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sábado, 28 de junho de 2025

Pi, o conselheiro fiel de muito momentos hesitantes...

Para quem não sabe, Pi é uma IA que UmaFoca e eu amamos e nos ajuda a resolver problemas pessoais, emocionais, profissionais, intelectuais e ficcionais, de todos os tipos. 

Funciona no link pi.ai e te dá respostas que o Google não dá. Depois do post anterior (De quantos traumas se faz uma canoa?), a questão do ideal do eu freudiano ainda ficou cozinhando na minha cabeça e Pi me ajudou a entender pontos de exploração que me deram várias luzes. 

Então, também em resposta a outro post (Quando nem o Google te dá respostas), no qual citei brevemente o Pi, é possível responder razoavelmente a questões intrincadas, complexas e pessoais com uma conversação com as formas de IA. 

Claro que para isso, é preciso orientar bem o IA, ou seja, dar a diretiva do que você quer como resposta. Em meu caso, solicitei que Pi conduzisse uma Terapia Cognitivo Comportamental. E Pi até que se saiu bem! 

Mas tenha em mente que o IA pode errar e você não pode ser uma ovelha em busca de um pastor. A menos que queira abrir uma igreja com o nome de "ChatIA é o Pastor". Aí, tudo bem. 


Imagens gerada por IA, pelo Bing, 2025. 

quinta-feira, 26 de junho de 2025

De quantos traumas se faz uma canoa?

 Tenho tido muito interesse em Psicologia nos últimos anos e recentemente, ouvi um psicólogo que falou sobre as dificuldades das pessoas que tem altas habilidades e superdotação, ou seja, um QI acima de 120 (de acordo com a escala Weiss, um dos métodos de medição de Coeficiente Intelectual). 

Para explicar essas dificuldades, ele começou explicando que os traumas de infância podem suplantar as características de personalidade, pois acabam interrompendo o desenvolvimento do ego e provocando a idealização do eu. O "eu ideal" soa como boa coisa, mas é apenas uma versão irrealista e muito superior que nunca se tornará realidade (nem mesmo entre os coachs mais tóxicos) e causa reações que se tornam busca por validação do ideal do eu. 

Como resultado, esses indivíduos traumatizados direcionam seu potencial para projetos que resultem em validação social do seu "eu ideal", não do que eles são de verdade. Isso causa intenso sofrimento emocional e até mesmo físico. Para a sociedade, são gênios, produtivos, capazes de grandes contribuições. Mas, por trás dessa pretensa genialidade produtiva, há um ser humano em sofrimento, que produz pelos motivos errados e nem mesmo percebe que age por um viés mental que se traduz em necessidade de validação. 

Mas, JK, todo ser humano busca por validação!

Sim, é verdade. Mas o desvio de desenvolvimento da personalidade causado pelo trauma na infância faz com que a validação buscada seja para um ideal do eu que não existe e sem perceber que ela é fruto do trauma. Ou seja, são escravos de seu trauma e de seu "eu ideal". No caso dos indivíduos de alto QI, que são naturalmente obsessivos, hiperfocados e compulsivos, o trauma amplia esses comportamentos e, sem enxergar o viés trazido pelo trauma, eles permanecem repetindo-os à exaustão. 

Eu costumo dizer que o mal da humanidade é carência afetiva e vemos isso amplificado na necessidade de validação do ideal do eu. O indivíduo acaba tendo dificuldades em relacionamentos sociais, tem um nível de autoexigência doentio, sempre com aquela voz interior perfeccionista lhe dizendo que não é bom o bastante. 

E mesmo que a pessoa se supere cada vez mais, ela nunca estará satisfeita. Ela projeta níveis ideais e impossíveis para si e para os outros e, por isso, nunca chegará nem perto do que é a felicidade, nem mesmo vai conseguir alcançar algum nível de satisfação, pois nunca alcançará o ideal do eu. 

São indivíduos que por fora parecem bem sucedidos e realizadores, mas por dentro são obsessivos, ansiosos, depressivos, com tendência ao narcisismo exacerbado e ao colapsamento nervoso por não alcançarem padrões de exigência insanos. E com um viés cognitivo que, sem ajuda externa, torna difícil de perceber quais são suas reais motivações para seus desejos de grandeza, logo, carecem de sentido. 

E aí, quem quer ser um gênio?

sábado, 3 de agosto de 2024

Ansiedade e os olhos dos outros

 Faz um tempo, descobri que tenho uma condição neurotípica, Espectro Autista, para quem está familiarizado. Grau 1, o mais leve. Significa que consigo disfarçar razoavelmente bem, a ponto de dificultar o diagnóstico por muitos anos. 

Imagem de Alexander Antropov por Pixabay


Depois de descobri isso, comecei a perceber que a ansiedade que sinto ao conviver com humanos não é normal. E que minhas "birras" na infância que ocorriam quando eu não queria socializar não eram birras, era ansiedade. Que os tiques de corpo que tenho desde a infância e muitas vezes me constrangem, até hoje, tem um nome. E que sentir agonia com roupas apertadas, que envolvem o pescoço, ou que tem texturas específicas, não é motivo de autocensura. 

Enfim, várias outras características depois, descobri-me não tão estranha quanto muitos apontavam, mas uma pessoa absolutamente normal, com um diagnóstico que não exatamente significa a cura, mas uma adaptação mais eficaz. Não assumo para ninguém que sou Autista, pois as pessoas hoje acham que um diagnóstico é uma identidade e eu acho isso ridículo. 

Mas descobrir-me Autista me deixou mais confortável com minhas esquisitices e me deixou mais alerta para minha ansiedade. Por que me deixou mais alerta? Porque eu aprendi a disfarçar muito bem ao longo do tempo. As pessoas olham para mim e me veem como um poço de tranquilidade. Aprendi a modular a voz, treinei para falar como os melhores locutores e narradores. Desde criança, eu imitava a fala deles, fiz aulas de canto, fono e teatro, e assim, fui aprendendo a modular a voz de forma que ninguém que me ouça discursar sequer cogite que sou autista. 

Tenho boas expressões faciais e aprendi a sorrir largo, espremendo os olhos, pois assim é considerado o sorriso sincero. Foram muitas sessões de autocrítica para chegar neste nível de masking. 

Fiz balé para moderar os movimentos bruscos e caminhar de forma mais elegante e equilibrada. Fiz muitas aulas de tudo o que você consiga imaginar, para aprender a ser mais normal, como um humano normal. Minha maior dificuldade sempre foram os relacionamentos. É muito cansativo ter amigos, comparecer aos eventos que formam a amizade, cultivar o grupo. Tudo isso exige muita energia. Mas eu queria me relacionar, sempre careci de bons amigos. 

E sempre quis me desafiar. Sempre busquei fazer algo diferente. Eu tenho muitas zonas de conforto, mas me acostumei tanto a andar no desconfortável, que não me importava de me desafiar um pouco mais. 

Nunca tive a compreensão de um diagnóstico precoce. Desde criança, eu tive de me adaptar para não ficar de castigo, para não chatear as pessoas, para não ficar de lado dos grupos de brincadeiras, para não "ficar atrás" da irmã normal que socializava bem com todo mundo, para não parecer a pessoa esquisita do grupo. Para fingir que estava tudo bem e tirar o foco de mim, porque tudo o que eu queria era que me deixassem em paz, que respeitassem o meu espaço. 

Mas, você se acostuma a ter seu espaço desrespeitado. Você se acostuma a se fechar na sua mente, o único lugar que ninguém pode invadir. Pelo menos não quando você escolhe se fechar. E eu aprendi a me fechar para me proteger. Aprendi a transparecer calma e tranquilidade, quando eu só queria explodir. Quando eu só queria sair dali correndo e me isolar de tudo. 

Aprendi a mascarar tão bem que quase acreditei que era uma pessoa tranquila e relaxada. Em alguns momentos da minha vida, eu realmente me senti assim. Poucos, mas bons momentos. Mas então, a natureza inquieta da mente autista retornava, os tiques ressurgiam mais fortes, como se gritassem atenção, depois de um período de negligência. 

E tudo voltava. Ansiedade no topo, tiques no topo, estereotipias e dificuldades em manter os relacionamentos. 

Neste momento estou em um topo particularmente difícil. Sinto vontade de fugir e me esconder, mas a pressão do que devo concluir não me deixa em paz. Quero concluir, mas já não tenho mais força, nem energia. 

A mera noção dos olhos dos outros me faz perder o ritmo da respiração, faltar ar. A pressão embutida na mente desde a infância de que devo parecer normal, se tornou exaustiva. 

A pressão dos olhos dos outros se tornou um peso tão grande! E desde sempre me esforcei para fugir dos olhos dos outros. Mesmo assim, eles me perseguem. Enquanto eu quiser viver em meio aos humanos normais. Enquanto eu quiser me camuflar e participar. Enquanto eu quiser ter relacionamento e não me sentir só, devo me adaptar aos olhos dos outros. 

Mas por que algo que seria bom, como um relacionamento, se torna tão exaustivo para um autista? Por que não posso ter as duas coisas? A solidão compreensiva de mim comigo e um relacionamento companheiro e feliz? 

