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sábado, 3 de agosto de 2024

Ansiedade e os olhos dos outros

 Faz um tempo, descobri que tenho uma condição neurotípica, Espectro Autista, para quem está familiarizado. Grau 1, o mais leve. Significa que consigo disfarçar razoavelmente bem, a ponto de dificultar o diagnóstico por muitos anos. 

Imagem de Alexander Antropov por Pixabay


Depois de descobri isso, comecei a perceber que a ansiedade que sinto ao conviver com humanos não é normal. E que minhas "birras" na infância que ocorriam quando eu não queria socializar não eram birras, era ansiedade. Que os tiques de corpo que tenho desde a infância e muitas vezes me constrangem, até hoje, tem um nome. E que sentir agonia com roupas apertadas, que envolvem o pescoço, ou que tem texturas específicas, não é motivo de autocensura. 

Enfim, várias outras características depois, descobri-me não tão estranha quanto muitos apontavam, mas uma pessoa absolutamente normal, com um diagnóstico que não exatamente significa a cura, mas uma adaptação mais eficaz. Não assumo para ninguém que sou Autista, pois as pessoas hoje acham que um diagnóstico é uma identidade e eu acho isso ridículo. 

Mas descobrir-me Autista me deixou mais confortável com minhas esquisitices e me deixou mais alerta para minha ansiedade. Por que me deixou mais alerta? Porque eu aprendi a disfarçar muito bem ao longo do tempo. As pessoas olham para mim e me veem como um poço de tranquilidade. Aprendi a modular a voz, treinei para falar como os melhores locutores e narradores. Desde criança, eu imitava a fala deles, fiz aulas de canto, fono e teatro, e assim, fui aprendendo a modular a voz de forma que ninguém que me ouça discursar sequer cogite que sou autista. 

Tenho boas expressões faciais e aprendi a sorrir largo, espremendo os olhos, pois assim é considerado o sorriso sincero. Foram muitas sessões de autocrítica para chegar neste nível de masking. 

Fiz balé para moderar os movimentos bruscos e caminhar de forma mais elegante e equilibrada. Fiz muitas aulas de tudo o que você consiga imaginar, para aprender a ser mais normal, como um humano normal. Minha maior dificuldade sempre foram os relacionamentos. É muito cansativo ter amigos, comparecer aos eventos que formam a amizade, cultivar o grupo. Tudo isso exige muita energia. Mas eu queria me relacionar, sempre careci de bons amigos. 

E sempre quis me desafiar. Sempre busquei fazer algo diferente. Eu tenho muitas zonas de conforto, mas me acostumei tanto a andar no desconfortável, que não me importava de me desafiar um pouco mais. 

Nunca tive a compreensão de um diagnóstico precoce. Desde criança, eu tive de me adaptar para não ficar de castigo, para não chatear as pessoas, para não ficar de lado dos grupos de brincadeiras, para não "ficar atrás" da irmã normal que socializava bem com todo mundo, para não parecer a pessoa esquisita do grupo. Para fingir que estava tudo bem e tirar o foco de mim, porque tudo o que eu queria era que me deixassem em paz, que respeitassem o meu espaço. 

Mas, você se acostuma a ter seu espaço desrespeitado. Você se acostuma a se fechar na sua mente, o único lugar que ninguém pode invadir. Pelo menos não quando você escolhe se fechar. E eu aprendi a me fechar para me proteger. Aprendi a transparecer calma e tranquilidade, quando eu só queria explodir. Quando eu só queria sair dali correndo e me isolar de tudo. 

Aprendi a mascarar tão bem que quase acreditei que era uma pessoa tranquila e relaxada. Em alguns momentos da minha vida, eu realmente me senti assim. Poucos, mas bons momentos. Mas então, a natureza inquieta da mente autista retornava, os tiques ressurgiam mais fortes, como se gritassem atenção, depois de um período de negligência. 

E tudo voltava. Ansiedade no topo, tiques no topo, estereotipias e dificuldades em manter os relacionamentos. 

Neste momento estou em um topo particularmente difícil. Sinto vontade de fugir e me esconder, mas a pressão do que devo concluir não me deixa em paz. Quero concluir, mas já não tenho mais força, nem energia. 

A mera noção dos olhos dos outros me faz perder o ritmo da respiração, faltar ar. A pressão embutida na mente desde a infância de que devo parecer normal, se tornou exaustiva. 

A pressão dos olhos dos outros se tornou um peso tão grande! E desde sempre me esforcei para fugir dos olhos dos outros. Mesmo assim, eles me perseguem. Enquanto eu quiser viver em meio aos humanos normais. Enquanto eu quiser me camuflar e participar. Enquanto eu quiser ter relacionamento e não me sentir só, devo me adaptar aos olhos dos outros. 

Mas por que algo que seria bom, como um relacionamento, se torna tão exaustivo para um autista? Por que não posso ter as duas coisas? A solidão compreensiva de mim comigo e um relacionamento companheiro e feliz? 

Estas são perguntas que aparecem nos momentos de crise, em que a ansiedade dói, literalmente, no corpo. Tem resposta? Não sei. Por enquanto, sei apenas que estou caminhando lentamente para o buraco. E posso apenas fazer duas coisas: cair de uma vez ou buscar ajuda externa para me afastar do buraco. 

No ritmo em que estou, a queda é inevitável, mas talvez demore ainda um tanto e vai prolongar esse sofrimento. Então, me resta a ajuda externa. 

