-lhe proporcionado, pois, finalmente alguém não lhe pedia para lutar uma batalha perdida. Ele morreu dois dias depois, com a família ao redor, tranquilamente. 

No livro Da Morte, Rubem Alves diz que a morte é nossa única conselheira. Quando temos a consciência de que vamos morrer, nos sentimos livres para não nos importar com mais nada. "O que você deve fazer, ao se sentir impaciente com alguma coisa, é voltar-se para a sua esquerda e pedir que a morte o aconselhe". Ou, como escreve Paulo Leminski em um poema, "morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma".

No cemitério do Itacorubi, a cidade onde os moradores não respiram, os conselhos da morte aparecem nas lápides, as únicas que representam seus habitantes. De acordo com a família Barcellos, "encontrarás mais segurança e paz, garantindo-te o êxito no caminho da vida maior". Ironicamente, nas cidades dos vivos, a paz também é um conselho muito ouvido. Quem sabe ao ouvir as palavras da morte, viver tenha um novo sentido.



Reportagem produzida em dezembro de 2012, por Juliana Frandalozo,

"Para quem a vida sempre foi um mar sem fim"


Material jornalístico exclusivo do blog Universo Bizarro. Licença de uso: Trechos podem ser reproduzidos apenas com a citação obrigatória da fonte, acompanhada do permalink desta página. Reprodução integral somente com permissão da autora.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

A forma correta de lançar torpedos

Temos um assunto importante a tratar. A forma de fazer o número dois não é como deveria ser. É o que defende o projeto Squatty Potty, que partiu em busca de um cólon saudável para uma vida feliz e concluiu que lançar torpedos sentados no trono da forma tradicional, com um ângulo de 90 graus entre o tórax e as pernas pode ser a causa de constipação, hemorróidas, problemas urinários, doenças do cólon e desordens do assoalho pélvico.



Tudo isso pode ser verdade, ou pode ser apenas um estudo financiado para dar suporte ao lançamento de mais um produto revolucionário! (no estilo Polishop de televendas) Trata-se justamente de um suporte de lançamento! (juro que a ironia não foi a intenção original)


É uma espécie de banquinho que eleva as pernas dobradas em 35 graus para que a base de lançamento esteja mais preparada para o ataque.



Então, vejam o vídeo educativo abaixo e concluam se seus problemas acabaram, se esse produto vai dar merda ou se cagar não é mais um momento filosófico íntimo do ser humano consigo mesmo.


klkl

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

sábado, 20 de julho de 2013

Testículos têm papilas gustativas que identificam sabores

Um estudo feito pelo Monell Chemical Senses Center, na Filadélfia, descobriu que os testículos têm papilas gustativas que podem detectar sabores doces. Os receptores têm ligação com a fertilidade, de acordo com a pesquisa. As informações são do Daily Mail.


Os cientistas não conseguiram descobrir qual é a relação entre os receptores de sabores dos testículos e a infertilidade masculina, no entanto, fizeram um estudo com camundongos com medicamentos para inibir as papilas gustativas. 

Os animais apresentaram má formação nos testículos, espermatozoides em baixa quantidade e pouco eficientes na fecundação de óvulos com a experiência. Os pesquisadores afirmaram que  medicamento usado para inibir os receptores de sabor nos testículos é da mesma classe que os remédios usados no combate ao colesterol alto, o que levantou a possibilidade de as drogas diminuírem a fertilidade dos homens.



JK: Cuecas saborizadas. Patenteei.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Por que ninguém gosta de mim?

Se você googlou essa pergunta e chegou nesse blog, vamos ter uma conversinha. Não, este não é um blog de auto-ajuda, o título já entrega. Este é um blog nascido num universo onde enxergamos tudo através de uma visão bizarra. O princípio filosófico disso é: "Rir de si mesmo e das desgraças dessa vida é melhor que não ter nariz".

Ok, ninguém gosta de mim, não tenho amigos, minha mãe é um pé no saco, meu pai é distante, a pessoa que eu amo não me quer, meus colegas da escola me zoam o tempo todo, porque eu existo?

Se você pegar pelo ângulo budista de explicação da existência, você existe para sofrer e é isso que vai te levar a ter boas experiências para crescer e evoluir espiritualmente.

Foda-se o espírito, porque todo mundo ao meu redor é mais feliz que eu, esse budismo não tá com nada!