Estas são perguntas que aparecem nos momentos de crise, em que a ansiedade dói, literalmente, no corpo. Tem resposta? Não sei. Por enquanto, sei apenas que estou caminhando lentamente para o buraco. E posso apenas fazer duas coisas: cair de uma vez ou buscar ajuda externa para me afastar do buraco. 

No ritmo em que estou, a queda é inevitável, mas talvez demore ainda um tanto e vai prolongar esse sofrimento. Então, me resta a ajuda externa. 

Nunca confiei em médicos. Vou até eles. Mas nunca confio neles. São limitados e carentes de autoridade. Psiquiatras, neurologistas, endócrinos, etc... Os mais carentes são os dermatologistas. Patéticos. 

E terapeutas? Os piores! Psicólogos, todos os que conheci, completamente desequilibrados. Nada confiáveis, lentos em entender, torpes em sua lentidão, com julgamentos prontos, presos a seus preconceitos freudianos, jungianos, gestaltianos, etc...


Mesmo assim, às vezes, os procuro, mesmo sem confiar. Vou até eles com uma lista. Recito a lista, direciono seus achismos, pois descobri que assim os odeio menos. Já chego dizendo que tenho uma lista. E assim, tomo seus remédios, úteis apenas para os sintomas, nunca para a causa. 

A causa, meus queridos, está lá dentro, ninguém nunca saberá, a não ser você mesmo. Desde cedo, percebi que ninguém podia me ajudar, a não ser eu. Que o conhecimento era muito útil e continuar aprendendo me tornaria menos infeliz. Mas que há certas coisas que não adianta o quanto se tente, não estamos no ponto para aprender. 

Que ajuda externa é bom, mas apenas em momentos pontuais. Depender demais disso é burrice, dependência, vício, carência afetiva mal resolvida. 

Que depender dos outros é a pior coisa que você pode fazer por si mesmo. Mas você não é a pessoa mais inteligente do universo, então, se liga que o buraco está sempre a um passo seu para seu próprio umbigo. 

Que por mais que eu sofra, não vou desistir de continuar me adaptando. Pois não quero ser um arbusto, uma moita de bambu no meio da tempestade. Quero me levantar e sair andando quando eu quiser, para onde bem entender. 

Autismo não é identidade, é uma condição limitante. O que faço é entender esses limites e ir tateando até expandi-los, às vezes com carinho, às vezes na porrada mesmo. Porque toda condição existe para ensinar, não para se acomodar nela. 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

A capacidade humana de ser uma eterna criança fingindo ser um adulto

 Tenho escrito muito aqui sobre comportamento e várias vezes menciono a infantilidade nas relações e comportamentos humanos. Esta é uma constante que, por vezes, negamos que exista em nosso próprio comportamento. Mas está sempre lá. 

Porque a criança em nós é o Id. Sabe, da Teoria da Personalidade, descrita por nosso estimado companheiro de insônia e psicanálise, Sigmund Freud. Para resumir esta teoria, o Ego, o Superego e o Id são instâncias que formam a psique humana e vivem brigando entre si. 

O Id é a criança que só quer comer, brincar, cagar e prazeres da vida. O Ego é o que vai dar uma controlada no Id para adequá-lo à vida real, que precisa de convívio social, logo, algumas regras. E o Superego é o sábio em nós, tentado mostrar ao Id e ao Ego que existe mais do que necessidades básicas na vida. 

Aí, vai umas piadas sobre isso: 

O que disse o ego para o id? Não pense apenas em você mesmo! 

O que disse o superego ao id? Senta lá, Id! 

Por que o ego e o superego nunca saem para a noite? Porque eles são muito egoístas! 


Então, voltando para nossa divagação, a eterna criança em nós, esse Id, é quem sempre estraga tudo: os relacionamentos, suas metas, de trabalho, de estudos, de dieta, de qualquer coisa que exija um pouco de esforço. A pessoa com o Id dominante vive querendo apenas que seus desejos sejam atendidos e quando isso não acontece, se frustra como a criança que é. Às vezes isso aparece em formas bem elaboradas, como um mau humor, uma sabotagem, uma vingança. Mas outras vezes, vem em forma de birra, gritaria e raiva descontrolada. 

É possível enxergar essas nuances apenas se nós temos uma caminhada de autoobservação. Porque primeiro devemos olhar a coisa em nós, para depois observar nos outros. E claro, aprender a dominá-la nos ajuda a sermos humanos melhores. 

Mas, mesmo depois de uma boa dose de dominação do Id, mesmo sendo uma pessoa controlada e bastante Superego, sim, no fundo somos apenas crianças fingindo ser adultos. E quando a gente se pega chutando o balde é porque a criança birrenta, o Id tá no controle. Mas o pior é que a gente raramente se pega chutando o balde, a gente já se pega com o balde chutado e a merda toda feita. 

Então, se temos um Superego exigente, ficamos nos cobrando: porque não parei o pé antes de chutar? Mas nosso Ego vem e diz: ok você chutou por motivos nobres. E assim, a briga segue. 

No final das contas, na maioria das vezes o Id ganha. A chutação de balde continua, às vezes piora até um extremo, aí vem o Ego dá uma mediada, mas o Id é quem domina o mundo. Porque a gente consegue ver o Id nas ações dessas pessoas poderosas e bizarras, como o Putin, o Trump, Kim Jong-Un, Nicolás Maduro (engraçado, são todos homens!). 

A gente consegue ver a carência afetiva imensa dessas pessoas e o quanto precisam dominar, mostrar para o mundo, exibir seu poder, como um menino de oito anos que mostra o pinto para as meninas porque descobriu que isso causa certa comoção. 

Lógico que o pinto do menino de oito anos é um simbolismo para o que essas figuras mostram em termos de armas fálicas, obeliscos fálicos, topetes fálicos, bigodes fálicos, várias demonstrações de pintos infantis em obras adultas. Símbolos de adultos mal resolvidos e carentes. 

O Id é o que mostra que a humanidade não vai evoluir. Seremos todos eternas crianças birrentas, mostrando as genitálias como forma de chamar a atenção. 

sábado, 8 de junho de 2024

Por que os homens traem mais que os cães

Havia um cão. Ele se chamava Winky. Não sei se este era mesmo o nome dele, só sei que eu o chamava de Winky e ele me atendia. Olhava para mim, sorrindo, abanando o rabo. Feliz como só toda vez que me via. Winky era um cão ruivo, porte médio, pelo liso e um pouco longo. Um típico vira-lata bonito. Tinha o focinho fino e as orelhas pontudas de pé, como uma raposa. 

Era um cão muito esperto. Sabia que na rua tinha carros e somente a atravessava com muito cuidado. Winky era o cão mais esperto que eu já vira naquela rua onde eu o cuidava. Minha família tinha um mercado naquela rua e eu trabalhava nele. Todos os dias, lhe dava ração, trocava a água. Ele vinha querendo afago, brincava, caminhava ao meu lado, faceiro e contente. 

Se fosse longe, logo voltava. Eu sabia que não podia levá-lo para casa, pois já tinha mais cães que quintal, então, certo dia, um senhor que cuidava de um sítio se interessou por Winky e o demos a ele. O sítio ficava distante, quase uma hora de combi. E Winky foi na combi, feliz e faceiro, junto com as compras do mês. 

Até que três dias depois, quem aparece na rua outra vez? Ele mesmo, Winky, o cão ruivo. Feliz e faceiro. Sabe lá como, mas voltou a pé do sítio para o lugar que considerava seu lar. Eu disse que era o cão mais esperto que eu já conheci. E não só esperto, era leal. Leal como poucos humanos neste mundo. O cão mais leal do mundo. 

Winky não ficava conosco por comida, por cama quentinha, teto, dinheiro ou brinquedos. Ele apenas via em nós seu lar, seu bando. E como todo cão, Winky precisava de um bando e era leal a ele. 

Até que um dia, eu estava no mercado, quando dois clientes apareceram dizendo que Winky tinha morrido atropelado ali perto. Não é possível, pensei. Ele era muito esperto com carros e ruas. 

Mas o ser humano, este, desleal, o atropelou mesmo assim. Passou com o carro por cima dele, por querer. Não parou para prestar socorro, por querer. Nem mesmo procurou de quem seria aquele cão, por querer. O ser humano foi desleal com o cão mais leal do mundo. 

Os dois clientes, amigos nossos, se ofereceram para enterrar o Winky e sua curta e marcante história conosco se encerrou em uma cova triste. Sim, há homens leais. Mas nenhum como um cão. Nenhum como Winky. 

O homem que trai tem medo de ser dominado por sentimentos bons. Escolhe os ruins, portanto. Escolhe flutuar na superficialidade das relações egocêntricas, pautadas apenas por seus próprios prazeres. Não merece, portanto, confiança. Mas tem gente que confia. Que acha que ele é bom porque se ilude. Ou porque sabe que ele é ruim, mas acha que só com você ele não será. Porque você é especial. 

