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quarta-feira, 1 de maio de 2024

A ilusão de que trabalho enriquece

Estava analisando uma entrevista em que, dado momento, o entrevistado, um senhor distinto, militar, conservador, com linguajar simples, porém com arroubos de sofisticação, se refere a um assassino que matou crianças em uma creche como "aquele marginal". 

Então, passado o trabalho de análise, "aquele marginal" não saiu da minha cabeça. O sujeito, branco, militar, cargo importante, influente politicamente e em suas bolhas sociais já tinha se referido anteriormente à questão indígena com um discreto desprezo. E "aquele marginal" confirmou que seu verniz de pessoa importante era só a fachada do que representa uma boa parcela do povo, brasileiro ou não: 

garanto meus privilégios e os da minha bolha social, o resto é "aquele marginal". 

Indígena não compra imóveis, só pede suas terras de volta, então são "aquele marginal". Favelados, descendentes de escravizados não compram imóveis, então são "aquele marginal". 

Mas o mais interessante é que "aquele marginal", o assassino de crianças na creche era branco, vindo de uma família estruturada, pessoa "de bem". 

Talvez nazista, talvez psicótico, com acesso pela internet a bolhas bem específicas de muito ódio. Talvez o assassino quisesse cobrar a vida de crianças porque ele próprio não tinha mais o direito a uma creche com hora do soninho, em vez do trabalho assalariado que, segundo prometeram, traria a riqueza e o poder. 

Enfim, "aquele marginal" é qualquer pessoa "de bem" que, metida em uma bolha, alucina que o mundo está contra ele. Pode ser você, pode ser eu, pode ser qualquer fulano neste mundo. 

Tem um estudo baseado no Experimento de Aprisionamento de Stanford, que mostra que não é preciso muito estímulo ou muita realidade para uma pessoa "de bem" virar um maníaco assassino. Basta se perder em sua bolha. 

E como seres humanos, sempre fomos bolhosos, não é prerrogativa da sociedade atual. Então, talvez devêssemos ser menos humanos. Transitar entre bolhas, estourar bolhas, perceber como elas se movem. Mas, não se faça superior por isso, porque você vai perder sua humanidade: deixará de pertencer, de ser bairrista, de usar a mesma linguagem e mesmos argumentos dos outros. Vai ser o diferentão. 

Mas perdendo sua humanidade, você ganha toda a natureza que está fora da bolha. É mais ampla, é mais sábia, é mais livre. Poucos aguentam, se você não tem coragem, nem tente. 

Ah, mas é solitário... Sim, talvez seja. Mas, você às vezes esbarra em outras pessoas que não são mais cabeça de bolha e aí, começa a perceber que não é o diferentão, a bolachinha dourada do pacote especial do universo. Você é é mais um na multidão. E isso é o que te dá a liberdade de ser o que quiser ser. 



domingo, 21 de abril de 2024

Quando a felicidade é comprar e o mito do mindfulness

No post anterior, eu falei sobre a paz mundial relacionada à liberação do sexo anal e este assunto é só mais um dos que eu considero essenciais para a construção da paz. Agora, este blog se chama Universo Bizarro, então, você pode levar a sério o que digo, ou fuder para isso e dar umas boas risadas. Qualquer um dos resultados tá valendo. 

Na busca por entender a paz, inevitavelmente passamos pela análise do ser humano, esta figura complexa e completamente descartável para o mundo. Sim, descartável. Se a raça humana se extinguisse de repente, o mundo continuaria numa boa, na verdade, bem melhor. Somos descartáveis, muito mais do que as formigas, as abelhas e com certeza muito mais que os vermes. 

Você pode ler isso com uma sensação niilista depressiva ou com uma sensação de liberdade, a escolha é sua. Como eu odeio os niilistas, fico com a sensação de liberdade. 

Coisa mais boa saber que nada nem ninguém depende de mim! Que estou livre para escolher o caminho que for e que o impacto disso na vida dos outros é insignificante! Ahh... liberdade é isso. 

Mas, tem gente que acha que liberdade é ter dinheiro pra comprar tudo o que quiser. Eu não as recrimino (muito) por isso. Mas vejo como são tapadas. Porque dinheiro é uma prisão. Olha só a sua vida: quando você era criança e não lidava com dinheiro, você era bem mais livre do que é agora, como adulto, não é? 