Nunca confiei em médicos. Vou até eles. Mas nunca confio neles. São limitados e carentes de autoridade. Psiquiatras, neurologistas, endócrinos, etc... Os mais carentes são os dermatologistas. Patéticos. 

E terapeutas? Os piores! Psicólogos, todos os que conheci, completamente desequilibrados. Nada confiáveis, lentos em entender, torpes em sua lentidão, com julgamentos prontos, presos a seus preconceitos freudianos, jungianos, gestaltianos, etc...


Mesmo assim, às vezes, os procuro, mesmo sem confiar. Vou até eles com uma lista. Recito a lista, direciono seus achismos, pois descobri que assim os odeio menos. Já chego dizendo que tenho uma lista. E assim, tomo seus remédios, úteis apenas para os sintomas, nunca para a causa. 

A causa, meus queridos, está lá dentro, ninguém nunca saberá, a não ser você mesmo. Desde cedo, percebi que ninguém podia me ajudar, a não ser eu. Que o conhecimento era muito útil e continuar aprendendo me tornaria menos infeliz. Mas que há certas coisas que não adianta o quanto se tente, não estamos no ponto para aprender. 

Que ajuda externa é bom, mas apenas em momentos pontuais. Depender demais disso é burrice, dependência, vício, carência afetiva mal resolvida. 

Que depender dos outros é a pior coisa que você pode fazer por si mesmo. Mas você não é a pessoa mais inteligente do universo, então, se liga que o buraco está sempre a um passo seu para seu próprio umbigo. 

Que por mais que eu sofra, não vou desistir de continuar me adaptando. Pois não quero ser um arbusto, uma moita de bambu no meio da tempestade. Quero me levantar e sair andando quando eu quiser, para onde bem entender. 

Autismo não é identidade, é uma condição limitante. O que faço é entender esses limites e ir tateando até expandi-los, às vezes com carinho, às vezes na porrada mesmo. Porque toda condição existe para ensinar, não para se acomodar nela. 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

A ilusão de que trabalho enriquece

Estava analisando uma entrevista em que, dado momento, o entrevistado, um senhor distinto, militar, conservador, com linguajar simples, porém com arroubos de sofisticação, se refere a um assassino que matou crianças em uma creche como "aquele marginal". 

Então, passado o trabalho de análise, "aquele marginal" não saiu da minha cabeça. O sujeito, branco, militar, cargo importante, influente politicamente e em suas bolhas sociais já tinha se referido anteriormente à questão indígena com um discreto desprezo. E "aquele marginal" confirmou que seu verniz de pessoa importante era só a fachada do que representa uma boa parcela do povo, brasileiro ou não: 

garanto meus privilégios e os da minha bolha social, o resto é "aquele marginal". 

Indígena não compra imóveis, só pede suas terras de volta, então são "aquele marginal". Favelados, descendentes de escravizados não compram imóveis, então são "aquele marginal". 

Mas o mais interessante é que "aquele marginal", o assassino de crianças na creche era branco, vindo de uma família estruturada, pessoa "de bem". 

Talvez nazista, talvez psicótico, com acesso pela internet a bolhas bem específicas de muito ódio. Talvez o assassino quisesse cobrar a vida de crianças porque ele próprio não tinha mais o direito a uma creche com hora do soninho, em vez do trabalho assalariado que, segundo prometeram, traria a riqueza e o poder. 

Enfim, "aquele marginal" é qualquer pessoa "de bem" que, metida em uma bolha, alucina que o mundo está contra ele. Pode ser você, pode ser eu, pode ser qualquer fulano neste mundo. 

Tem um estudo baseado no Experimento de Aprisionamento de Stanford, que mostra que não é preciso muito estímulo ou muita realidade para uma pessoa "de bem" virar um maníaco assassino. Basta se perder em sua bolha. 

E como seres humanos, sempre fomos bolhosos, não é prerrogativa da sociedade atual. Então, talvez devêssemos ser menos humanos. Transitar entre bolhas, estourar bolhas, perceber como elas se movem. Mas, não se faça superior por isso, porque você vai perder sua humanidade: deixará de pertencer, de ser bairrista, de usar a mesma linguagem e mesmos argumentos dos outros. Vai ser o diferentão. 

Mas perdendo sua humanidade, você ganha toda a natureza que está fora da bolha. É mais ampla, é mais sábia, é mais livre. Poucos aguentam, se você não tem coragem, nem tente. 

Ah, mas é solitário... Sim, talvez seja. Mas, você às vezes esbarra em outras pessoas que não são mais cabeça de bolha e aí, começa a perceber que não é o diferentão, a bolachinha dourada do pacote especial do universo. Você é é mais um na multidão. E isso é o que te dá a liberdade de ser o que quiser ser. 



domingo, 21 de abril de 2024

Quando a felicidade é comprar e o mito do mindfulness

No post anterior, eu falei sobre a paz mundial relacionada à liberação do sexo anal e este assunto é só mais um dos que eu considero essenciais para a construção da paz. Agora, este blog se chama Universo Bizarro, então, você pode levar a sério o que digo, ou fuder para isso e dar umas boas risadas. Qualquer um dos resultados tá valendo. 

Na busca por entender a paz, inevitavelmente passamos pela análise do ser humano, esta figura complexa e completamente descartável para o mundo. Sim, descartável. Se a raça humana se extinguisse de repente, o mundo continuaria numa boa, na verdade, bem melhor. Somos descartáveis, muito mais do que as formigas, as abelhas e com certeza muito mais que os vermes. 