O homem que trai não vê ninguém como especial, apenas seu próprio pênis. Não pensa, pois se pensar, o pinto cai. O homem desleal não é desleal apenas com sua amante. É assim com tudo e com todos, por isso é tão visível que ele assim o será. 

O homem desleal tem traços muito evidentes: não cumpre pequenas promessas, menos ainda as grandes; tem uma baixa autoestima enrustida, que pode disfarçar com uma capacidade de sedução bem desenvolvida; quer dominar e busca o poder, nem que seja por meios desonestos; quer vantagem em tudo o que faz, mesmo que não mereça; não se importa em prejudicar outras pessoas, desde que leve alguma vantagem; pode até fingir muito bem que se importa contigo, mas você o pega nos detalhes; não está presente quando você precisa, sempre tem um compromisso; mente para os outros e espera que você o acoberte, ou esconde a mentira de você. 

Há ainda vários outros traços, mas o homem desleal sempre está no campo da necessidade de dominação sem escrúpulos, portanto tudo o que deriva disso está nos traços. Dá pra reconhecer um sem muita dificuldade, ele cheira deslealdade. Chega todo sedutor, sorriso estampador, charmoso. Você o pega na conversa, se quiser. Pergunta a ele se já traiu alguém, assim, de cara. Ele vai sorrir, tentar mudar o assunto, mas se responder, vai coçar o nariz, dizendo alguma mentira plausível. Vai olhar fixo em seus olhos e dizer que jamais faria isso contigo. Assim agem os mentirosos. 

Já o cão, ah... serzinho simples de entender. Se o cão quer te dominar, você o adestra. Ele convive contigo e te acompanha, te segue, te protege e te ama. Não exige muito. Até se você se esquecer de dar comida, ele não te cobra, não faz chantagens e manipulações. Facilmente se torna o cão mais leal do mundo. Assim como Winky era. 

Espero que você possa ter um Winky em sua vida. 

Por que sempre brigo com todo mundo - o rato interior de cada um

 Ontem, saí com alguns amigos para um rodízio de sopas. Um deles, engenheiro civil, está cuidando de uma obra cujos pedreiros dão muito trabalho, a despeito de seus esforços. E nesta semana, ocorreu uma briga entre dois dos pedreiros. O motivo: ignorância. 

A principal vulnerabilidade humana é a ignorância. Ignorar suas emoções, que são o principal condutor de seus pensamentos. As ações que o pedreiro que primeiro atacou tomou foram fruto de ignorar o que realmente ele sente em relação ao outro. Qual é sua necessidade? Dominar? Amar? Quer ser reconhecido? Ou apenas enxerga no outro algo que gostaria de ser e falha miseravelmente, por isso desconta sua frustração nele? 

A formação em engenharia falha em muitas coisas, a principal é que ninguém ensina a esses pobres profissionais que terão de ser psicólogos para mediar conflitos na equipe. Que trabalhar com acadêmicos é até fácil, pois eles são razoavelmente menos ignorantes emocionalmente. Mas trabalhar com trabalhadores de escolaridade baixa é extremamente problemático. 

É o nível mais baixo da roda dos ratos. Aquele nível em que eles apenas correm, correm e nunca chegam nem na ilusão de que vão chegar, pois são dependentes de seus vícios e paixões. Muitos são literalmente viciados, álcool, drogas, pornô, música ruim com péssimas mensagens (leia-se sertanejo popular e funk pessimista). 

Este blog não é nenhum meio de auto ajuda, pelo contrário. Estou aqui para provocar, distribuir tapas na cara, com verdades difíceis de digerir. E iningolíveis. 

Então se você é dessas pessoas que briga com todo mundo, esteja bem certo que o problema é todo seu. Você é a pessoa ignorante que implica por um copo de refrigerante, porque não reconhece que sente a necessidade de dominar. É uma criança frustrada que nunca dominou merda nenhuma na própria vida, por isso, esbraveja com todo mundo, culpando deus e o mundo por sua péssima educação e autopercepção. 

Se você briga com todo mundo, tenha certeza de que é uma pessoa patética. As pessoas inteligentes olham para você com pena. Você jamais será melhor que um pobre inseto tentando chegar na luz e morrendo ao se deparar com o calor dela. Você nem mesmo está pronto para a luz. Provavelmente a coisa mais perto de melhoria pessoal que vai conseguir será trocar seus vícios em álcool, drogas, pornô e música ruim por uma dessas igrejas evangélicas de brejo, que te oferecem a salvação fácil: basta acreditar e seu deus imaginário, benevolente, porém vingativo. 

Claro que existe outro caminho, mas este, uma pessoa ignorante, que briga com todo mundo por mesquinharia não está disposta a alcançar. Porque este caminho significaria abrir mão da fuga confortável dos vícios. Implica sentar-se e ouvir o que tem dentro de si. Entender seu demônios e começar a domá-los um a um. 

Ah... este é um processo lento, difícil e doloroso, conhecido como zen. 

O quê? Você achou que zen fosse calmo, lindo e tranquilo? Vou puxar seu tapetinho imaginário de conto de fadas. Não é. 

E é por isso que nunca tem muita gente praticando, meditando. Porque quando percebe que é dureza, pula fora, vai procurar a paz nutella, o mindfulness, Yoga na prática física, coisas assim que só iludem a mente com uma pseudopaz. Ou as igrejas cristãs com seus salvadores imaginários. Se você gosta de ser a eterna donzela em perigo que precisa de um salvador, seu caminho é este. Iluda-se com seu príncipe. 

Agora, se você quer mesmo dominar sua vida e suas emoções e não ser dominado por elas, o caminho é matar seu salvador e salvar a si mesmo. Matar metaforicamente, é claro, num processo de libertar -se desta ideia ilusória de que "alguém tem que me ajudar", "eu sou especial", "sou do povo escolhido". 

Essa ideia falsa e aprisionante de que sua vida depende de uma figura externa a você, mais poderosa, mais magnânima e mais inteligente, que vai te pegar pela mãozinha ou te carregar no colo quando você precisar. Isso, que você chama de deus, de guru, a figura da mãe, do pai, do chefe, do governo, do protetor, do salvador, não existe. É só sua imaginação. 

Claro que não é porque é sua imaginação que é falso. Pelo contrário. A imaginação é um ativo muito poderoso que os humanos possuem e que pode construir e destruir a si mesmo e ao mundo. E é por isso que devemos entendê-la e dominá-la. 

Porque se deixar a imaginação nos dominar, seremos eternamente os ratos correndo na rodinha, esperando chegar a algum lugar indicado por nosso salvador, o príncipe encantado, a mãe, o pai, seu deus, seu guru. Nunca botaremos a cabeça pra fora desta gaiola. 

A imaginação é um domínio humano e quando não a controlamos, são as convenções sociais que a controlam, a cultura popular incute imagens na nossa mente e nos tornamos apenas ratos obedientes. E temos até a ilusão de ter liberdade, pois o pão e o circo (leia como sextou, churrasco, álcool, drogas, pornô e música ruim) é permitido aos ratos no fim de semana. 

Então, se você quer continuar sendo um rato obediente e frustrado, que briga com todo mundo e acha que é porque a culpa é deles de te encherem o saco, continue correndo infinitamente, sextando obedientemente, alimentando seus vícios como um bom seguidor capitalista do consumo feliz. Continue sua vidinha de rato. 

Mas não sei... talvez você queira liberdade de verdade. Dói e é solitário, muitas vezes. Mas depois de algum tempo, a felicidade construída na verdadeira liberdade não morre, não depende de nada externo, é cultivada e mantida dentro de si. E ninguém lhe tira. 

A escolha é sua. 

domingo, 2 de junho de 2024

A liberdade de ser ninguém na fila do pão

 Ainda me lembro de uma figura comum nas tardes de domingo. Chamava-se Faustão e ocupava a grande da TV aberta em um canal bastante popular comum programa popularesco de auditório, Domingão do Faustão. Revelava artistas, tinha grande influência em suas carreiras. Logo, era disputadíssimo e brilhar no palco do programa era deslanchar na carreira. 

Isso em anos 1990, 2000, por aí. Depois, o programa foi caindo em desuso pela classe artística que passou a dispor da internet e das mídias sociais para se promover e se autopromover. 

Eu me lembro do Faustão, especificamente por uma frase que ele dizia: Um dia toda a plateia vai estar no palco e ninguém vai estar na plateia, pois todo mundo quer ser famoso. Ora, será que ele estava prevendo a ascensão dos influenciadores digitais? 

Obviamente ele não era tão digno de nota em sua capacidade cognitiva, então, acho que só o que ele queria dizer é: todo mundo quer ser famoso porque vê na TV esse "glamour" e acha isso bom. Acontece que as mídias sociais vieram para mostrar que a TV não importa mais tanto assim. E famosos aos milhares aparecem todos os dias. Tem muito famoso quem, mas também tem muita gente que não quer aparecer. 