Não tinha que vender seu tempo, agradar pessoas tolas, cumprir metas estúpidas, vender produtos que ninguém quer, ou cumprir burocracias que ninguém gosta. Isso tudo por dinheiro. 

Aí, se você ganha bem, tem dinheiro, faz aquela viagem legal, gasta tudo em hotel, comidas, roupas caras, carro novo, uma casa luxuosa, serviços de entrega, streaming, atendimento em domicílio, etc...  Mas apenas no seu parco tempo livre. Cadê a liberdade? 

E se você não ganha bem, o que é a realidade da maioria, digo, 95% da população brasileira, você não vai ter nem dinheiro suficiente, nem tempo para liberdade, você é um pobre assalariado em regime semiaberto. Vai pra casa apenas para dormir. 

E aí mora num cubículo empilhado, também chamado de apartamento, no qual não pode nem abrir as janelas, porque o prédio da frente é tão próximo que seu vizinho poderia opinar sobre a cor de suas meias se suas cortinas estivessem abertas. O condomínio é cheio de regras, não pode nem pendurar a roupa no varal. Não tem um jardim, a menos que haja um gramado para os cães cagarem. E tudo o que lhe resta para o lazer no seu parco tempo de folga é comprar. 

Sair pra comprar, ou comprar em casa, tanto faz. Você compra o streaming para maratonar séries por horas a fio (e falavam que a TV de antigamente abitolava o cérebro), compra a comida pronta, entregue na sua porta, compra a rebimboca da parafuseta e o serviço do encanador pelo site de compras online. 

E se sai... bom, você provavelmente não vai a um parque ou a uma praia. Sai para comprar. Porque a sensação de estar fazendo algo útil é maior (já leu Domenico De Masi?). O tempo de ócio, o tempo "inútil", em que você apenas se deita no gramado ou na areia e fica olhando o céu, sem fazer absolutamente nada é errado! É pecado! O que diria seu chefe, sua família, seus amigos? Que você é vagabundo, vive chapado, não leva nada a sério, veio ao mundo a passeio. 

Eles não diriam que você é feliz por contemplar o céu no seu tempo livre. Mas diriam que você é feliz porque comprou um carro novo. 

Porra, tenho tanto ódio de gente assim que mal consigo continuar escrevendo. Mas vou continuar, porque tenho compaixão por você, pobre ser abitolado no mundo das compras, a pretensa felicidade enfiada na sua cabeça por sua bolha social. 

Comprar não traz felicidade. Traz dívidas. Você tem uma liberação momentânea de dopamina e só. Depois você volta a buscar mais itens para comprar, porque a sensação de prazer já passou, é muito fraca, é muito pouca. E você se vicia em compras, em streaming, em comida rápida, em consumo veloz. 

Sabe, é por isso que a geração de hoje acumula menos dinheiro que as anteriores. Gastamos mais com prazer do que com bens. Não digo que isso é ruim, pois considero ambos os gastos, bens e prazer, uma ilusão. Ilusão de felicidade, de poder, de prazer. Gente, sério, se vocês fizessem sexo com pessoas significativas, aquelas que amam vocês de verdade, não teriam tanta fome de prazer falso. Se vocês tivessem um senso de espiritualidade, aquele êxtase espiritual, ou religioso que se experimenta na completude não material, vocês teriam felicidade a longo prazo. 

Hoje falam muito sobre viver o agora, o poder da presença, mindfulness, mente presente, mas entendem tudo errado. Porque mindfulness virou um negócio, um produto chulo, vendido por falsos gurus, profetas do agora, da felicidade instantânea. E outra vez, você compra a felicidade. 

Mindfulness é uma versão nutella bem barata de zen, de Budismo, saibam disso. Mas na sociedade cristã puritana, Budismo deve ser pecado, porque acham que Buda é uma espécie de Deus que rivaliza com o tal barbudo monogâmico patriarcal, então, cortaram a raiz e a filosofia do que chamam de mindfulness e resolveram ensinar o poder do agora, a mente presente sem filosofia. 

Só senta e curte a vista. Como um retardado qualquer.

Pronto, você comprou a felicidade mindfulness e pode se considerar feliz, porque funciona por um tempo. Mas como tudo que é vazio por ter sido arrancado de suas raízes, funciona por pouco tempo. A mente humana, essa danadinha, é inquieta e começa a se questionar: ok, é só isso? E logo, você estará querendo mais e mais. Vai pagar retiros caros de Yoga com mindfulness, fazer viagens à Índia onde conhecerá ashrams mágicos de cura ayurveda e vai voltar vestindo roupas baratas e coloridas cheirando a incenso. 