Você pode ler isso com uma sensação niilista depressiva ou com uma sensação de liberdade, a escolha é sua. Como eu odeio os niilistas, fico com a sensação de liberdade. 

Coisa mais boa saber que nada nem ninguém depende de mim! Que estou livre para escolher o caminho que for e que o impacto disso na vida dos outros é insignificante! Ahh... liberdade é isso. 

Mas, tem gente que acha que liberdade é ter dinheiro pra comprar tudo o que quiser. Eu não as recrimino (muito) por isso. Mas vejo como são tapadas. Porque dinheiro é uma prisão. Olha só a sua vida: quando você era criança e não lidava com dinheiro, você era bem mais livre do que é agora, como adulto, não é? 

Não tinha que vender seu tempo, agradar pessoas tolas, cumprir metas estúpidas, vender produtos que ninguém quer, ou cumprir burocracias que ninguém gosta. Isso tudo por dinheiro. 

Aí, se você ganha bem, tem dinheiro, faz aquela viagem legal, gasta tudo em hotel, comidas, roupas caras, carro novo, uma casa luxuosa, serviços de entrega, streaming, atendimento em domicílio, etc...  Mas apenas no seu parco tempo livre. Cadê a liberdade? 

E se você não ganha bem, o que é a realidade da maioria, digo, 95% da população brasileira, você não vai ter nem dinheiro suficiente, nem tempo para liberdade, você é um pobre assalariado em regime semiaberto. Vai pra casa apenas para dormir. 

E aí mora num cubículo empilhado, também chamado de apartamento, no qual não pode nem abrir as janelas, porque o prédio da frente é tão próximo que seu vizinho poderia opinar sobre a cor de suas meias se suas cortinas estivessem abertas. O condomínio é cheio de regras, não pode nem pendurar a roupa no varal. Não tem um jardim, a menos que haja um gramado para os cães cagarem. E tudo o que lhe resta para o lazer no seu parco tempo de folga é comprar. 

Sair pra comprar, ou comprar em casa, tanto faz. Você compra o streaming para maratonar séries por horas a fio (e falavam que a TV de antigamente abitolava o cérebro), compra a comida pronta, entregue na sua porta, compra a rebimboca da parafuseta e o serviço do encanador pelo site de compras online. 

E se sai... bom, você provavelmente não vai a um parque ou a uma praia. Sai para comprar. Porque a sensação de estar fazendo algo útil é maior (já leu Domenico De Masi?). O tempo de ócio, o tempo "inútil", em que você apenas se deita no gramado ou na areia e fica olhando o céu, sem fazer absolutamente nada é errado! É pecado! O que diria seu chefe, sua família, seus amigos? Que você é vagabundo, vive chapado, não leva nada a sério, veio ao mundo a passeio. 

Eles não diriam que você é feliz por contemplar o céu no seu tempo livre. Mas diriam que você é feliz porque comprou um carro novo. 

Porra, tenho tanto ódio de gente assim que mal consigo continuar escrevendo. Mas vou continuar, porque tenho compaixão por você, pobre ser abitolado no mundo das compras, a pretensa felicidade enfiada na sua cabeça por sua bolha social. 

Comprar não traz felicidade. Traz dívidas. Você tem uma liberação momentânea de dopamina e só. Depois você volta a buscar mais itens para comprar, porque a sensação de prazer já passou, é muito fraca, é muito pouca. E você se vicia em compras, em streaming, em comida rápida, em consumo veloz. 

Sabe, é por isso que a geração de hoje acumula menos dinheiro que as anteriores. Gastamos mais com prazer do que com bens. Não digo que isso é ruim, pois considero ambos os gastos, bens e prazer, uma ilusão. Ilusão de felicidade, de poder, de prazer. Gente, sério, se vocês fizessem sexo com pessoas significativas, aquelas que amam vocês de verdade, não teriam tanta fome de prazer falso. Se vocês tivessem um senso de espiritualidade, aquele êxtase espiritual, ou religioso que se experimenta na completude não material, vocês teriam felicidade a longo prazo. 

Hoje falam muito sobre viver o agora, o poder da presença, mindfulness, mente presente, mas entendem tudo errado. Porque mindfulness virou um negócio, um produto chulo, vendido por falsos gurus, profetas do agora, da felicidade instantânea. E outra vez, você compra a felicidade. 

Mindfulness é uma versão nutella bem barata de zen, de Budismo, saibam disso. Mas na sociedade cristã puritana, Budismo deve ser pecado, porque acham que Buda é uma espécie de Deus que rivaliza com o tal barbudo monogâmico patriarcal, então, cortaram a raiz e a filosofia do que chamam de mindfulness e resolveram ensinar o poder do agora, a mente presente sem filosofia. 

Só senta e curte a vista. Como um retardado qualquer.

Pronto, você comprou a felicidade mindfulness e pode se considerar feliz, porque funciona por um tempo. Mas como tudo que é vazio por ter sido arrancado de suas raízes, funciona por pouco tempo. A mente humana, essa danadinha, é inquieta e começa a se questionar: ok, é só isso? E logo, você estará querendo mais e mais. Vai pagar retiros caros de Yoga com mindfulness, fazer viagens à Índia onde conhecerá ashrams mágicos de cura ayurveda e vai voltar vestindo roupas baratas e coloridas cheirando a incenso. 