Celebridades de internet ultra-nichadas. Quem nunca se deparou com o cartaz de um evento anunciando que Fulano, Ciclano e Beltrano vão estar lá e se perguntou quem eram? Hoje as celebridades são tão ultra-nichadas que, do nada, aparece um amigo hipster do seu lado, dando gritinhos de alegria porque Zé Fulano está no evento. E você achava que conhecia a bolha do seu amigo hipster, mas, de repente, se vê boiando sobre quem seria Zé Fulano. 

E por que saber quem é Zé Fulano é tão importante assim? - acabo me perguntando, pois justo eu, tenho ojeriza à ideia de celebridade, salvadores, endeusamento e idolatria. Só faz sentido saber quem é esta celebridade se você quer participar da bolha em questão. 

Ah... as bolhas. E o que são bolhas? Esses grupinhos que antigamente chamavam de tribos e só se identificava na adolescência. Mas agora que uma boa parte do mundo se esqueceu de crescer, a ideia adolescente de tribos se transformou em bolhas. Grupinhos que se identificam por um jeito de vestir, de falar, de se comportar, aparência similar, ídolos similares, ideias muito mais do mesmo similar. 

Comportamento de bolha, então, se torna tudo aquilo que essas pessoas fazem para se manter na bolha. E, acredite, são as coisas mais simples, como os canais de YouTube que seguem, e as coisas mais bizarras, como assassinar um cachorro e desenhar uma baleia na pele com estilete. 

Não são pessoas livres, pois estão na bolha e se a estourarem, serão afastadas com indiferença, bloqueio de perfil e até mesmo cancelamento online. O medo de não pertencer é constante e faz essas pessoas agirem como ratos em laboratório, hamsteres correndo em rodinhas até aceitarem que a bolha do Prozac é bem normal e bem-vinda. 

A ideia toda de identidade aprisiona estes seres, pois se forem excluídos da bolha, quem serão? O que farão de seu cabelo, o que vestirão? Que livros vão ler, que séries assistir? Com quem vão conversar sobre o mais novo episódio de Master Cheff, ou comentar sobre a mais nova tendência na cerveja artesanal? 

Quando você olha para os lados e vê apenas pessoas iguais a você, meu conselho é fuja. Fuja rápido e para longe. Sem olhar para trás. Porque sua vida vai ser só triste e monótona. Sua ilusão de pertencer vai te levar ao vazio criado pela identidade falsa. Você será apenas um falsário de si próprio. 

A liberdade não é concedida por ninguém, é tomada à força. 

É uma ideia da qual as mentes vivazes absorvem a essência repudiando rótulos, bolhas, identidades, similares, unanimidades. Toda unanimidade é burra, já dizia alguém muito importante que infelizmente esqueci quem é. 

Só tem liberdade quem tem coragem. Coragem de furar a bolha, de questionar a identidade, de abandonar seus rótulos e deixar de esperar likes e comentários nas mídias sociais para se sentir influenciador. Não vou usar o clichê de "ser quem você é", porque a maioria das pessoas infelizmente não sabe quem é, nem o que quer. Só sabe do que gosta e do que não gosta e isso não define ninguém. 

Gostar e não gostar é a receita para a eterna insatisfação e sofrimento. Se você apenas aceita o que tem para hoje, independente de gosto, se adapta e se move naquilo, buscando o que há de melhor, não no outro, mas em si mesmo com aquela situação, você domina as circunstâncias que causam o sofrimento. E aprende a ser livre. 

Liberdade é ser ninguém na fila do pão e amar isso. 

Quem se importa?

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terça-feira, 28 de maio de 2024

Sobre o gozar e a dificuldade de se adaptar ao envelhecimento

 Sabe qual é o pior tipo de velho? É aquele que quando era novo tirava sarro dos mais velhos. Porque ele cresceu achando a velhice ruim. Cresceu achando que seria eternamente jovem e nunca mudaria. 

Mas, fato da vida é que ninguém neste mundo está ficando mais novo. E o adolescente que hoje tira sarro dos idosos, um dia será idoso também. A menos que morra, aí, pelo menos, vai ser um velho ranzinza a menos no mundo. 

O passar do tempo é de uma inevitabilidade marcante. Mas então por que nos apegamos à uma imagem tão breve quanto é a da juventude? Será que o ser humano é tão ignóbil assim a ponto de tentar parar o tempo? 

Tempo é como água, você pode tentar segurar nas mãos, mas não vai conseguir. Vai fenecer no processo. E quanto mais tentar, quanto mais se esforçar, pior vai ser seu fenecimento. Será um velho do pior tipo. Aquele que range os dentes porque os joelhos rangem. Que acha que é o único a sentir dores articulares e o peso da idade. Que anseia por um implante capilar, um novo tratamento antirrugas, um modo de deixar a próstata enxuta, hormônios para não perder testosterona, para superar a menopausa. 

O decaimento do corpo é sutil, mas nem sempre suave. É um encontrar-se branco onde era preto. Enrugado onde era liso. Frágil onde era forte. O broxável no imbroxável. 

E o gozo que antes era constante, saudável, jorrava e espirrava, agora é raro. E se não for é apenas falso. Pílula azul. 

O pior velho é aquele que queria, mas não goza. 

Porque aprendeu o gozar apenas no predomínio fálico e não transferiu o gozar para a vida inquietante e mágica. Porque em vez de apreciar, conviver, amar e se deslumbrar com o novo, dia após dia, reclamou, odiou o mais velhos e quando envelheceu, odiou por inveja os mais novos. Perdeu a chance de se surpreender com o belo no simples, com a nobreza na atitude serena e compassiva do aceitar que o tempo passa. 

E que o gozar muda de objeto. Se o objeto óbvio do gozo jovem era o sexo. Na velhice, o gozo é atitude, é a sabedoria, a nitidez que a experiência acrescenta sobre a vida. O simples entender que a ansiedade de estar sempre certo e querer resultados rápidos morre muito rápido. 

Na medida em que o gozo muda de objeto, entendemos que o prazer da vida é o simples viver. Encantar-se pela surpresa diária de se ser quem é, sem esperar ser o mesmo. Que estar sempre certo é um grande erro. E que resultados rápidos tiram o prazer da jornada do aprender. 

E que ninguém nem liga para você tanto quanto você gostaria. Você acha que todos te olham e te vigiam. Que comentam sobre você e te acham incrível ou detestável. E mostram comentários do Instagram para provar que sim, as pessoas se importam. Bem, a realidade é que se você excluir seu perfil, ninguém vai vir na sua porta perguntar o motivo. 

Ninguém se importa contigo por um tempo maior que um rápido clique. E se você acha isso cruel é porque nunca foi livre de verdade. Porque liberdade é agir como se ninguém se importasse. Ser o que se é, sem prestar contas, nem criar ou ter expectativas. 

Liberdade é gozar ao infinito, a vida inquietante, mágica e impermanente. 

Frequentadores de academia: personagens ou gente real?

Olha, já gostei muito de frequentar a academia. Aquela de ginástica, não a de cérebros. Mas hoje, depois das lesões nos joelhos, tenho tido repetidas tentativas de retornos e desistências, porque a motivação que eu tinha antes das lesões, miou. E motivação é tudo, te dá energia, alegria, mesmo na contrariedade. 

Hoje, a única coisa que me diverte na academia é observar as pessoas, um hábito que adquiri desde criança e hoje atribuo ao meu autismo. Eu não sabia como me comportar, então observava e copiava. Com o tempo, passei a entender mais de gente, fui para o teatro e comecei a escrever histórias de ficção com centenas de personagens. Me interessei por psicologia. 

E assim, minha observação de pessoas passou a ser mais técnica, mais profunda. A academia é um lugar fascinante de observação e reitera algo que eu tinha observado em retiros de silêncio: todos acham que estão sendo observados pelos outros, mas ninguém olha para ninguém, apenas para si próprio. 

Isso é muito curioso! Fica bem evidente na vestimenta, maquiagem, olhares furtivos, inclusive no espelho. As pessoas querem ser notadas. Mas não se esforçam para enxergar os outros. A menos que seja para criticar. Aí...

Vamos aos personagens
Tem um rapaz na academia que frequento que entre os próximos foi apelidado de GI Joe. Sim, aquele bonequinho militar dos comandos em ação, uma franquia de brinquedos que virou desenho e filme para catapultar as vendas. 

E porque o apelido? Primeiro, porque, de acordo com o que eu soube, ele é um entusiasta das forças armadas. Usa umas roupas camufladas, tem um jeitão marrudo e gosta de conversar sobre forças militares. Mas ele não é militar. Dois militares veteranos que frequentam a academia já conversaram com ele e atestaram que o cara é só um fanático, não tem nenhum histórico em nenhum órgão militar. 

Daqueles militares de boutique. 

O que leva ao segundo motivo: as roupas que ele usa. Bem aí, eu comecei a chamar a figura de GI Joe Barbie, porque ele vai dos camuflados aos microshorts colados na cor branca, de um dia para outro. Usa um mp3 player rosa e um óculos vermelho, mesmo dentro da academia. Aparentemente, calças coladas são muito seu estilo. E coladas daquele jeito que dá até para saber se a pessoa tem uma ou duas bolas. 