Provavelmente você já ouviu falar que a grama do vizinho é sempre mais verde, e existem pesquisas que comprovam que quem acessa muito as redes sociais tem grande tendência de achar que sua vida é mais infeliz que a dos outros. Isso tem um fundamento: Só compartilhamos nossos melhores momentos com o público. Poucas pessoas usam o facebook prá dizer que estão tristes e a maioria acha isso chato.

Se todo mundo põe apenas suas fotinhos de sorrisos, praia, casaisinhos fazendo coraçõezinhos com as mãos, festas, passeios, viagens, gatinhos fofos e bebezinhos dentro de potes de flor, não é porque a vida deles é mais feliz, é porque eles gostam de manter a aparência de que suas vidas são maravilhosas e perfeitas quando, no fundo, são vazias e tão carentes de sentido que precisam afirmar sua felicidade numa rede social para que ela tenha algum sentido.

“Feliz é quem conhece o lado ruim e o respeita. Feliz é quem já foi infeliz. Somente quem já foi infeliz pode entender que a tristeza traz um punhado muito bom de aprendizados. Felicidade não é sobre quem grita mais alto; é sobre quem sorri mais fundo.” (Clarissa Corrêa)

Então se você quer mesmo saber porque ninguém gosta de você, pergunte a si mesmo porque você não gosta de ninguém. A maior parte dos nossos problemas está SEMPRE dentro de nós e quando aceitamos e entendemos isso é mais fácil de resolver tudo, porque aí então, só depende de nós. Se o mundo te traz problemas, desafie-o com soluções!

“Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você.” (Richard Bach)

E aí voltamos para os budistas que não são apenas carecas de vestido laranja, mas dizem coisas bem interessantes. Certa vez, Dalai Lama disse: "é engraçado como depositamos tanta confiança e tanto sentimento nas pessoas. E por esperar demais, sonhar demais, criar expectativas demais, sempre acabamos nos decepcionando e nos machucando cada vez mais.”

Muitas vezes esperamos demais das pessoas e esquecemos que uma amizade se mantém por trocas. Você deve estar disponível e assim vai provocar a disponibilidade nas pessoas que gostam da sua companhia. mas, se você não gosta de estar com as pessoas e não cria oportunidades de convívio, não adianta ficar se lamuriando por não ter amigos.

"Nunca fui feliz enquanto esperei que as pessoas gostassem de mim. Aprendi a ser feliz quando busquei autoconhecimento, isso me ajudou a entender porque eu sou o que sou e passei a me aceitar e me amar pelo que sou ao invés de tentar ser o que os outros queriam que eu fosse". (William Yattes)

Depois que você aprende a se amar e se aceitar pelo que é, você naturalmente passa a amar e aceitar as pessoas ao seu redor e se torna disponível para elas. E então você vai atrair pessoas que gostam de você realmente. 

“Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro.” (Fernanda Mello)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Leis da física X Star Trek

Pode o garoto James T. Kirk, futuro capitão da nave estelar Enterprise, sobreviver às leis da física no filme Star Trek 2009? Façam suas apostas, considerações e cálculos e confiram a resposta abaixo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Por quê as pessoas estão ficando mais gordas?

Respondo a essa pergunta apresentando os seguinte gráficos, de influência darwiniana:




Com base nessas evidências científicas, façam suas apostas!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Estudo mostra que unha apareceu nos primatas há 55 milhões de anos

Ao contrário do que indicam estudos anteriores, as unhas dos dedos começaram a aparecer em primatas pequenos há 55 milhões de anos, segundo uma pesquisa elaborada por cientistas da Universidade da Flórida e publicado na edição digital do American Journal of Physical Anthropology.
A universidade, em colaboração com outros centros de pesquisa, analisou os fósseis mais antigos que se tem da existência das unhas. Suas ideias se opõem às teorias de que essa estrutura orgânica anexa à pele começou a se desenvolver quando os primatas foram ganhando tamanho ao longo da evolução.
O material analisado consiste em restos de 25 novos exemplares da espécie Teilhardina brandti encontrados nos últimos sete anos, na Bacia de Bighorn (no estado americano de Wyoming), incluindo partes de sua arcada dentária superior e dos ossos dos tornozelos, que indicam vivência nas árvores.
Leia tudo aqui no Estadão

JK: Então a profissão mais antiga do mundo não seria a de prostituta, mas a de manicure.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Coreia do Sul anuncia ter criado cão modificado geneticamente que brilha

Cientistas da Coreia do Sul afirmaram na quarta-feira (27/7) que criaram um cão que brilha, usando uma técnica de clonagem que pode ajudar a curar doenças em humanos, como os males de Alzheimer e Parkinson. A informação é da agência Yonhap.