Outra vez, você comprou a felicidade. Mas é um produto, a dopamina da aquisição dura pouco. 

Percebeu que é um ciclo sem fim? 

Você não pode comprar a felicidade! Porque a verdadeira felicidade te liberta. Você se sente livre, não preso a um monte de dívidas e a necessidade de estar sempre em um lugar assim ou assado, com pessoas zés ou marias. Você é feliz por si, zerou suas carências afetivas, zerou sua fome de tudo, suas expectativas e nem por isso está doente, em depressão. Não espera nada, não quer ter nada, mas é feliz.

Sim, isso existe. Mas não vou entregar o caminho, porque não existe um caminho. Existem vários e cada um deve seguir o seu, na medida em que caminha. Ter a mente aberta e a percepção de liberdade, o objetivo de se libertar, sempre à frente. Não mais aceitar as coisas, as opiniões sem questionar, mas nem por isso se tornar um chato, reclamando de tudo e de todos. Não é se bastar, nada disso. É perceber que você é só uma migalha no universo e ao lado de todas as outras migalhas, forma um pãozinho. Sem a pretensão de ser alguém importante, você descarta o seu ego, construído por valores sociais feitos para deitar as pessoas em cabrestos. 

Os valores sociais só existem para te tornar infeliz e escravo da busca por sanar suas carências que jamais serão sanadas. 

Cabe a cada um questionar o que te aprisiona e romper suas próprias algemas. Não adianta buscar no outro um salvador, nem deuses te salvarão. No máximo, eles te ajudarão a refletir. Mas se você não provocar sua mudança, ninguém fará. 

Ser feliz é perceber que somos menos importantes que insetos neste mundo e não se chatear com isso. 


sábado, 20 de abril de 2024

O caminho para a paz mundial pela verdade sobre sexo, testosterona e fuder para regras e algoritmos

Vocês fazem ideia que este blog já tem 20 anos? É o auge da testosterona para um jovem, pequeno padawan! Mas, o auge da testosterona não significa melhores experiências. Talvez mais, talvez mais rápidas. Melhores, hahaha, no. 

Então, vamos falar de sexo. Porque parte das pessoas que buscam no google por "bizarro", buscam "sexo bizarro" e este blog tem devido muito neste assunto. Um assunto tão banal, trivial, sexo, a origem de muitos seres. E devido aos algoritmos puritanos das mídias sociais, quando se fala em sexo e correlatos no youtube e Instagram tem que falar em uma linguagem cifrada, tipo, s3x0, para não ser punido pelo algoritmo puritano amém. 

Só que aqui no UniB, estamos fudendo para o algoritmo, para o número de curtidas ou seguidores. Nem leitores nos interessam. Se você está lendo isso, parabéns, não dou a mínima pra você. Estamos há 20 anos online, cagando e andando para a popularidade e tendemos a continuar assim e piores. Porque decidimos envelhecer no modo Dercy Gonçalves, a musa insuperável da velhice "tô fudendo para regras". 

E por que quero falar de sexo? Porque me deu na telha. E porque acho um assunto subvalorizado. 

Quando se fala em sexo com gente subdesenvolvida sexualmente, eles riem, fazem piada. Ou, os reprimidos se fazem de escandalizados. As donas de casa belas, recatadas e do lar são contra. Mas lá no fundo da gaveta da cozinha guardam a trilogia dos Cinquenta tons de cinza e aquelas safadezas literárias do gênero pornô para donas de casa. 

Eu sei, porque escrevo. Escrevo muito de tudo. Inclusive ficção. Lógico que meus trabalhos profissionais não cagam para regras, porque a lei capitalista é simples: resultado = grana. E resultado literário é leitores e influência, curtidas, cliques, escrotices banais da vida social media. Mas aqui, a regra é clara: 

fodam-se as regras. 

Por isso, o texto não tem estrutura, começo, meio e fim, nem mesmo revisão tem. mas se quero falar de sexo, falo o que quero, não o que me pagam pra fazer, porque não sou profissional do sexo, mas do texto. 