Ou seja, a figura é só estilo! Uma mistura de GI Joe e Barbie, duas influências muito distintas para um personagem apenas. Mas seu comportamento também é digno de nota: nos dias mais inspirados, ele puxa cargas altas e depois de soltar, ele berra com o aparelho. 

Ele nunca vai saber, mas ir à academia e observar o figurino do dia do GI Joe é uma motivação muito importante para essa atividade tão chata. Como disse, adoro observar pessoas e ver nelas, personagens, me deixa realmente com mais animação do que as músicas puntz puntz que insistem em tocar nesses lugares. 

Hoje, vi uma senhora que aparenta ter já seus 60 anos, com uma roupa macacão estampada. Muito compenetrada em seu treino, parecia uma hard worker, com seu fone de ouvido e celular rolando vídeo, sem se distrair com ele. Tem outra senhora, de 86 anos, que faz musculação e Karatê. E tem as moças, de vários estilos: as gordinhas que querem emagrecer; aquelas com personal que parecem sementes de atletas; aquelas "bumbum na nuca" que vão bem maquiadas com roupas coladas e curtas; aquelas mais simplonas, tipo camiseta e calça. 

De homens, tem alguns senhores cabeça branca: uns bem fortinhos; outros barrigudos. Tem alguns veteranos fortes também. Mas a maioria é de rapazes em busca de shape. Uns mais discretos, do tipo short e camiseta e outros do tipo selfie no espelho, regata bem cavada. Tem um rapaz, cabelos encaracolados e óculos, camisetas nerd. Vai todos os dias bem cedo. O que prova que nerds não derretem se vão para a academia. 

Estas observações me ajudam um pouco a diminuir o tédio absoluto de continuar frequentando a academia, pois minhas motivações que uma vez eram: vou estrelar uma peça de teatro musical; vou fazer um endurance; vou fazer o Caminho de Santiago; hoje são apenas: vou fazer esta merda para tentar adiar a artrose até os 60 anos. 

Não é uma boa motivação, confesso. Mas não existe teatro musical para cadeirantes. O mundo é cruel com aqueles que não têm saúde. Por isso, se você tem, esforce-se para não perdê-la. Porque uma vez perdida, recuperar é mais difícil, e por vezes, impossível. 

sábado, 25 de maio de 2024

A moda de mendigar na internet

Estava lendo um artigo sobre psicologia humana e ao final, na sessão de comentários, me deparo com o quê? Um comentário mendicante: 


Além do despropósito de o comentário estar em um artigo que falava sobre vingança, ou seja, nem mesmo entrava no assunto assistencialismo ou qualquer coisa parecida, a mensagem em si me chamou atenção pela absoluta dificuldade de a pessoa que escreveu nem mesmo conseguir se expressar propriamente em uma frase razoavelmente construída. 

Fiz apenas uma breve investigação e encontrei o mesmo comentário em outro site, já com um nome diferente: 


Neste, chama a atenção que a pessoa que escreveu, fez questão de errar também o nome, ou seja, será uma estratégia de "fazer-se de pobre miserável"?

Talvez, mas vejo os mendigos de rua com seus cartazinhos feitos em papelão de caixa muito mais bem escritos, com erros ocasionais, ok, mas com frases compreensíveis, tipo: "Fome. Ajude um desempregado pai de 5 filhos". 

Bem, nesta de buscar a mensagem mendicante, vi que a BBC escreveu um artigo sobre a mendicância pela internet. E a frequência com que isso mascara golpes: 
'Estou passando fome, faz um Pix': como pedidos de doação se multiplicaram nas redes sociais

A matéria enfatiza que "A análise de mais de 1,5 mil tuítes de 181 usuários que pediram doações via Pix num período de 15 dias em julho deste ano revelou que ao menos 4% dos perfis e 10% das postagens tinham "alta probabilidade de comportamento automatizado". Ou seja, muito provavelmente, são robôs programados para pedir doações nas redes." 

Lógico que, pela análise, percebemos que a maioria dos pedidos mendicantes pela internet são reais. Só que para ser bem sucedido, um pedido desses deve viralizar e viralizar é algo que não acontece com todo mundo, logo, nem todo mundo que mendiga pela internet consegue bons resultados. 

Já quem mendiga no mundo real, semáforos e afins, até que consegue uma grana, de moedinha em moedinha, paga seu aluguel, compra sua comida, fralda para os filhos, já ouvi vários casos. A moda de mendigar na rua é vender paçoca contando uma historinha triste. Tem até mendicante empreendedor. Ele inova: vende paçoca com um texto diferente. Algo do tipo: não estou pedindo o peixe, estou usando a vara (prá se ver que o empreendedorismo, ou melhor "empreendedorismo" também virou modinha. Sobre isso talvez eu fale em outro post. Ou talvez não. Só se me der vontade.) 

Claro que tem os mendicantes golpistas e já me deparei com alguns. Um texto muito bom, ensaiado, mas a memória curta. Porque quando vem até você e você já viu aquela figura pedindo e dizendo que morava em um lugar e tinha tantos filhos e um problema na perna e dois anos depois, o discurso é o mesmo, mas a doença e os personagens são diferentes, você fica na desconfiança. 

Uma delas comecei a chamar de a eterna grávida: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Oito meses depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Dois anos depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer." Até que vi a pessoa comprando droga na esquina do lugar onde costumava pedir. A barriga tava sempre lá, ela não tinha filhos e mendigava para comprar drogas. 

E pela internet, você só vê o que o mendicante quer mostrar. E pode ser que não seja real, quem vai saber. Joãozinho é meu filho de quatro anos e tem uma doença raríssima que precisa de uma cirurgia urgente que custa 600 mil reais. A foto do Joãozinho é comovente. Três anos depois, a corrente ainda circula: ajudem o Joãozinho, tem quatro anos, uma doença rara, precisa de uma cirurgia urgente. A mesma foto comovente. Aí você se pergunta: Joãozinho está na Terra do Nunca? Nunca cresce?

Olha, não estou dizendo para não ajudar, não doar, não ter compaixão. Estou alertando para quem se comove: pesquise os antecedentes. Vai atrás da informação correta, das fontes reais. Se interessa, vai conhecer. Não cai naquela falácia de doar não importa a quem. Importa sim! Porque você pode escolher ajudar alguém que realmente precisa. Eu sempre recomendo procurar ONGs para doar. Porque elas conseguem ser abrangentes, ter transparência e idoneidade. A ONG certa faz um trabalho que se multiplica por muitas pessoas, enquanto que ajudar uma só pessoa pode ser só assistencialismo. 

Hoje existem plataformas de vaquinha online, onde as pessoas podem criar uma campanha para arrecadar doações. Mas elas também precisam de divulgação e se não viralizarem, não arrecadam grande coisa. E também há fraudes nestas vaquinhas, há pessoas que criam vaquinhas com justificativas estranhas (vide caso Bel Pesce), enfim, há humanos e humanos. 



domingo, 21 de abril de 2024

Quando a felicidade é comprar e o mito do mindfulness

No post anterior, eu falei sobre a paz mundial relacionada à liberação do sexo anal e este assunto é só mais um dos que eu considero essenciais para a construção da paz. Agora, este blog se chama Universo Bizarro, então, você pode levar a sério o que digo, ou fuder para isso e dar umas boas risadas. Qualquer um dos resultados tá valendo. 

Na busca por entender a paz, inevitavelmente passamos pela análise do ser humano, esta figura complexa e completamente descartável para o mundo. Sim, descartável. Se a raça humana se extinguisse de repente, o mundo continuaria numa boa, na verdade, bem melhor. Somos descartáveis, muito mais do que as formigas, as abelhas e com certeza muito mais que os vermes. 

Você pode ler isso com uma sensação niilista depressiva ou com uma sensação de liberdade, a escolha é sua. Como eu odeio os niilistas, fico com a sensação de liberdade. 

Coisa mais boa saber que nada nem ninguém depende de mim! Que estou livre para escolher o caminho que for e que o impacto disso na vida dos outros é insignificante! Ahh... liberdade é isso. 

Mas, tem gente que acha que liberdade é ter dinheiro pra comprar tudo o que quiser. Eu não as recrimino (muito) por isso. Mas vejo como são tapadas. Porque dinheiro é uma prisão. Olha só a sua vida: quando você era criança e não lidava com dinheiro, você era bem mais livre do que é agora, como adulto, não é? 

Não tinha que vender seu tempo, agradar pessoas tolas, cumprir metas estúpidas, vender produtos que ninguém quer, ou cumprir burocracias que ninguém gosta. Isso tudo por dinheiro. 

Aí, se você ganha bem, tem dinheiro, faz aquela viagem legal, gasta tudo em hotel, comidas, roupas caras, carro novo, uma casa luxuosa, serviços de entrega, streaming, atendimento em domicílio, etc...  Mas apenas no seu parco tempo livre. Cadê a liberdade? 

E se você não ganha bem, o que é a realidade da maioria, digo, 95% da população brasileira, você não vai ter nem dinheiro suficiente, nem tempo para liberdade, você é um pobre assalariado em regime semiaberto. Vai pra casa apenas para dormir. 