Outra vez, você comprou a felicidade. Mas é um produto, a dopamina da aquisição dura pouco. 

Percebeu que é um ciclo sem fim? 

Você não pode comprar a felicidade! Porque a verdadeira felicidade te liberta. Você se sente livre, não preso a um monte de dívidas e a necessidade de estar sempre em um lugar assim ou assado, com pessoas zés ou marias. Você é feliz por si, zerou suas carências afetivas, zerou sua fome de tudo, suas expectativas e nem por isso está doente, em depressão. Não espera nada, não quer ter nada, mas é feliz.

Sim, isso existe. Mas não vou entregar o caminho, porque não existe um caminho. Existem vários e cada um deve seguir o seu, na medida em que caminha. Ter a mente aberta e a percepção de liberdade, o objetivo de se libertar, sempre à frente. Não mais aceitar as coisas, as opiniões sem questionar, mas nem por isso se tornar um chato, reclamando de tudo e de todos. Não é se bastar, nada disso. É perceber que você é só uma migalha no universo e ao lado de todas as outras migalhas, forma um pãozinho. Sem a pretensão de ser alguém importante, você descarta o seu ego, construído por valores sociais feitos para deitar as pessoas em cabrestos. 

Os valores sociais só existem para te tornar infeliz e escravo da busca por sanar suas carências que jamais serão sanadas. 

Cabe a cada um questionar o que te aprisiona e romper suas próprias algemas. Não adianta buscar no outro um salvador, nem deuses te salvarão. No máximo, eles te ajudarão a refletir. Mas se você não provocar sua mudança, ninguém fará. 

Ser feliz é perceber que somos menos importantes que insetos neste mundo e não se chatear com isso. 


sexta-feira, 12 de maio de 2023

Se cada um for um...

 Vivemos em um mundo estranho. 

Aqui, a virtualidade importa mais que a realidade. 

Aqui, cada um é um, se der sua opinião. 

Mesmo que fajuta. Mesmo que ignóbil. Mesmo que racista. Mesmo que machista. 

Mesmo que seja um monte de lixo saindo de uma latina pútrida. 

Vivemos sem querer viver, mas querendo aparecer. 

Aparecer por fazer o mal feito. 

Por ser o miserável, o pior exemplo, o mais escroto. 

Mas, desde que tenha seguidores: 

minha bunda é sua bunda;

minha desgraça vale likes; 

minha alegria é ter, consumir, ostentar; 

encher a cara de bebida, remédio, drogas, séries. 

E dizer que se foda, que sou assim e nunca vou mudar. 

Nessa vida sem sentido, esse é todo sentido que a internet vai te dar.  



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Como seria bom se o Google tivesse todas as respostas do mundo...

O Google, de vez em quando, surpreende, quando você digita uma pergunta e aparece alguma resposta, mesmo que não seja exatamente o que você procura.

Mas tem perguntas que realmente nem o Google sabe... Fiz uma pequena lista, baseada em coisas que ouvi e que vivi nessa eterna busca por respostas. Contemple, agora, a vacuidade de sua busca:

- Quem eu fui em uma vida passada? 
Você vai encontrar respostas, mas são todas genéricas e sem sentido. A resposta mesmo, você não consegue.

- Quantas cervejas devo tomar para me tornar alcoólatra?
Há respostas que te ajudam a identificar se você é alcoólatra, mas o Google não vai te responder isso.

- Por que minha vida está uma merda? 
Bem... se nem você sabe, o que dirá o Google...

- O que acontece com a humanidade se o eixo da Terra mudar drasticamente? 
Há várias respostas sobre a obliquidade da eclíptica, mas nenhuma prevê o que será da humanidade. Somente a ficção prevê. Pra caramba!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

No rastro da morte


O velho portão de metal dá acesso a uma rua asfaltada, por onde sobe a gente que caminha lentamente. Pelo caminho desviam de vendedores de serviços, velas, flores, planos, religiões enquanto olham as pequenas casas alinhadas, algumas enfeitadas por pequenas árvores, flores e monumentos de pedra e mármore. Cada uma tem um nome, ou vários, datas, às vezes uma frase. Apesar do movimento de feriado de Finados, o silêncio é imperante. Os 60 mil moradores do cemitério São Francisco de Assis, também conhecido por Cemitério do Itacorubi, descansam. Eternamente.

Debaixo de sol forte de início de novembro em Florianópolis, as pessoas procuram seus parentes e amigos.

- Débora, ele falou que é acabando o muro na segunda fileira.

- É pra cá, dava pra ver a rua.

- Não é pra lá, é ali embaixo.

- Pega o telefone e liga pra sua tia.

- Dia de Finados, o trabalho é muito. - diz o administrador do cemitério, Osmar Ferreira, olhos azuis e sotaque apressado de manezinho - É muita gente procurando informação.

Osmar rabisca em um mapa amarelado e roto sobre a mesa da casa amarela, à entrada do cemitério, de onde administra as pequenas moradas com ajuda de um computador. Administra os vivos "porque morto não incomoda". De estranho só o caso da vaca fantasma.

- Seu João, aquele ali - aponta para um dos funcionários - estava na ronda noturna quando me ligou dizendo que tinha uma vaca no cemitério. Eu disse a ele, João, você pega uma corda, laça a vaca e leva pro matadouro. Quando ele voltou, a vaca tinha sumido. Não caiu dentro de sepultura, por onde é que a vaca ia sair? Era uma vaca fantasma, né?