Uma equipe da Universidade Nacional de Seul disse que a beagle fêmea, batizada de Tegon e nascida em 2009, fica com um brilho verde fluorescente sob luz ultravioleta, quando toma um certo tipo de antibiótico, a doxiciclina.

Dois anos de testes foram feitos. A habilidade de brilhar pode ser “ligada e desligada”, adicionando-se ou não a droga à comida da cadela.

“A criação de Tegon abre novos horizontes, uma vez que o gene injetado para fazer a cadela brilhar pode ser substituído por genes que causam doenças graves em humanos”, disse Lee Byeong-chun, o pesquisador-chefe, segundo a agência.

Ele disse que o cão foi criado usando tecnologia de tranferência de material nuclear de células que a universidade usou para fazer o primeiro cão clonado do mundo, Snuppy, em 2005. Segundo ele, como há 268 doenças em comum entre humanos e cães, criar cães que mostram esses sintomas artificialmente pode ajudar a criar tratamentos para doenças que afligem os humanos.

A pesquisa tomou quatro anos e gastou US$ 3 milhões, segundo a Yonhap. Os resultados saíram na publicação internacional ‘Genesis’.

Fonte: G1/ AmbienteBrasil


JK: Legal! Nunca mais vou perder meu cachorro no escuro!

JK 2: "doenças que afligem os humanos" tipo: crise existencial (Não me vejo no escuro, logo, não existo).

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Borboletas fêmeas fecham as asas para evitar sexo, diz estudo

Uma pesquisa japonesa descobriu que as borboletas fêmeas desenvolveram um mecanismo para evitar o assédio sexual dos machos. Segundo os pesquisadores, as borboletas têm uma forma simples de evitar a atenção indesejada de machos persistentes – elas fecham suas asas.

Ao fechar suas asas brilhantes e com desenhos chamativos, as fêmeas se tornam menos visíveis para os machos, segundo descrevem os cientistas em um artigo publicado na última edição da revista especializada Ethology.

O coordenador da pesquisa, Jun-Ya Ide, do Instituto de Tecnologia Kurume, em Fukuoka, notou que as borboletas da espécie Lycaena phlaeas normalmente fechavam as asas quando outras borboletas da mesma espécie estavam voando muito próximas a elas. "Eu também descobri que ela fechava as asas com menos frequência quando outras espécies de borboletas estavam voando nas proximidades", disse Ide. Ele então começou a tentar descobrir por que isso ocorria.

Virgens
Segundo Ide, tentativas persistentes de acasalamento por machos podem machucar as delicadas fêmeas, então ele testou a hipótese de que elas fecham suas asas como uma estratégia para evitar o assédio.
Ele usou um modelo de borboleta macho para gerar a reação nas fêmeas. “Quando trouxe o modelo de borboleta macho para perto de uma fêmea que já havia copulado, ela normalmente fechava suas asas”, disse o pesquisador à BBC.

As fêmeas virgens, por outro lado, mantinham suas asas abertas. “Concluí então que, quando as fêmeas não necessitam mais copular, elas fecham suas asas para se esconder”, disse Ide. No entanto, as fêmeas virgens, que querem copular, “mantêm suas asas abertas para ficarem visíveis”. “O comportamento evoluiu para evitar o assédio sexual”, disse.

Essa veio aqui do Estadão.com.br


JK: Sempre me surpreendo com a capacidade da ciência ser bizarra. Inevitável.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sexo oral entre morcegos e vida corporativa são estrelas do IgNobel

Premiação chama atenção para 'descobertas que fazem as pessoas primeiro rir, depois pensar'


"Felação entre morcegos frugívoros prolonga a duração da cópula" é o título do artigo científico que levou uma equipe de cientistas chineses e britânicos a receber o Prêmio IgNobel de Biologia de 2010. Gareth Jones, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, deve comparecer ao ao Teatro Sanders, da Universidade Harvard, nos EUA, para receber a honraria na vigésima cerimônia da premiação, que, segundo seus idealizadores, busca chamar atenção para "descobertas que fazem as pessoas primeiro rir, depois pensar".