E aí mora num cubículo empilhado, também chamado de apartamento, no qual não pode nem abrir as janelas, porque o prédio da frente é tão próximo que seu vizinho poderia opinar sobre a cor de suas meias se suas cortinas estivessem abertas. O condomínio é cheio de regras, não pode nem pendurar a roupa no varal. Não tem um jardim, a menos que haja um gramado para os cães cagarem. E tudo o que lhe resta para o lazer no seu parco tempo de folga é comprar. 

Sair pra comprar, ou comprar em casa, tanto faz. Você compra o streaming para maratonar séries por horas a fio (e falavam que a TV de antigamente abitolava o cérebro), compra a comida pronta, entregue na sua porta, compra a rebimboca da parafuseta e o serviço do encanador pelo site de compras online. 

E se sai... bom, você provavelmente não vai a um parque ou a uma praia. Sai para comprar. Porque a sensação de estar fazendo algo útil é maior (já leu Domenico De Masi?). O tempo de ócio, o tempo "inútil", em que você apenas se deita no gramado ou na areia e fica olhando o céu, sem fazer absolutamente nada é errado! É pecado! O que diria seu chefe, sua família, seus amigos? Que você é vagabundo, vive chapado, não leva nada a sério, veio ao mundo a passeio. 

Eles não diriam que você é feliz por contemplar o céu no seu tempo livre. Mas diriam que você é feliz porque comprou um carro novo. 

Porra, tenho tanto ódio de gente assim que mal consigo continuar escrevendo. Mas vou continuar, porque tenho compaixão por você, pobre ser abitolado no mundo das compras, a pretensa felicidade enfiada na sua cabeça por sua bolha social. 

Comprar não traz felicidade. Traz dívidas. Você tem uma liberação momentânea de dopamina e só. Depois você volta a buscar mais itens para comprar, porque a sensação de prazer já passou, é muito fraca, é muito pouca. E você se vicia em compras, em streaming, em comida rápida, em consumo veloz. 

Sabe, é por isso que a geração de hoje acumula menos dinheiro que as anteriores. Gastamos mais com prazer do que com bens. Não digo que isso é ruim, pois considero ambos os gastos, bens e prazer, uma ilusão. Ilusão de felicidade, de poder, de prazer. Gente, sério, se vocês fizessem sexo com pessoas significativas, aquelas que amam vocês de verdade, não teriam tanta fome de prazer falso. Se vocês tivessem um senso de espiritualidade, aquele êxtase espiritual, ou religioso que se experimenta na completude não material, vocês teriam felicidade a longo prazo. 

Hoje falam muito sobre viver o agora, o poder da presença, mindfulness, mente presente, mas entendem tudo errado. Porque mindfulness virou um negócio, um produto chulo, vendido por falsos gurus, profetas do agora, da felicidade instantânea. E outra vez, você compra a felicidade. 

Mindfulness é uma versão nutella bem barata de zen, de Budismo, saibam disso. Mas na sociedade cristã puritana, Budismo deve ser pecado, porque acham que Buda é uma espécie de Deus que rivaliza com o tal barbudo monogâmico patriarcal, então, cortaram a raiz e a filosofia do que chamam de mindfulness e resolveram ensinar o poder do agora, a mente presente sem filosofia. 

Só senta e curte a vista. Como um retardado qualquer.

Pronto, você comprou a felicidade mindfulness e pode se considerar feliz, porque funciona por um tempo. Mas como tudo que é vazio por ter sido arrancado de suas raízes, funciona por pouco tempo. A mente humana, essa danadinha, é inquieta e começa a se questionar: ok, é só isso? E logo, você estará querendo mais e mais. Vai pagar retiros caros de Yoga com mindfulness, fazer viagens à Índia onde conhecerá ashrams mágicos de cura ayurveda e vai voltar vestindo roupas baratas e coloridas cheirando a incenso. 

Outra vez, você comprou a felicidade. Mas é um produto, a dopamina da aquisição dura pouco. 

Percebeu que é um ciclo sem fim? 

Você não pode comprar a felicidade! Porque a verdadeira felicidade te liberta. Você se sente livre, não preso a um monte de dívidas e a necessidade de estar sempre em um lugar assim ou assado, com pessoas zés ou marias. Você é feliz por si, zerou suas carências afetivas, zerou sua fome de tudo, suas expectativas e nem por isso está doente, em depressão. Não espera nada, não quer ter nada, mas é feliz.

Sim, isso existe. Mas não vou entregar o caminho, porque não existe um caminho. Existem vários e cada um deve seguir o seu, na medida em que caminha. Ter a mente aberta e a percepção de liberdade, o objetivo de se libertar, sempre à frente. Não mais aceitar as coisas, as opiniões sem questionar, mas nem por isso se tornar um chato, reclamando de tudo e de todos. Não é se bastar, nada disso. É perceber que você é só uma migalha no universo e ao lado de todas as outras migalhas, forma um pãozinho. Sem a pretensão de ser alguém importante, você descarta o seu ego, construído por valores sociais feitos para deitar as pessoas em cabrestos. 

Os valores sociais só existem para te tornar infeliz e escravo da busca por sanar suas carências que jamais serão sanadas. 

Cabe a cada um questionar o que te aprisiona e romper suas próprias algemas. Não adianta buscar no outro um salvador, nem deuses te salvarão. No máximo, eles te ajudarão a refletir. Mas se você não provocar sua mudança, ninguém fará. 

Ser feliz é perceber que somos menos importantes que insetos neste mundo e não se chatear com isso. 


sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Como seria bom se o Google tivesse todas as respostas do mundo...

O Google, de vez em quando, surpreende, quando você digita uma pergunta e aparece alguma resposta, mesmo que não seja exatamente o que você procura.

Mas tem perguntas que realmente nem o Google sabe... Fiz uma pequena lista, baseada em coisas que ouvi e que vivi nessa eterna busca por respostas. Contemple, agora, a vacuidade de sua busca:

- Quem eu fui em uma vida passada? 
Você vai encontrar respostas, mas são todas genéricas e sem sentido. A resposta mesmo, você não consegue.

- Quantas cervejas devo tomar para me tornar alcoólatra?
Há respostas que te ajudam a identificar se você é alcoólatra, mas o Google não vai te responder isso.

- Por que minha vida está uma merda? 
Bem... se nem você sabe, o que dirá o Google...

- O que acontece com a humanidade se o eixo da Terra mudar drasticamente? 
Há várias respostas sobre a obliquidade da eclíptica, mas nenhuma prevê o que será da humanidade. Somente a ficção prevê. Pra caramba!

domingo, 11 de novembro de 2018

Como somos caretas: doutrinação, censura e liberdade

As novas gerações são muito caretas. Muito mais do que a geração de nosso pais e de nossos avós, que passaram pelo Movimento Hippie, anos 1960-1970. Sim, mesmo com maior aceitação de LGBTs e afins, somos muito, mas muito mais caretas e medrosos hoje.

E por que temos medo? Porque existem mídias sociais online, prontas para compartilhar aquele seu momento mico com todas as pessoas do mundo. E para sempre! Um mico seu, pode destruir sua carreira, seu status social, sua timeline e sua vida. Por isso, as pessoas se tornaram medrosas, politicamente corretas, no modo hipócrita de ser, escondendo quem são, para sair bem na foto. Porque tudo o que você postar pode e será usado contra você em algum momento.

Mas elas nunca conseguem esconder quem são por muito tempo. E agora, vemos muita gente que se escondia por detrás de uma fachada de "pessoa de bem", mostrar o que realmente é. 

Neste exato momento, isso acontece por conta da polarização política em que vivemos. E não, essa polarização não é esquerda-direita, pois a maioria dos brasileiros é burra demais para entender o básico sobre o que significa ser direita ou esquerda. Pra se ter ideia, tem gente que ainda teme a "ameaça comunista". Não vou nem explicar o motivo disso ser tão século passado. Quem não souber e tiver interesse, vai estudar história!

A polarização política que vivemos agora é Ignorância X Liberdade de Pensamento.

Por um lado, o Polo da Ignorância (PI, para abreviar) nos mostra, por meio de fake news, como as pessoas são frágeis em suas ideias, alguns chegam a ser ignorantes com educação, analfabetos políticos na política. Seguem a emoção, nunca a razão, por isso, tomam decisões prejudiciais. Pensam apenas no imediato, não têm visão de futuro. Dão opinião sobre tudo, mas não entendem conceitos básicos e fundamentais. Não leem, não conhecem história, não sabem a diferença entre informação e opinião, não se dão ao trabalho de compreender a raiz, o rastro de seu pensamento.

Não sabem e não querem rastrear suas ideias, pois o que querem é apenas ter uma opinião. Vai ser, obviamente uma opinião preconceituosa, pois não há conceito nela, será sempre um pré-conceito de tudo. Por isso, são pessoas que gostam de rotular as outras, já que não conseguem entender o que há por trás dos rótulos.