O fato é que, faz um tempo, percebi o quanto é escrota essa lógica de pau na vagina, boca no pau, boca na vagina. E comecei a pensar que pau no cu tem muita validade. 

Não falo só de sexo gay, mas de sexo anal de todos os tipos, inclusive aquele com os brinquedos eróticos. E olha que tem cada tamanho que se chega a duvidar que entre. 

E, juro juradinho que essa lógica do pau no cu abriu meus horizontes literários. 

Não falo de literatura pornô, porque nunca publiquei nada neste sentido, mas minha visão de mundo se ampliou por causa disso. E então, comecei a considerar nas minhas obras de ficção o poliamor, o multipoliamor e o amor desapegado não escroto, que não é um Pau Amigo, mas um Pau Parceiro que está sempre contigo, mas que aceita sua liberdade de amar. 

É, porque sexo só é sexo se o coitado tem por volta de 20 anos, muita testosterona e pouca experiência, na qual as rapidinhas não são opções, mas é o que dá pra fazer de pé no banheiro de uma boate. 

Sexo só é sexo se a pessoa tem a autoestima tão baixa que só uma boa punheta e um filme pornô não satisfazem sua carência afetiva e precisa de outra pessoa para gozar e fingir que é atraente para alguém. Mesmo sabendo que essa outra pessoa deve estar imaginando uma cena com um grande galã pra topar transar. 

E aí chegamos no ponto onde a vaca torce o rabo: sexo sem imaginação é só testosterona em ação. Acompanha meu raciocínio: a pessoa que quer transar alucina que a outra quer também. É aquele olhar, aquela língua nos lábios, uma mãozinha no pescoço e puft! Mão na coisa, coisa na mão, coisa na coisa. 

E quem acredita em amor à primeira vista, sinto muito, você acredita em alucinações. Só isso. É só testosterona, aquele tesão que acomete homens e mulheres, independente do gênero. 

Sexo bom é sexo de ficção literária. Sexo de imaginação, que pode ser o que quiser, que o tamanho do pau é sempre enorme, o homem é sempre viril e bem disposto, a mulher nunca sente sono ou está cansada, menos ainda menstruada, as preliminares são intensas e criativas, os buracos são sempre encaixes perfeitos e os brinquedinhos funcionam (porque na realidade, eles duram bem pouco quando vibram). 

Porque o sexo de verdade exige uma energia que você só se esforça pra ter no início da relação. Depois do parceiro fidelizado, o sexo vai ficando mais rápido, mais raro, menos criativo. E como neste mundo ninguém está ficando mais novo, a lei da gravidade age sobre os corpos, bolas caem, peitos despencam, panças crescem e como não vemos terceira idade nos filmes hot, achamos que velhos não transam. 

Só que a imaginação continua forte na terceira idade, é claro. E se for uma velhice Dercy Gonçalves, ah, essa vale a pena. Tem muita gente de 20 e poucos que não tem o vigor de uma velha como a Dercy. São múmias, meio mortas, meio vivas, fazendo tudo conforme a cartilha do politicamente correto, tentando se encaixar para ser aceito. Falta imaginação, criatividade e um gozar além do sexo nessas vidas. 

Por isso, acho que sexo e criatividade, tesão pela vida, são parceiros inseparáveis. Distribuam pênis de borracha para os políticos que fazem guerra e eles vão aliviar sua testosterona em um bom anal. Quem sabe o que Putin, Netanyahu e companhia fariam se realmente pudessem dar uma boa trepada? Liberem o sexo anal de todo preconceito, liberem todos os buracos para entrada! 

E a criatividade invadirá o íntimo do ser humano. Enfim, este é o caminho para a paz mundial. 

E da próxima vez que você ouvir uma miss falando que deseja a paz mundial, pense no papel do sexo nisso. Vamos botar pra fuder!


domingo, 11 de novembro de 2018

Como somos caretas: doutrinação, censura e liberdade

As novas gerações são muito caretas. Muito mais do que a geração de nosso pais e de nossos avós, que passaram pelo Movimento Hippie, anos 1960-1970. Sim, mesmo com maior aceitação de LGBTs e afins, somos muito, mas muito mais caretas e medrosos hoje.

E por que temos medo? Porque existem mídias sociais online, prontas para compartilhar aquele seu momento mico com todas as pessoas do mundo. E para sempre! Um mico seu, pode destruir sua carreira, seu status social, sua timeline e sua vida. Por isso, as pessoas se tornaram medrosas, politicamente corretas, no modo hipócrita de ser, escondendo quem são, para sair bem na foto. Porque tudo o que você postar pode e será usado contra você em algum momento.