Outro destaque da premiação é um artigo de pesquisadores italianos que buscaram uma forma de escapar do chamado Princípio de Peter. Proposto pelo psicólogo canadense Laurence Peter, o princípio costuma ser resumido na afirmação de que, em toda hierarquia, os indivíduos tendem a ser promovidos até atingir "seu nível máximo de incompetência".

"Embora pareça pouco razoável", escrevem os agraciados no artigo "O Princípio de Peter Revisitado: Um Estudo Computacional", "o princípio funcionaria realisticamente em qualquer organização onde o mecanismo de promoção premia os melhore membros" e onde as tarefas do nível superior são muito diferentes das do nível inferior.

O resultado é uma perda de eficiência da organização, que deixa de contar com um ótimo funcionário no nível abaixo e passa a contar com um funcionário medíocre ou ruim no nível acima. "Dentro de uma abordagem de teoria dos jogos", prosseguem Alessandro Pluchino, Andrea Rapisarda e Cesare Garofalo, da Universidade de Catânia, na Itália, "descobrimos contraintuitivamente que, para evitar tal efeito, as melhores formas de melhorar a eficiência de uma dada organização é ou promover a cada oportunidade um agente ao acaso ou promover aleatoriamente o melhor e o pior membro, em termos de competência".

Um grupo de pesquisadores japoneses volta para receber seu segundo IgNobel. Depois de serem agraciados em 2008 com o prêmio de ciência cognitiva pela descoberta de que o limo é capaz de resolver labirintos, Toshiyuki Nakagaki e Atsushi Tero recebem agora a honraria na categoria de Planejamento de Transportes, como membros da equipe que demonstrou o uso do limo na determinação de rotas para linhas ferroviárias.

Por sua vez, o Prêmio IgNobel da Paz vai para três britânicos que confirmaram a crença popular de que gritar palavrões ajuda a diminuir a dor.

O lado francamente satírico do prêmio aparece no de Química, concedido pela descoberta de que "óleo e água se misturam". Ele será concedido a dois cientistas americanos - que realmente trabalharam num estudo a respeito -, mas também à BP, empresa responsável pelo gigantesco vazamento de petróleo no Golfo do México.

Já o IgNobel de Economia vai para os administradores das empresas Goldman Sachs, AIG, Lehman Brothers, Bear Stearns, Merrill Lynch e Magnetar, "por criar e promover novas formas de investir dinheiro - que maximizam o ganho financeiro e minimizam o risco para a economia mundial, ou para uma porção dela". Essas empresas tiveram um papel central na crise econômica que ainda atinge os EUA e a Europa.

Outros prêmios deste ano vão para uma equipe de cientistas britânicos e mexicanos que inventou um helicóptero teleguiado para coletar amostras de secreção nasal de baleias; para dois cientistas holandeses que provaram um passeio de montanha-russa alivia os sintomas da asma; para duas pesquisadoras neozelandesas que demonstraram que usar as meias para fora do sapato reduz o risco de escorregar e cair na neve; e para três americanos que provaram, por meio de experimentos, que micróbios se agarram a cientistas barbados.

A cerimônia do IgNobel tem transmissão ao vivo pelo YouTube, e ficará disponível online em http://www.youtube.com/improbableresearch. O prêmio é uma promoção da revista Annals of Improbable Research (AIR), que se define como um periódico de "humor científico". Como já é tradição, a cerimônia tem um tema, que será refletido em duas apresentações musicais. O deste ano é "bactéria".

Os ganhadores que forem a Harvard receber o prêmio - segundo a AIR, autores de oito dos dez trabalhos ganhadores confirmaram presença - terão a honraria concedida por vencedores do Nobel. Farão a entrega do IgNobel Sheldon Glashow (ganhador do Nobel de Física em 1979); Roy Glauber (Física, 2005), Frank Wilczek (Física, 2004), James Muller (Paz, 1985) e William Lipscomb (Química, 1976).