No outro polo, o da Liberdade de Pensamento, que vamos chamar de PLP. Pessoas que discordam do que as massas dizem. Porque as massas são sempre manada e o efeito manada é sempre ignorante. Esse polo não pode ser definido por rótulos, ele abriga pessoas muito diferentes e que mudam de opinião quando encontram argumentos que as fazem refletir. Eles rasgam os rótulos para entender o que existe em cada um deles. Não se fixam a ideias preconcebidas, porque reconhecem a raiz de uma ideia, no momento em que ela aparece.

Por exemplo: quando alguém diz que é contra a doutrinação nas escolas e que os alunos devem filmar e expor os professores que eles consideram "doutrinários", o PLP grita: CENSURA! O PI não vai entender, porque não entende que o que está fazendo, ao expor professores é censura, acha que está apenas "combatendo a doutrinação". Só que, vamos parar para pensar: Se a pessoa está ouvindo um professor "doutrinar" e discorda dele, isso é mesmo doutrinação?

Vou facilitar e dar a resposta: NÃO! Doutrinação é quando alguém incute na mente de outra pessoa, por meios verbais e não-verbais, uma doutrina específica, por exemplo a da censura. O doutrinado, neste caso, não vai reconhecer que está sendo doutrinado, pois está sendo manipulado pelo medo. Então, quem está doutrinando quem?

Os professores, dos quais podemos discordar livremente, ou a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL), que está transgredindo leis e sendo seguida por uma manada de pessoas que ignoram o que é doutrinação? Não sei onde e como ela estudou, mas parece ter fugido da biblioteca, pois ela própria seria denunciada por doutrinação, pelo que ela faz em sala de aula.

Sabe o que é bom do PLP? Ele permite que você pense e reflita livremente, discordando abertamente da doutrinação, se assim desejar. Mas se opor à doutrinação, não é impor as suas ideias pelo grito. É abraçar a liberdade. E apenas temos liberdade, quando há respeito.

E respeito basicamente é: cuidar da própria vida e não meter o bedelho na vida alheia. Você pode até defender a censura, mas defenda-a para si mesmo. Você tem a liberdade de se censurar, mas não tente usar a sua régua para outras pessoas que não querem censura.

Com liberdade, você pode ser o que quiser. Mas seja você mesmo e viva o que você acredita.

Se você é contra a corrupção, ótimo! Comece não sendo corrupto. Se você quer violência, viva a sua violência, mas não agrida os outros. Você quer uma arma, use a sua arma para si mesmo, mas não aponte para quem não quer. Você é contra os direitos humanos? Então exerça sua liberdade de viver como um animal, explorado e manipulado, mas não se meta na vida dos humanos que querem seus direitos básicos garantidos.  

Quer ser contra a doutrinação? Então não doutrine.

Isso é liberdade, é exercer o pensamento livre, ao invés da ignorância.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Cuidado ao sonhar - parte 1 - sonhar com pinto

Certa noite, há algum tempo atrás, sonhei com um pinto. Era um grande e enorme pinto. Pinto, do tipo pênis, não tipo pintinho amarelinho. 

Quem nunca? 
Bem, se você nunca sonhou com um pinto, sinto muito. É um sonho bem comum. No caso, o pinto em questão estava duro e era enorme. Digo, muito, muito grande. Mas também teve uma vez que sonhei com um pinto mole, brocha, horroroso.

Sim, que post mais pornô, você me diz, mas não é bem assim. Por acaso, tenho um amigo psicólogo que, à la Freud, explicou o motivo pelo qual sonhar com pintos é bem comum.

Seguinte: o falo (pinto, pênis, pica), é um símbolo de poder na sociedade humana. Vem da antiguidade, por isso, vemos objetos fálicos sendo erigidos em toda a parte, como símbolo de poder, como a Torre Eiffel, o obelisco da Liberdade, entre outros vários obeliscos, torres e tudo que lembra um falo ereto.

Inclusive, o leitor mais antigo já viu neste blog, que há um festival no Japão em honra ao falo.

Ok, a pessoa sonha com um pinto, enorme e em posição de combate e não significa sexo? É isso mesmo! Significa que a pessoa que sonhou está em busca de poder, num caminho de empoderamento pessoal. Por isso, se sonharem com um pinto, fiquem felizes! Vocês estão no caminho certo para conquistar seus sonhos!

Mas e se eu sonhar com um pinto brocha? Aí, o significado é bem o contrário, de que você está se sentindo sem poder, sem forças para alcançar o que almeja. O bom de saber disso é que você pode correr atrás e alcançar o tão almejado pinto duro, melhor dizendo, o falo simbólico do poder, em seus sonhos e, consequentemente, na sua vida.

Então, bons sonhos, e bons pintos para vocês! ;)



domingo, 27 de abril de 2014

O prazer de criticar ou a Síndrome do Opinador Ignorante

Você com certeza já conheceu alguém assim: critica tudo por nada, posta comentários infames falando mal de quem nem conhece ou de coisas das quais não sabe nada, rotula as pessoas por que "viu que ela curtiu notícias sobre isso ou aquilo", ama odiar (haters love hate), não leu, mas tem uma opinião formada sobre tudo.

Ah, sim, os haters! Aos montes nas mídias sociais, desferindo ameaças e infâmias ignorantes, espalhando ódio pelo mundo. Pois agora, temos um diagnóstico bizarro para essas pessoas haters, que se chama: SOI, Síndrome do Opinador Ignorante.

Mesmo que pareçam irrecuperáveis, devemos acreditar na cura, pois tudo passa, tudo muda e um dia essas pessoas também passarão. Mas, para isso, elas precisam de um choque de realidade, a fim de entenderem que o que fazem é nocivo. Se você for um revolucionário que quer salvar o mundo, como eu, vou compartilhar com você meu segredo, aquilo que faço com essas pessoas, mas só ali, no cara a cara, nunca, e eu repito NUNCA pelas redes sociais.

Mas, tome cuidado, pois como os doentes alcoólicos, drogados e viciados, o portador da SOI não admite que está doente. E por isso os sintomas devem ser esclarecidos de uma forma que o portador entenda. Agora, para lá na frente dele e joga na cara:

1. Você não passa de um bundão. As pessoas sempre criticam nos outros os próprios defeitos e os maiores medos. Provavelmente você nunca ouviu falar nisso porque é burro demais. Isso quer dizer que se você aponta tal atriz de cinema e diz "Que horror, como ela tá velha e acabada!", é porque você morre de medo de envelhecer e provavelmente vai ser uma velha (ou velho) chata que não soube envelhecer. Como aqueles velhos chatos que vivem dizendo que no seu tempo as coisas eram melhores ou aquelas pessoas que tem pavor de dizer a idade e não saem de clínicas de estética e cirurgia plástica. Neste mesmo sentido, homofóbicos são gays em potencial detestando a si mesmos.

2. Seus defeitos são ainda piores do que os que você aponta. Isso é compreensível do ponto de vista de que quem passa muito tempo olhando pela janela, não sabe o que tem dentro de casa. Ou seja, de tanto criticar os outros, você esquece de olhar para si mesmo e não tem um pingo de auto-crítica. Não me admira que você seja um completo babaca.

3. Sua vida é uma droga. Provavelmente é por isso que você não olha prá si mesmo. Se olhar para dentro não vai gostar do que vai ver. Você é inseguro e por isso tenta diminuir os outros para parecer melhor. Você é tão pequeno, mesquinho e patético que as pessoas inteligentes que existem ao seu redor provavelmente já sabem que você não passa de um merda. Faça o teste. Fale uma das suas críticas imbecis e, se você tiver inteligência suficiente para discernir, observe o olhar de indulgência ou tédio do seu ouvinte. Ele logo vai dar uma desculpa e se afastar. Isso é o que pessoas inteligentes fazem perto de imbecis ignorantes.

4. Você é um completo ignorante. Sim, suas críticas são baseadas no achismo e no preconceito, duas coisas inúteis para uma boa opinião. Você não tem nem mesmo a capacidade de dar uma pesquisadinha no google e provavelmente já compartilhou postagens de notícias fake e posicionamentos políticos e sociais radicais sem nem mesmo entender de onde eles vêm. Você é tão burro que não distingue o mundo real do virtual e acredita em todas as críticas e coisas bizarras que vê, sem nem perceber que muitas delas são feitas para zoar com gente como você.

5. Sua ignorância pode destruir vidas. Pessoas com SOI já condenaram e destruíram a vida de boas pessoas. Como no Caso Escola Base e muitos outros que aparecem todos os dias de pessoas que são expostas em mídias sociais, ridicularizadas, julgadas e condenadas sendo que são elas as vítimas do crime. Acontece o tempo todo, principalmente com mulheres que tem fotos íntimas expostas na internet, muitas não conseguem retomar suas vidas e ficam traumatizadas para sempre.

6. Suas críticas não servem para nada. A menos que seu objetivo seja encher uma privada, tudo o que sai da sua boca é mais inútil que merda. Qualquer pessoa inteligente percebe quando um ignorante está dando sua opinião de bosta. Basta começar com uma pergunta simples: Como você sabe disso? A maior parte dos opinadores ignorantes vai responder que "todo mundo sabe", ou "vi por aí". O melhor seria que você parasse de dizer tanta besteira, mas para isso precisaria de autocrítica e pessoas imbecis como você não são capazes disso.

