Primeiro, vamos falar de vaginas e pirocas. Sim, porque essa é a origem da necessidade de aborto. Um bebê foi gerado sem que se quisesse. Gerado aonde? No útero da mulher. E a piroca do homem que contribuiu? Sai ilesa e sem responsabilidade alguma. Piroca livre.
Agora, o problema de ter um bebê indesejado é só da mulher, então porque o debate sobre ter direito de abrir mão de uma gravidez indesejada está na mão machista de pirocas livres?
Porque a saúde feminina importa menos que o prazer masculino.
Sim. Isso é fato!
Tem pesquisas que provam isso com o orçamento de laboratórios para medicações voltadas para o prazer masculino, em detrimento do orçamento para questões de saúde feminina.
Até hoje não tem cura para doenças antigas que assolam uma porcentagem enorme de mulheres. Basta lembrar que ainda se fala pouco sobre menstruação, menopausa e doenças associadas ao útero. TPM é frescura, dito como piada. Sangrar é tabu, vergonhoso, como assim vai falar que mulher sangra todo mês? O machismo pirocudo proibindo até que se fale de algo tão natural quanto o ciclo menstrual.
E então tem uma gravidez inesperada no útero maldito de uma mulher desprevenida e azarada. Por que nasceu mulher? Se tivesse uma piroca, não teria esse problema! A piroca não precisa sofrer sanções e censuras por engravidar. Não tem lei que proíba a piroca de abortar, nem legiões de fanáticos que querem proibir até que uma criança estuprada interrompa uma gestação criminosa.
Pra deixar mais claro: serei contra o aborto quando nunca mais e digo literalmente, NUNCA MAIS, houver estupro.
Consegue garantir isso? Sei que não, porque a piroca tem seu próprio instinto criminoso e independe da sua vontade.
Se fosse a piroca que engravidasse, com certeza, o aborto seria não só legalizado, como um ato humanitário. Ninguém pode tirar do homem o direito de escolher ter um filho ou continuar tendo prazer. Mas da mulher, tira sim, ela merece não ter prazer porque tem um útero.
Agora, falando sério e tirando a piroca de lado. Interromper a gravidez não é assunto seu se você não tem empatia. Você teria que no mínimo se colocar no lugar daquela menina estuprada aos 10 anos que engravidou de um criminoso. Da adolescente pobre que caiu na lábia do namorado e acreditou que nada ia acontecer e que o prazer dele era mais importante. Da mulher trabalhadora pobre que num descuido foi usada como objeto de prazer do parceiro, abandonada, e não tem condições de assumir uma criança sozinha. Se não tem empatia, não opine sobre o aborto, não é assunto seu. Não é sua vida que será miserável e sua saúde arruinada.
Falando bem sério agora, direito ao aborto é uma questão de saúde pública, não de opinião social. Porque o aborto já existe há milênios. As mulheres de família, com dinheiro, escondem seus abortos com viagens ao exterior, pagam clínicas e médicos particulares por abortos mascarados de “cirurgias plásticas”. Inclusive aquelas que dizem ser contra o aborto estão nessa lista. A hipocrisia mandou lembranças.
Por ano, milhares de mulheres interrompem a gravidez. Enquanto as mulheres de família, ricas, podem ter todo o apoio para fazer isso de forma segura, as pobres fazem de forma improvisada e são frequentemente hospitalizadas com problemas graves no SUS.
Dinheiro público já é gasto com aborto. Saúde pública já é comprometida com aborto. Mulheres e crianças já morrem com aborto.
“Tem que morrer mesmo porque abortou”.
Se você pensou isso, não esqueça de assinar seu nome na lista do Diabo, acabou de cometer um pecado muito grave. Você matou alguém porque não tem um mínimo de empatia. Outra vez: sua opinião não importa. É contra o aborto? Não faça. Mas não impeça que outras pessoas possam fazer porque você não tem empatia.
Ou é você quem vai criar os filhos rejeitados das mães pobres e rejeitadas?
Interromper a gravidez indesejada é uma política pública de prevenção de danos à saúde feminina e ao gasto público com consequências de abortos clandestinos.
Se você chegou até aqui e não entendeu isso, precisa ir conhecer gente real, fora das suas bolhas de moral e bons costumes hipócritas. Eu duvido que faça isso, mas fica a dica: a Lei não vai obrigar você, nem ninguém a abortar.
Pense nisso.
Imagens gerada por IA, pelo Bing, 2026.

















