Minha rima é válida, porque é real. Basta ver um velho morrer no Ribeirão da Ilha pra já notar a mesquinheza do povo manezinho, esse que nasce na ilha de Santa Catarina, Florianópolis, para os menos chegados.
O defunto mal esfriou, às vezes o passante nem morreu, e lá vão os parentes procurar saber o que vão ter de herança. Nunca vi povo mais mesquinho nas minhas andanças pelo Brasil. Enriquecem à custa de herança, se desentendem por herança, matam por herança.
Trabalhar que é bom, aí é difícil, porque manezinho bom é manezinho preguiçoso. Reclama de tudo. A tainha alheia é sempre maior. Os turistas infestam nossas praias, mas vamos aumentar o valor dos aluguéis pra explorar o pobre coitado de férias. 200 reais um prato de peixe numa dessas vias gastronômicas. Vamos vender os terrenos invadidos e herdados para construir condomínio e ah, plano diretor, preservar a mata pra quê?
É, se fosse pelos manezinhos, a ilha de Floripa já teria virado a Ilha de Páscoa, inerte, sem vida, sem árvores, só com ilhéus "típicos" pra cobrar caro numa tainha xôxa e num hotel de besta. O atendimento ao cliente tão ruim que o cliente quase pede desculpa por comprar.
Esse é o manezinho.
Ah, mas você só foca na negatividade, deve ter coisa boa. Coisa boa só quando o manezinho vai embora da ilha. Porque daí, pode ser que ele tenha um choque cultural e comece a enxergar sua pequeneza diante do mundo e ser menos mesquinho.
Pois é, só que isso não acontece. Não com o manezinho. Olha bem, Floripa é um paraíso. Minha tainha vai ser sempre melhor que qualquer peixe metido a besta.
Então, é isso, não tem coisa boa. Nem manezinho morto é manezinho bom, porque os parentes, os mesmos que querem só a herança do defunto, só falam mal da criatura.
Eles dão um jeito de se autodestruírem.
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