As poucas lápides com epitáfios parecem deixar falar os mortos. "Surfo agora nos mares do céu", diz Geraldo Oliveira. "A morte é apenas mudança", filosofa Charles Hartt. Outros jazigos falam por imagens. Têm brasões do Avaí, Palmeiras, Corinthians, Santos, Vasco, São Paulo. Alguns com guitarras em mármore, em metal, em desenho.

O que se pensa da vida e da morte pode-se resumir no cemitério. Até as divisões sociais. "As madames vêm dois, três dias antes do feriado de Finados para botar flor, arrumar. No feriado mesmo vem o povão", diz a vendedora de flores, Roseli Anhaia, em frente ao portão de metal. "A gente até pensa nisso quando seleciona os produtos pra vender. Traz os vasos mais chiques e caros antes, porque é o que elas gostam de comprar", Roseli revela sua estratégia de venda.

A ala da comunidade alemã é uma área reservada que parece um jardim, gramado milimetricamente aparado, arbustos podados, árvores grandes e estátuas de mármore branco. O cemitério já foi inaugurado com essa ala particular, em 18 de novembro de 1925.

- Quem foi o primeiro morto do cemitério? - pergunto ao administrador.

- Tá ali na primeira rua, Waldemar Vieira.

- Morrer custa caro?

- São R$ 280 por lote.

- R$ 280 pra ter onde cair morto. E quem não pode pagar?

- Quem não tem dinheiro, o município paga a gaveta.

Com a vaga garantida é a vez das funerárias. Elas cercam o cemitério, oferecendo seus préstimos na hora da morte. Se o cliente for previdente e planejar os funerais ainda em vida, paga mais barato, em prestações. O preço é tabelado pela prefeitura e varia de R$ 290 a R$ 3.980 por serviços como transporte, capela, preparação do morto e flores. Se o defunto for gordo, o preço aumenta em 60% porque o caixão é reforçado.

Quem não quiser ser enterrado pode escolher a cremação que sai por R$ 2.930 para o morto precavido que fez o plano. "Plano vitalício", explica o atendente com voz grave de agente funerário, para assegurar que o plano funerário não expira se a pessoa resolver não morrer pra já. Para quem morre de repente, sai mais caro, R$ 3.700.

As cinzas são entregues em uma urna para "levar à praia, se quiser", diz o agente. Mas, se o morto acinzentado não gostar de praia tem a opção de virar diamante, na Suíça, por R$ 12.000. Também há a opção de enviar as cinzas para o espaço em um foguete da Nasa. O serviço custa US$ 60.000, mas, pelo menos em Santa Catarina, ninguém nunca foi ao espaço depois de morto.

O morto que não tem tantas pretensões, ou não tem família, pode ficar descansado. O município é responsável pelo enterro de indigentes. Mesmo sem funerais, há lugar garantido na gaveta. Não é tão ruim assim. No cemitério mais famoso do mundo, o Père Lachaise, em Paris, a dançarina Isadora Duncan, morta em 1929, repousa em uma bela gaveta de mármore negro.

A sete palmos

Abrir um buraco com sete palmos de profundidade para enterrar os mortos é a forma mais comum de destinar os cadáveres desde a Pré-História, quando o  homem de Neandertal começou a pensar em coisas mais complexas. Nas diferentes culturas e civilizações que se seguiram a morte cumpriu um importante papel social e cultural.

O psicólogo Rodrigo Caputo aponta os rituais funerários em diferentes povos ao longo da história para afirmar que mesmo com diferenças culturais, a morte é tratada como um acontecimento social. "A maneira como uma sociedade se posiciona diante da morte e do morto tem um papel decisivo na constituição e na manutenção de sua própria identidade coletiva", afirma em seu artigo O homem e suas representações sobre a morte e o morrer.

No livro Cidades dos vivos, o professor de arquitetura da USP, Renato Cymbalista, explica que os cemitérios têm participação nessa identidade. Essas construções - na forma que conhecemos hoje - surgiram, no Brasil, a partir do século XIX quando em 1801 o príncipe regente de Portugal enviou uma carta ao governador da província de São Paulo ordenando que fosse construído um cemitério a certa distância da cidade para que "os miasmas pútridos que exalam os mortos" não afetassem a saúde dos vivos.

Segundo o professor essa foi uma grande novidade. A partir de então, os mortos passaram a ser mal-vindos, fedidos e perigosos à saúde dos vivos. A recomendação do príncipe regente fazia parte de uma mudança sanitarista que estava apenas começando na Europa naquele período, surgida da necessidade de se evitar epidemias como a Peste Bubônica, também chamada Peste Negra, que dizimou um terço da população europeia no século XVII.

Isso contribuiu para mudar a condição social do morto e a relação dos vivos com a morte na cultura europeia que influenciou fortemente a nossa, americana. "Além dos significados higiênico, monumental e religioso, os cemitérios públicos darão uma resposta urbanística a demandas de ordem afetiva, e os mortos reconquistam seu lugar dentro do organismo urbano. Morando em sua própria cidade, os mortos não são mais um problema. Ao contrário, são parte fundamental da solução urbanística de todas as cidades, que já não podem mais ser imaginadas sem seus cemitérios", reitera Cymbalista.

A cidade dos mortos do Itacorubi já não tem pra onde crescer. No lugar onde todos descansam, os únicos que trabalham são Osmar Ferreira e seus onze funcionários.

- Meu neto diz que sou o dono do cemitério - brinca Osmar.