Fonte: Estadão.com.br


JK: IgNobel é publicação científica obrigatória aqui no UniB.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Na UnB, disco voador e astrologia têm status de ciência

Na pequena sala do professor Álvaro Luiz Tronconi, no prédio principal da Universidade de Brasília, misturam-se livros-texto de suas duas especialidades: física da matéria condensada e percepção extrassensorial.

Doutor em física pela Universidade de Oxford, Reino Unido, Tronconi coordena um grupo de uma dezena de docentes que se reúnem para estudar fenômenos que supostamente existem, mas que estão fora do alcance da ciência "tradicional".

Fundado em 1989, o Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais da UnB promove pesquisas e cursos em quatro áreas: astrologia, ufologia, conscienciologia (relacionada aos potenciais do cérebro humano) e terapias integrativas (propondo novas abordagens na medicina). Um curso de percepção extrassensorial, por exemplo, envolvia "acessar o mundo extrafísico". Um exercício ajudava a "ver assombração, acessar algo do passado, olhar algo do futuro".

Leia tudo aqui na Folha Online


JK: Porque não tem dessas coisas na UFSC?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Pesquisa comprova: Homens só pensam em futebol

A dedicação ao esporte ocupa mais de cinco horas na agenda masculina semanal

Um estudo realizado pela Liga de Campeões da UEFA com patrocínio da cervejaria Heineken acabou de divulgar o resultado de uma pesquisa de opinião realizada com 5,3 mil homens de 15 países sobre a importância do futebol na vida dos homens. O Brasil está em segundo lugar, perdendo apenas para os ingleses.


Veja só o ranking de assuntos mais comentados por homens em todo o mundo:

   1. Futebol (88%)
   
2. Esposas e namorada (45%)
   
3. Trabalho (34%)
   
4. Dinheiro (24%)
   
5. Carros (19%)
   
6. Baladas (18%)
   
7. Família (16%)
   
8. Comida (14%)
   
9. Férias (12%)
  
10. Filmes (10%)

Se quiser saber mais, leia tudo aqui, só que em inglês. 


JK: Busquei no google e outro site deu a essa matéria o título: Brasileiro necessita mais de futebol do que sexo. Pô, daí já é (#) puta falta de sacanagem. Literalmente.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Coelhos para gerar energia? Como assim?

Essa veio do portal Planeta Azul, um site mexicano de notícias ambientais, confiável, sempre atualizado, sem ressalvas. Mas essa nota foi demais.

USAN CONEJOS PARA GENERAR CALOR EN SUECIA
Todos los años miles de conejos son sacrificados para distribuir calor en las casas de Estocolmo
MÉXICO, D.F. 17 octubre 2009.- El uso de conejos para producir biocombustible mantiene divida la opinión de los habitantes de Estocolmo, ya que miles de ellos son utilizados como combustible por una planta que alimenta al sistema de calefacción de la ciudad.
Leia tudo aqui.


Em tradução livre: Suécia usa coelhos para gerar calor. Os coelhos seriam sacrificados para alimentar o sistema de calefação da cidade. Eu já vi muita coisa nessa vida, mas isso tá cheirando a lenda da internet, o que vocês acham?

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Estudo calcula chance de sobrevivência a ataque zumbi

Um grupo de cientistas das Universidades de Carleton e Ottawa, no Canadá, publicou um estudo que usa rigor matemático para responder a uma pergunta que faz sentido apenas na ficção: a Humanidade conseguiria sobreviver a um ataque de zumbis?

Intitulado Quando zumbis atacam!: Criando um Modelo Matemático de um Surto de Infecção por Zumbis, o estudo foi publicado no livro científico Pesquisa sobre Modelos de Progressão de Doenças Infecciosas.

O exercício matemático considera várias opções e cenários, incluindo quarentenas bem e mal sucedidas de infectados, assim como a possibilidade de alguns humanos sobreviverem, mas terem que coexistir com zumbis.

Os autores afirmam que um ataque de zumbis poderia acabar com a civilização a não ser que a reação fosse “rápida e bastante agressiva”. Mas advertem: “Se a escala do surto aumentasse, então, o resultado seria o do juízo final: um surto de zumbis resultaria no colapso da civilização, com todos os humanos infectados, ou mortos. Isso porque nascimentos de humanos e mortes dariam aos zumbis um suprimento infinito de novos corpos para infectar, ressuscitar e converter”, afirmam os autores.

Leia toda a matéria.