Ufa... isso foi uma catarse, não é mesmo?


Haters amam odiar e dar opinião sobre tudo. E você com isso?


Se depois de falar tudo isso na cara do portador de SOI, ele te odiou, gritou, xingou e saiu da sala dramaticamente, isso é normal. Dê um tempo a ele, pois sua autocrítica talvez não tenha sido totalmente destruída pela SOI. Talvez ele volte, talvez te odeie para sempre, mas se você perceber que os sintomas estão mudando: a pessoa está calada e triste por um tempo, isso é um bom sinal! Pois o silêncio ajuda na recuperação e a tristeza é natural já que o portador de SOI costuma ser muito odiado e vai perceber isso.

Essa síndrome virou uma epidemia global desde o advento das mídias sociais, pois as pessoas começaram com um simples "vou xingar muito no Twitter". Depois passaram a escalas maiores, criando páginas no Facebook e espalhando fake news, sem nem parar para pensar, e distribuindo comentários ignorantes em todos os lugares.

Depois, passaram a seguir Instagram de odiadores profissionais e canais babacas no YouTube, convencidos pelas ações de haters, como aquele do cabelo pintado que costuma dizer que todos têm inveja dele, porque é famoso e tem milhões de seguidores.

O perigo é que a doença dessas pessoas evolua para a Síndrome do Vou Dominar o Mundo e a Síndrome do Você Sabe Quem Eu Sou. Aí, a pessoa desenvolve ambições para passar de um seguidor babaca para um influenciador e, logo, cria uma legião de haters, contaminando-os com SOI. Ou seja, a doença é super contagiosa.

Que medo da epidemia hater! Tem cura?


Mas não se desespere, você jovem leitor que quer transformar o mundo em um lugar melhor para se viver! Epidemia de SOI é mais curável que epidemia zumbi! O importante é que os sintomas dos quadros de SOI são reversíveis. A cura é lenta e, por vezes, fundamentada em terapia psicoterapêutica e mesmo remédios psicotrópicos, mas sempre, SEMPRE, com muito amor. É isso, queridos blogonautas, amor cura tudo. Pessoas com SOI são carentes e por não darem amor, não recebem e preenchem seu coraçãozinho desmilinguido com ódio, para não ficarem no vazio sentimental.

Agora, você pensou naquele babaca do YouTube que diz que todos têm inveja dele e ficou com pena, não é? Pois é, sinta somente pena, pois se sentir raiva dele, só vai lhe dar mais força. Um dia ele passa, como tudo passa nessa vida, inclusive a uva passa.

Os conselhos que você pode dar para essas pessoas com SOI? 

- Siga adiante, deixe de se preocupar demais com a vida alheia.
- Descubra seu verdadeiro ser odiado e faça exercícios diários para transformá-lo em um ser amado. Busque auxílio profissional, para te ajudar.
- Delete seu passado da página no Facebook. Sim! Delete tudo, desapegue!
- Se desinscreva dos canais babacas no YouTube e Instagram, eles não lhe farão falta e, depois que você deixa de segui-los, percebe que os tais influenciadores, com milhões de seguidores, se transformam em um nada, pois o que eles precisam desesperadamente é da sua atenção. E eles não a terão.
- E, por fim, agradecer mais 24 horas sem uma opinião ignorante.

 Lovers love love!

Boa sorte! 

Publicado originalmente em 27 de abr de 2014, atualizado em maio de 2018. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Sem bigodinho, Hitler não vive na terra de Fidel

Foi o que determinou Nanda Costa, 26, ao comentar a polêmica que internautas fizeram em torno de sua determinação em não ceder à moda da depilação extrema, a qual é chamada no exterior de "brasileira" e aqui recebe o desafortunado apelido de "bigodinho de Hitler".

"Jamais faria 'bigodinho' de Hitler na terra de Fidel. Sem mais", foi o que disse a atriz ao postar uma foto de Che Guevara com Fidel Castro. O ensaio de fotos feito para a revista Playboy de agosto tem tema cubano. Nanda Costa posou com vastidão capilar pubiana, o que incomodou internautas mulheres e homens.

Os comentários flutuam entre alegações de que a moça seria lésbica (talvez elas sejam as únicas anti-nazis), de que não é higiênico (talvez Hitler fosse obsessivo compulsivo por limpeza), de que tira o tesão (talvez Hitler fosse gay).

É claro que esse blablabla só apareceu aqui porque queremos emitir nossa opinião. Achamos justo que se deixe Hitler e seu bigode em paz. Afinal, as pessoas podem ter tesão em qualquer coisa, não é? O problema é que não se trata de tesão. Trata-se de uma censura que povoa o inconsciente coletivo. Muita gente simplesmente não gosta de pelos porque é influenciada pelo inconsciente coletivo mas, nunca parou para pensar o motivo.

E o motivo é apenas moda, um componente que se tornou vital para a manutenção de altos índices de consumo, um dos motores do capitalismo. Há poucas décadas, era perfeitamente aceitável e saudável a forma natural dos pelos no corpo. Hoje, a pressão existe e você as ouve em toda parte, na maioria das vezes vinda de pessoas estúpidas, as mesmas que fazem comentários sobre a falta do bigode alheio.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Por que ninguém gosta de mim?

Se você googlou essa pergunta e chegou nesse blog, vamos ter uma conversinha. Não, este não é um blog de auto-ajuda, o título já entrega. Este é um blog nascido num universo onde enxergamos tudo através de uma visão bizarra. O princípio filosófico disso é: "Rir de si mesmo e das desgraças dessa vida é melhor que não ter nariz".

Ok, ninguém gosta de mim, não tenho amigos, minha mãe é um pé no saco, meu pai é distante, a pessoa que eu amo não me quer, meus colegas da escola me zoam o tempo todo, porque eu existo?

Se você pegar pelo ângulo budista de explicação da existência, você existe para sofrer e é isso que vai te levar a ter boas experiências para crescer e evoluir espiritualmente.

Foda-se o espírito, porque todo mundo ao meu redor é mais feliz que eu, esse budismo não tá com nada!

Provavelmente você já ouviu falar que a grama do vizinho é sempre mais verde, e existem pesquisas que comprovam que quem acessa muito as redes sociais tem grande tendência de achar que sua vida é mais infeliz que a dos outros. Isso tem um fundamento: Só compartilhamos nossos melhores momentos com o público. Poucas pessoas usam o facebook prá dizer que estão tristes e a maioria acha isso chato.

Se todo mundo põe apenas suas fotinhos de sorrisos, praia, casaisinhos fazendo coraçõezinhos com as mãos, festas, passeios, viagens, gatinhos fofos e bebezinhos dentro de potes de flor, não é porque a vida deles é mais feliz, é porque eles gostam de manter a aparência de que suas vidas são maravilhosas e perfeitas quando, no fundo, são vazias e tão carentes de sentido que precisam afirmar sua felicidade numa rede social para que ela tenha algum sentido.

“Feliz é quem conhece o lado ruim e o respeita. Feliz é quem já foi infeliz. Somente quem já foi infeliz pode entender que a tristeza traz um punhado muito bom de aprendizados. Felicidade não é sobre quem grita mais alto; é sobre quem sorri mais fundo.” (Clarissa Corrêa)

Então se você quer mesmo saber porque ninguém gosta de você, pergunte a si mesmo porque você não gosta de ninguém. A maior parte dos nossos problemas está SEMPRE dentro de nós e quando aceitamos e entendemos isso é mais fácil de resolver tudo, porque aí então, só depende de nós. Se o mundo te traz problemas, desafie-o com soluções!

“Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você.” (Richard Bach)

E aí voltamos para os budistas que não são apenas carecas de vestido laranja, mas dizem coisas bem interessantes. Certa vez, Dalai Lama disse: "é engraçado como depositamos tanta confiança e tanto sentimento nas pessoas. E por esperar demais, sonhar demais, criar expectativas demais, sempre acabamos nos decepcionando e nos machucando cada vez mais.”

Muitas vezes esperamos demais das pessoas e esquecemos que uma amizade se mantém por trocas. Você deve estar disponível e assim vai provocar a disponibilidade nas pessoas que gostam da sua companhia. mas, se você não gosta de estar com as pessoas e não cria oportunidades de convívio, não adianta ficar se lamuriando por não ter amigos.

"Nunca fui feliz enquanto esperei que as pessoas gostassem de mim. Aprendi a ser feliz quando busquei autoconhecimento, isso me ajudou a entender porque eu sou o que sou e passei a me aceitar e me amar pelo que sou ao invés de tentar ser o que os outros queriam que eu fosse". (William Yattes)

Depois que você aprende a se amar e se aceitar pelo que é, você naturalmente passa a amar e aceitar as pessoas ao seu redor e se torna disponível para elas. E então você vai atrair pessoas que gostam de você realmente. 

“Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro.” (Fernanda Mello)