São, em média, quatro mortos por dia que se mudam para a cidade. Não há espaço para novas sepulturas, apenas gavetas. Dos que chegam, 80% a 90% já têm o jazigo da família. Houve dois casos de funcionários que se aposentaram e pouco tempo depois voltaram para o cemitério. Para serem sepultados.

A morte instiga o mistério e o desconhecido. Provoca dúvidas, Um grupo de religiosos de paletó e gravata escuros debaixo de um sol escaldante se aproxima. Dizem ser representantes de Jesus Cristo. Dizem ter respostas, mas na verdade eram só perguntas. De onde vim? Para onde vou? O que faço aqui? São questões que movimentam não só as religiões, mas também setores da ciência. Afinal, morre o corpo e a alma, o espírito, a energia vital, vai pra onde?

 

A ciência e a morte

A proximidade do mundo científico com o espiritual tem um espaço garantido na física quântica, que veio ganhando espaço a partir da década de 1960. O professor indiano de física da Universidade de Oregon, nos Estados Unidos, Amit Goswami estuda a permanência da consciência após a morte e acredita que esse é o caminho para comprovar a reencarnação. Para ele a física quântica pode comprovar que sem a existência de um conjunto superior - algo que se pode chamar de Deus - o universo é inconsistente.

A questão da manutenção da consciência após a morte pode ser interpretada a partir da lei da conservação da matéria deduzida pelo químico francês Antoine Laurent Lavoisier (1743-1794). Segundo a lei, "na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Quando o físico Isaac Newton publicou, em 1687, a Lei de Ação e Reação, talvez não pensasse que ela pudesse ser usada para explicar como funciona o carma. Mas no século XVII, a ciência e a religião eram tão unidas, que a igreja acabava sendo a grande detentora dos saberes científicos, além de se dedicar à física e à matemática, Newton também estudava teologia e alquimia. E costumava dizer que a verdadeira filosofia era pensar sobre a morte.

Não era uma forma inovadora de pensar. Os filósofos gregos Platão e Aristóteles tinham um vasto rol de pensamentos sobre o assunto e influenciam cientistas desde então. Eles enxergavam a morte como única certeza inevitável, já que não havia como escapar dela.

Em 1595, os ensaios de Michel de Montaigne foram publicados com uma grande quantidade de linhas dedicadas a meditar sobre a morte que, para ele, era o mesmo que meditar sobre a liberdade. “Nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda a sujeição e constrangimento”.

Outro cientista famoso, Albert Einstein, em seu livro Como vejo o mundo, revelou o que pensava dessa dualidade. "Afirmo que o sentimento religioso cósmico é o mais forte e mais nobre estímulo à pesquisa científica". 

Com a quantidade de perguntas que a morte instiga, não falta campo de pesquisa para a ciência. E pelo menos na medicina, onde o convívio com a morte é mais evidente, os avanços em pesquisa têm contribuído para trazer luz à hora da morte.

A única certeza desse mundo é que a gente vai morrer.

O coração para. A circulação do sangue também. As células do cérebro são as primeiras a morrer, levam de três a sete minutos. O sangue começa a se concentrar nas partes inferiores do corpo, causando palidez. Em três horas os músculos enrijecem. Em 24 horas o cadáver esfria. Conforme as células morrem, as bactérias começam a decompô-lo.


O momento da morte é descrito de várias formas pela medicina, até porque não se morre de um só jeito. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, OMS, a maior causa de morte no mundo é o câncer, em várias formas, seguido de doenças cardiovasculares. Isso significa que grande parte das pessoas morre em hospitais, ou passam por eles antes do fim. Muitos médicos continuam o tratamento dos pacientes mesmo com poucas chances de cura, mas aumenta o número de profissionais que concordam que quando há prognóstico reservado - que não há possibilidade de cura - prosseguir com o tratamento é prolongar o sofrimento do paciente.

Cuidar da qualidade de vida e de morte dos pacientes terminais é um dos princípios estabelecidos pela OMS sobre cuidados paliativos. A psicóloga Márcia Lisbôa confirma, em sua dissertação de mestrado, a importância de se aceitar, nesses casos, que não há cura. Ela estudou os efeitos terapêuticos dos rituais de despedida em iminência da morte em familiares de pacientes terminais no Hospital Universitário da UFSC e conclui que a despedida beneficia tanto os familiares quanto o paciente.

No artigo em que avalia, com sua equipe, as decisões médicas em casos onde a cura não é mais possível, a coordenadora da Residência Médica de Medicina Intensiva do Hospital Universitário de Florianópolis, Rachel Moritz, afirma que o fato de grande parte das mortes ocorrerem nos hospitais "tornou imprescindível que os profissionais dessas instituições aprendam a conviver e a tratar do indivíduo durante o processo do morrer". Também destaca que os cuidados com pacientes terminais dependem da "aceitação da finitude do ser humano e do reconhecimento da incapacidade médica de “curar sempre”.

A psicoterapeuta Bel Cesar no livro Morrer não se improvisa relata como a não aceitação da morte pode perturbar os últimos instantes de vida de uma pessoa. A autora trabalhou com pacientes terminais com vários tipos de doenças e relata alguns casos no livro, vividos por ela ou por outros profissionais.