Mas elas nunca conseguem esconder quem são por muito tempo. E agora, vemos muita gente que se escondia por detrás de uma fachada de "pessoa de bem", mostrar o que realmente é. 

Neste exato momento, isso acontece por conta da polarização política em que vivemos. E não, essa polarização não é esquerda-direita, pois a maioria dos brasileiros é burra demais para entender o básico sobre o que significa ser direita ou esquerda. Pra se ter ideia, tem gente que ainda teme a "ameaça comunista". Não vou nem explicar o motivo disso ser tão século passado. Quem não souber e tiver interesse, vai estudar história!

A polarização política que vivemos agora é Ignorância X Liberdade de Pensamento.

Por um lado, o Polo da Ignorância (PI, para abreviar) nos mostra, por meio de fake news, como as pessoas são frágeis em suas ideias, alguns chegam a ser ignorantes com educação, analfabetos políticos na política. Seguem a emoção, nunca a razão, por isso, tomam decisões prejudiciais. Pensam apenas no imediato, não têm visão de futuro. Dão opinião sobre tudo, mas não entendem conceitos básicos e fundamentais. Não leem, não conhecem história, não sabem a diferença entre informação e opinião, não se dão ao trabalho de compreender a raiz, o rastro de seu pensamento.

Não sabem e não querem rastrear suas ideias, pois o que querem é apenas ter uma opinião. Vai ser, obviamente uma opinião preconceituosa, pois não há conceito nela, será sempre um pré-conceito de tudo. Por isso, são pessoas que gostam de rotular as outras, já que não conseguem entender o que há por trás dos rótulos.

No outro polo, o da Liberdade de Pensamento, que vamos chamar de PLP. Pessoas que discordam do que as massas dizem. Porque as massas são sempre manada e o efeito manada é sempre ignorante. Esse polo não pode ser definido por rótulos, ele abriga pessoas muito diferentes e que mudam de opinião quando encontram argumentos que as fazem refletir. Eles rasgam os rótulos para entender o que existe em cada um deles. Não se fixam a ideias preconcebidas, porque reconhecem a raiz de uma ideia, no momento em que ela aparece.

Por exemplo: quando alguém diz que é contra a doutrinação nas escolas e que os alunos devem filmar e expor os professores que eles consideram "doutrinários", o PLP grita: CENSURA! O PI não vai entender, porque não entende que o que está fazendo, ao expor professores é censura, acha que está apenas "combatendo a doutrinação". Só que, vamos parar para pensar: Se a pessoa está ouvindo um professor "doutrinar" e discorda dele, isso é mesmo doutrinação?

Vou facilitar e dar a resposta: NÃO! Doutrinação é quando alguém incute na mente de outra pessoa, por meios verbais e não-verbais, uma doutrina específica, por exemplo a da censura. O doutrinado, neste caso, não vai reconhecer que está sendo doutrinado, pois está sendo manipulado pelo medo. Então, quem está doutrinando quem?

Os professores, dos quais podemos discordar livremente, ou a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL), que está transgredindo leis e sendo seguida por uma manada de pessoas que ignoram o que é doutrinação? Não sei onde e como ela estudou, mas parece ter fugido da biblioteca, pois ela própria seria denunciada por doutrinação, pelo que ela faz em sala de aula.

Sabe o que é bom do PLP? Ele permite que você pense e reflita livremente, discordando abertamente da doutrinação, se assim desejar. Mas se opor à doutrinação, não é impor as suas ideias pelo grito. É abraçar a liberdade. E apenas temos liberdade, quando há respeito.

E respeito basicamente é: cuidar da própria vida e não meter o bedelho na vida alheia. Você pode até defender a censura, mas defenda-a para si mesmo. Você tem a liberdade de se censurar, mas não tente usar a sua régua para outras pessoas que não querem censura.

Com liberdade, você pode ser o que quiser. Mas seja você mesmo e viva o que você acredita.

Se você é contra a corrupção, ótimo! Comece não sendo corrupto. Se você quer violência, viva a sua violência, mas não agrida os outros. Você quer uma arma, use a sua arma para si mesmo, mas não aponte para quem não quer. Você é contra os direitos humanos? Então exerça sua liberdade de viver como um animal, explorado e manipulado, mas não se meta na vida dos humanos que querem seus direitos básicos garantidos.  

Quer ser contra a doutrinação? Então não doutrine.

Isso é liberdade, é exercer o pensamento livre, ao invés da ignorância.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Revezes de ano-novo - o retorno ;)

O caro leitor mais antigo talvez se lembre de uma tradição natalina, que costumava figurar no blog, de fazer previsões para o ano-novo. Mas nossas previsões, é claro, tinham o modo bizarro ligado, dá só uma conferida no nosso Princípio dos Revezes de Ano-novo:

"Todas as previsões feitas neste blog não se confirmarão. Dessa forma, fá-la-emos sempre ao contrário do que desejá-la-emos que aconteça, para garantir a minimização de coisas ruins de grande monta no ano vindouro. Esta determinação chamar-se-á: Revezes de Ano-novo".

Então, depois de ler os nobres escritos da tábula na qual foi postulado o Princípio dos Revezes de Ano-novo, vamos quebrar a banca e fazer as previsões para 2017! Só que, dessa vez, será um pouco diferente. Acompanhe!

Janeiro: Mês desagradável! Com milhares de turistas na ilha de Florianópolis, superlotando o trânsito, um grande incêndio se formará na Avenida Beira Mar Norte. Mais de mil carros estarão envolvidos. O incêndio se espalhará até atingir as duas pontes, única forma de acesso à ilha, pois a terceira ponte é só cartão postal, e todos ficarão isolados por dias. Muitos fracassarão na tentativa de fugir a nado e um apocalipse zumbi surgirá na ilha. As autoridades detonarão as três pontes, para prender todos os zumbis na ilha e somente um ser humano restará, com seu fiel cão pastor: Will Smith. Porque ele é a lenda!

Fevereiro: Mês zumbizento. As autoridades não contavam com a capacidade de zumbis atravessarem o canal do estreito até o continente. Os zumbis começarão sua conquista pelos habitantes de São José que, vocês sabem, vão demorar a entender o que está acontecendo, porque afinal, são de São José, não sabem nem dirigir direito. No fim do mês, chegarão a Blumenau, onde vão organizar uma grande festa zumbi, eliminando de vez a OktoberFest do mapa, para estabelecer a Zumbifest.

Março: Mês agourento. O carnaval será cancelado. Bem, não tem coisa pior para acontecer no mundo do que o carnaval ser cancelado, então milhares sucumbirão à única data que restará dos festejos de momo: quarta-feira de cinzas. Momo mesmo, perdeu 100 quilos e, consequentemente, o trono. Sua mulata virou feminista e nunca mais vai posar de biquíni ao lado dele, pois "a mídia que se exploda, eu não sou um objeto". Nenhuma outra mulata jamais posará de biquíni e salto alto novamente, pois "mulheres mandam e que se foda o que vocês pensam".

Abril: Mês descerebrado. Durante o mês de março, enquanto todos se lamentavam por não ter mais carnaval, o apocalipse zumbi chegou, devagar e sempre, ao sudeste do país. Aí, entraram numa rixa com os paulistanos, porque eles ficaram naquela lenga-lenga de "meu, cês não sabem o que é cidade grande". Obviamente, os zumbis nem ouviram o que os paulistanos disseram e devoraram seus, já pequenos, cérebros. Assim, foram naturalmente para o Rio de Janeiro, onde foi meio difícil devorar cérebros, pois o tráfico e a violência urbana já tinham devorado grande parte. Assim, com baixa resistência no sudeste, zumbis partem com tudo para tomar o restante do país.

Na fronteira sul do país, os humanos resistem, já que gaúcho é macho até debaixo de outro macho, diz o ditado. Mas uma infiltração de zumbis em meio ao charque, pega a República dos Pampas de surpresa e todo o cone sul, dependente de churrasco cai, inevitavelmente.

Maio: Mês do cão. Os zumbis chegam a Brasília. Não faz muita diferença no cenário da capital, mas podemos ver uma nítida melhora nos discursos do Senado e da Câmara. Como a cadeira de presidente estava vaga novamente, os zumbis elegem um cachorro zumbi como presidente do Brasil. Donald Trump envia um WhatsApp parabenizando-o pela posse. Logo em seguida, o serviço de WhatsApp cai no Brasil, levando grande parte da população não zumbi ao suicídio. Ninguém sabe o que aconteceu com os políticos de Brasília, mas acredita-se que muitos tenham se revelado zumbis, aproveitando a onda. Rolou muita selfie com zumbis, já que é moda, né?