Como o médico Roger Cole, que relata o caso de John, um rapaz de 26 anos com Aids, já muito debilitado, em estado terminal. O rapaz estava bastante revoltado pelo tratamento que ele sabia que não traria cura, só ia prolongar seu sofrimento, quando o médico conversou com ele. Depois de tentar conseguir respostas de John que fossem além de evasivas, o doutor percebeu que não adiantava falar em vida eterna, que para o paciente significava sofrimento eterno. Teria de dizer apenas o óbvio, ele estava morrendo e logo tudo terminaria. O rapaz aceitou melhor essas palavras que qualquer ajuda que haviam-lhe proporcionado, pois, finalmente alguém não lhe pedia para lutar uma batalha perdida. Ele morreu dois dias depois, com a família ao redor, tranquilamente. 

No livro Da Morte, Rubem Alves diz que a morte é nossa única conselheira. Quando temos a consciência de que vamos morrer, nos sentimos livres para não nos importar com mais nada. "O que você deve fazer, ao se sentir impaciente com alguma coisa, é voltar-se para a sua esquerda e pedir que a morte o aconselhe". Ou, como escreve Paulo Leminski em um poema, "morrer de vez em quando é a única coisa que me acalma".

No cemitério do Itacorubi, a cidade onde os moradores não respiram, os conselhos da morte aparecem nas lápides, as únicas que representam seus habitantes. De acordo com a família Barcellos, "encontrarás mais segurança e paz, garantindo-te o êxito no caminho da vida maior". Ironicamente, nas cidades dos vivos, a paz também é um conselho muito ouvido. Quem sabe ao ouvir as palavras da morte, viver tenha um novo sentido.



Reportagem produzida em dezembro de 2012, por Juliana Frandalozo,

"Para quem a vida sempre foi um mar sem fim"


Material jornalístico exclusivo do blog Universo Bizarro. Licença de uso: Trechos podem ser reproduzidos apenas com a citação obrigatória da fonte, acompanhada do permalink desta página. Reprodução integral somente com permissão da autora.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Por que ninguém gosta de mim?

Se você googlou essa pergunta e chegou nesse blog, vamos ter uma conversinha. Não, este não é um blog de auto-ajuda, o título já entrega. Este é um blog nascido num universo onde enxergamos tudo através de uma visão bizarra. O princípio filosófico disso é: "Rir de si mesmo e das desgraças dessa vida é melhor que não ter nariz".

Ok, ninguém gosta de mim, não tenho amigos, minha mãe é um pé no saco, meu pai é distante, a pessoa que eu amo não me quer, meus colegas da escola me zoam o tempo todo, porque eu existo?

Se você pegar pelo ângulo budista de explicação da existência, você existe para sofrer e é isso que vai te levar a ter boas experiências para crescer e evoluir espiritualmente.

Foda-se o espírito, porque todo mundo ao meu redor é mais feliz que eu, esse budismo não tá com nada!

Provavelmente você já ouviu falar que a grama do vizinho é sempre mais verde, e existem pesquisas que comprovam que quem acessa muito as redes sociais tem grande tendência de achar que sua vida é mais infeliz que a dos outros. Isso tem um fundamento: Só compartilhamos nossos melhores momentos com o público. Poucas pessoas usam o facebook prá dizer que estão tristes e a maioria acha isso chato.

Se todo mundo põe apenas suas fotinhos de sorrisos, praia, casaisinhos fazendo coraçõezinhos com as mãos, festas, passeios, viagens, gatinhos fofos e bebezinhos dentro de potes de flor, não é porque a vida deles é mais feliz, é porque eles gostam de manter a aparência de que suas vidas são maravilhosas e perfeitas quando, no fundo, são vazias e tão carentes de sentido que precisam afirmar sua felicidade numa rede social para que ela tenha algum sentido.

“Feliz é quem conhece o lado ruim e o respeita. Feliz é quem já foi infeliz. Somente quem já foi infeliz pode entender que a tristeza traz um punhado muito bom de aprendizados. Felicidade não é sobre quem grita mais alto; é sobre quem sorri mais fundo.” (Clarissa Corrêa)

Então se você quer mesmo saber porque ninguém gosta de você, pergunte a si mesmo porque você não gosta de ninguém. A maior parte dos nossos problemas está SEMPRE dentro de nós e quando aceitamos e entendemos isso é mais fácil de resolver tudo, porque aí então, só depende de nós. Se o mundo te traz problemas, desafie-o com soluções!

“Não existe um problema que não ofereça uma dádiva para você.” (Richard Bach)

E aí voltamos para os budistas que não são apenas carecas de vestido laranja, mas dizem coisas bem interessantes. Certa vez, Dalai Lama disse: "é engraçado como depositamos tanta confiança e tanto sentimento nas pessoas. E por esperar demais, sonhar demais, criar expectativas demais, sempre acabamos nos decepcionando e nos machucando cada vez mais.”

Muitas vezes esperamos demais das pessoas e esquecemos que uma amizade se mantém por trocas. Você deve estar disponível e assim vai provocar a disponibilidade nas pessoas que gostam da sua companhia. mas, se você não gosta de estar com as pessoas e não cria oportunidades de convívio, não adianta ficar se lamuriando por não ter amigos.

"Nunca fui feliz enquanto esperei que as pessoas gostassem de mim. Aprendi a ser feliz quando busquei autoconhecimento, isso me ajudou a entender porque eu sou o que sou e passei a me aceitar e me amar pelo que sou ao invés de tentar ser o que os outros queriam que eu fosse". (William Yattes)

Depois que você aprende a se amar e se aceitar pelo que é, você naturalmente passa a amar e aceitar as pessoas ao seu redor e se torna disponível para elas. E então você vai atrair pessoas que gostam de você realmente. 

“Não ligo se gostarem de mim em partes. Mas desejo que eu me aceite por inteiro.” (Fernanda Mello)

terça-feira, 22 de abril de 2008

Humanidade se arma contra leis de Murphy: parte 3

Como a geleia resiste bravamente às tentativas de cair no carpete

Depois que os bravos designers da Becel conseguiram resolver o problema da aplicabilidade das leis de Murphy na tampa da margarina, um novo desafio foi lançado: como salvar a geleia da torrada. Muita gente passa a geleia em uma fatia apenas de pão, deixando uma grande margem de geleia disponível para as leis de Murphy avacalharem o lanchinho. E nem mesmo as torradas duplas se salvam! Pois nessas, a geleia ainda pode encontrar uma fenda para cair, conforme mostrado no diagrama a seguir. 

Esta se tornou uma nobre missão com um enorme potencial científico e, para ela, foram destacadas pessoas de cujo nível técnico e estratégico no tratamento da geleia eram incomparavelmente superiores aos de qualquer pesquisador: as donas de casa.

Com seus aventais denominados "nenhuma geleia passará", elas partiram na missão de encontrar a fórmula perfeita da geleia que não cai no carpete, nem com uma torrada embaixo. Depois de dias e noites de intensa pesquisa e mais de mil episódios de Ana Maria Braga, Palmirinha, canais de receitas no YouTube e novelas variadas, elas conseguiram.

Chegaram à formulação perfeita que anula exponencialmente as leis de Murphy: o sonho de geleia. Sim, aquele sonho da padaria que vinha com recheio de doce de leite, provou ser tecnologicamente compatível para contribuir com a resistência às leis de Murphy.

Com a geleia dentro do sonho, sem nenhuma fenda por onde possa sair, a lei não encontra aplicabilidade. E mais um caso da humanidade contra as leis de Murphy foi engenhosamente solucionado pelo exército de pessoas mais poderosas do mundo, que nunca deixam ninguém sair sem casaquinho e guarda-chuva.


segunda-feira, 14 de abril de 2008

Humanidade se arma contra leis de Murphy - parte 2

As fatídicas leis de Murphy estão com os dias contados. É o que garante um grupo de intrépidos pesquisadores que lutam diariamente para anular seus efeitos.

Na área do design, é onde vemos os resultados mais animadores. Os designers de embalagem da margarina Becel perceberam que o pote do produto apresentava uma inconveniência: a margarina se grudava à tampa. Isso não seria um problema, não fossem as leis do nosso querido cientista aeroespacial, Joseph Murphy. Quando a tampa caía no chão - geralmente com a parte de dentro para baixo, confirmando a lei - a sujeira grudava na tampa e o chão se enchia de margarina.

Cansadas de limpar essa sujeira, donas de casa do mundo inteiro se revoltaram e passaram a consumir menos margarina. Isso aconteceu concomitante ao aumento das informações divulgadas sobre o colesterol presente nos produtos, mas isso não vem ao caso.

Os designers da Becel, então, com seus empregos ameaçados, passaram noites e dias pesquisando formas de burlar as leis de Murphy. Tentaram de tudo: amarrar a tampa nas costas do gato, prender uma parte da tampa no pote, vender o pão já com margarina, mas cada teste trazia um inconveniente e não prosperava.

Até que certo dia, após uma longa jornada infrutífera de pesquisas e testes, um dos pesquisadores percebeu que sua bacia de pipocas podia cair sem que a manteiga do fundo tocasse o chão. Isso porque ela era côncava!

Uma verdadeira revolução estava começando. E a Becel lançou margarinas com menos colesterol e tampas anti-leis de Murphy. As vendas aumentaram e os empregos se mantiveram. E todos viveram felizes para sempre. Ou, pelo menos até o próximo problema causado pelas leis de Murphy, é claro. 

Não perca o próximo post sobre a resistência da humanidade às leis de Murphy:

A revolução do pão com geleia: como o principal ícone das leis sobrevive às tentativas de cair no carpete.

terça-feira, 25 de março de 2008

Mundo X Leis de Murphy




Edward A. Murphy (1918 - 1990) foi um engenheiro aeroespacial especializado em sistemas de segurança-crítica. Ele trabalhou na Força Aérea dos Estados Unidos realizando testes sobre os efeitos da desaceleração rápida em piloto de aeronaves.

Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

Essa é a forma mais conhecida que vem do princípio: "Se há duas ou mais formas de fazer alguma coisa e uma das formas resultar em catástrofe, então alguém a fará". Todas as leis de Murphy variam deste princípio. Parece pessimismo, mas não se esqueça que elas foram elaboradas para prever e sanar falhas na segurança de foguetes, antes que provocassem um acidente.

Quando Murphy começou a dizer suas leis em público, as pessoas riam achando que era algum tipo de piada. Logo surgiram variações como "O pão sempre cai com a manteiga para baixo". Murphy ficava muito chateado com isso. Dizia que estavam deturpando as leis fazendo-as parecerem ridículas.

Mas, o fato é que não há quem não atribua às suas leis o azar típico da segunda-feira – no meu caso – e maldiga até o cocô do cachorro de Murphy.

Tudo é atribuído ao pobre cientista: desde o aquecimento global até a neve no Iraque. Confira no próximo post o que a humanidade está preparando para combater as leis de Murphy. Que a força esteja com vocês!