Junho: Mês explosivo. O primeiro zumbi ultrapassa as fronteiras do pais. Os Estados Unidos, sob o comando de Donald Trump, declaram guerra à Venezuela, porque o zumbi chegou, não por causa do petróleo.

Julho: Mês da moda. Os zumbis dominam o setor de telecomunicações e aeronáutica e se espalham pelo mundo, criando uma grande moda zumbi. Humano que não é zumbi, entra na moda, só para não ficar de fora da onda. As autoridades políticas do mundo revelam que, na verdade, já eram zumbis disfarçados de humanos e mantinham o sistema capitalista e o modo de consumo ostentação para transformar as pessoas lentamente em zumbis. Todos comemoram a novidade, pois buscavam um sentido para suas vidas consumistas.

Agosto: Mês da rebeldia. Bem, todo mundo sabe que agosto é o mês do desgosto,assim, um grupo de loucos alternativos resolve ir contra a moda zumbi. Começam a usar capacetes de metal, inspirados no Magneto, para que os zumbis não tenham acesso a seus cérebros. A eles se unem as guerrilhas ambientais, que vocês sabem, são sempre contra zumbis, e tomam o poder em vários países. No Brasil, ninguém consegue destituir o cachorro do Planalto, então os zumbis continuam mandando.

Com os rebeldes no poder, o que era moda vai se transformando em démodé, e como ninguém quer ser démodé, quem se fingia de zumbi começa a buscar outra moda para se situar.

Setembro: Mês de virada. Uma lei árabe diz que durante o Ramadã, zumbis não podem se multiplicar. Mas não adianta muita coisa, pois acaba-se descobrindo que zumbis são mais ou menos como Gremlins: molhou depois da meia noite, multiplicou o bicho. A moda zumbi encontra seu declínio: humanos se revoltam contra zumbis, pois está faltando cérebros no mercado.

Outubro: Mês de guerra. Humanos, liderados pelos rebeldes se voltam contra a moda zumbi e decidem atacá-los com as forças armadas. Como todo mundo sabe, as forças armadas não funcionam nem contra o Godzilla, então é necessário criar um super-herói japonês, ao estilo Ultraman, para salvar o mundo. Também surgem os esquadrões super sentai e outros heróis cheios de chacra, cosmos, ki e energia espiritual, mas nenhum deles consegue, nem com uma super Genki dama.

Donald Trump, que estava em guerra com a Venezuela, decide que zumbis são os novos terroristas do mundo e determina que os EUA estão em guerra contra o terror. Atrasado, como sempre, somente chega, quando todos já foram derrotados e resolve posar de salvador do mundo.

Novembro: Mês subversivo. Finalmente, uma resposta efetiva ao apocalipse zumbi. As bruxas da ilha da magia, também conhecida como Florianópolis, o marco zero do apocalipse zumbi, saíram de seus esconderijos nas pedras e resolveram aplicar suas magias para salvar o mundo. Descobre-se que tudo o que os zumbis precisam é de um cafuné na cabeça e um livro pra ler, pois são seres carentes de amor e educação. Milhões de zumbis retornam a seus lares, tornando-se humanos melhores.

O serviço de WhatsApp retorna, mas não é mais o mesmo. Agora só circulam correntes fake e memes antigos e ninguém mais tem saco pra ler. Com isso, o WhatsApp decide encerrar suas atividades, após declínio massivo de usuários.

Dezembro: Mês de faxina. Com toda a bagunça que os zumbis fizeram pelo mundo, as autoridades políticas retomam o poder, como se nada tivesse acontecido. As bruxas voltam para suas pedras na ilha, afinal, os humanos são patéticos e elas têm paciência curta. Donald Trump anuncia o triunfo dos EUA na guerra e declara que, apesar da ameaça, mais uma vez o capitalismo e a sociedade de consumo se provaram fortes e venceram.

Por fim, declara que bruxas são terroristas e que suas ideias de amor e educação são comunistas e devem ser erradicadas, pelo bem da sociedade. E todo o mundo acata, como sempre.

E assim, temos um feliz ano-novo!