sábado, 8 de junho de 2024

Por que sempre brigo com todo mundo - o rato interior de cada um

 Ontem, saí com alguns amigos para um rodízio de sopas. Um deles, engenheiro civil, está cuidando de uma obra cujos pedreiros dão muito trabalho, a despeito de seus esforços. E nesta semana, ocorreu uma briga entre dois dos pedreiros. O motivo: ignorância. 

A principal vulnerabilidade humana é a ignorância. Ignorar suas emoções, que são o principal condutor de seus pensamentos. As ações que o pedreiro que primeiro atacou tomou foram fruto de ignorar o que realmente ele sente em relação ao outro. Qual é sua necessidade? Dominar? Amar? Quer ser reconhecido? Ou apenas enxerga no outro algo que gostaria de ser e falha miseravelmente, por isso desconta sua frustração nele? 

A formação em engenharia falha em muitas coisas, a principal é que ninguém ensina a esses pobres profissionais que terão de ser psicólogos para mediar conflitos na equipe. Que trabalhar com acadêmicos é até fácil, pois eles são razoavelmente menos ignorantes emocionalmente. Mas trabalhar com trabalhadores de escolaridade baixa é extremamente problemático. 

É o nível mais baixo da roda dos ratos. Aquele nível em que eles apenas correm, correm e nunca chegam nem na ilusão de que vão chegar, pois são dependentes de seus vícios e paixões. Muitos são literalmente viciados, álcool, drogas, pornô, música ruim com péssimas mensagens (leia-se sertanejo popular e funk pessimista). 

Este blog não é nenhum meio de auto ajuda, pelo contrário. Estou aqui para provocar, distribuir tapas na cara, com verdades difíceis de digerir. E iningolíveis. 

Então se você é dessas pessoas que briga com todo mundo, esteja bem certo que o problema é todo seu. Você é a pessoa ignorante que implica por um copo de refrigerante, porque não reconhece que sente a necessidade de dominar. É uma criança frustrada que nunca dominou merda nenhuma na própria vida, por isso, esbraveja com todo mundo, culpando deus e o mundo por sua péssima educação e autopercepção. 

Se você briga com todo mundo, tenha certeza de que é uma pessoa patética. As pessoas inteligentes olham para você com pena. Você jamais será melhor que um pobre inseto tentando chegar na luz e morrendo ao se deparar com o calor dela. Você nem mesmo está pronto para a luz. Provavelmente a coisa mais perto de melhoria pessoal que vai conseguir será trocar seus vícios em álcool, drogas, pornô e música ruim por uma dessas igrejas evangélicas de brejo, que te oferecem a salvação fácil: basta acreditar e seu deus imaginário, benevolente, porém vingativo. 

Claro que existe outro caminho, mas este, uma pessoa ignorante, que briga com todo mundo por mesquinharia não está disposta a alcançar. Porque este caminho significaria abrir mão da fuga confortável dos vícios. Implica sentar-se e ouvir o que tem dentro de si. Entender seu demônios e começar a domá-los um a um. 

Ah... este é um processo lento, difícil e doloroso, conhecido como zen

O quê? Você achou que zen fosse calmo, lindo e tranquilo? Vou puxar seu tapetinho imaginário de conto de fadas. Não é. 

E é por isso que nunca tem muita gente praticando, meditando. Porque quando percebe que é dureza, pula fora, vai procurar a paz nutella, o mindfulness, Yoga na prática física, coisas assim que só iludem a mente com uma pseudopaz. Ou as igrejas cristãs com seus salvadores imaginários. Se você gosta de ser a eterna donzela em perigo que precisa de um salvador, seu caminho é este. Iluda-se com seu príncipe. 

Agora, se você quer mesmo dominar sua vida e suas emoções e não ser dominado por elas, o caminho é matar seu salvador e salvar a si mesmo. Matar metaforicamente, é claro, num processo de libertar -se desta ideia ilusória de que "alguém tem que me ajudar", "eu sou especial", "sou do povo escolhido". 

Essa ideia falsa e aprisionante de que sua vida depende de uma figura externa a você, mais poderosa, mais magnânima e mais inteligente, que vai te pegar pela mãozinha ou te carregar no colo quando você precisar. Isso, que você chama de deus, de guru, a figura da mãe, do pai, do chefe, do governo, do protetor, do salvador, não existe. É só sua imaginação. 

Claro que não é porque é sua imaginação que é falso. Pelo contrário. A imaginação é um ativo muito poderoso que os humanos possuem e que pode construir e destruir a si mesmo e ao mundo. E é por isso que devemos entendê-la e dominá-la. 

Porque se deixar a imaginação nos dominar, seremos eternamente os ratos correndo na rodinha, esperando chegar a algum lugar indicado por nosso salvador, o príncipe encantado, a mãe, o pai, seu deus, seu guru. Nunca botaremos a cabeça pra fora desta gaiola. 

A imaginação é um domínio humano e quando não a controlamos, são as convenções sociais que a controlam, a cultura popular incute imagens na nossa mente e nos tornamos apenas ratos obedientes. E temos até a ilusão de ter liberdade, pois o pão e o circo (leia como sextou, churrasco, álcool, drogas, pornô e música ruim) é permitido aos ratos no fim de semana. 

Então, se você quer continuar sendo um rato obediente e frustrado, que briga com todo mundo e acha que é porque a culpa é deles de te encherem o saco, continue correndo infinitamente, sextando obedientemente, alimentando seus vícios como um bom seguidor capitalista do consumo feliz. Continue sua vidinha de rato. 

Mas não sei... talvez você queira liberdade de verdade. Dói e é solitário, muitas vezes. Mas depois de algum tempo, a felicidade construída na verdadeira liberdade não morre, não depende de nada externo, é cultivada e mantida dentro de si. E ninguém lhe tira. 

A escolha é sua

domingo, 2 de junho de 2024

A liberdade de ser ninguém na fila do pão

 Ainda me lembro de uma figura comum nas tardes de domingo. Chamava-se Faustão e ocupava a grande da TV aberta em um canal bastante popular comum programa popularesco de auditório, Domingão do Faustão. Revelava artistas, tinha grande influência em suas carreiras. Logo, era disputadíssimo e brilhar no palco do programa era deslanchar na carreira. 

Isso em anos 1990, 2000, por aí. Depois, o programa foi caindo em desuso pela classe artística que passou a dispor da internet e das mídias sociais para se promover e se autopromover. 

Eu me lembro do Faustão, especificamente por uma frase que ele dizia: Um dia toda a plateia vai estar no palco e ninguém vai estar na plateia, pois todo mundo quer ser famoso. Ora, será que ele estava prevendo a ascensão dos influenciadores digitais? 

Obviamente ele não era tão digno de nota em sua capacidade cognitiva, então, acho que só o que ele queria dizer é: todo mundo quer ser famoso porque vê na TV esse "glamour" e acha isso bom. Acontece que as mídias sociais vieram para mostrar que a TV não importa mais tanto assim. E famosos aos milhares aparecem todos os dias. Tem muito famoso quem, mas também tem muita gente que não quer aparecer. 

Celebridades de internet ultra-nichadas. Quem nunca se deparou com o cartaz de um evento anunciando que Fulano, Ciclano e Beltrano vão estar lá e se perguntou quem eram? Hoje as celebridades são tão ultra-nichadas que, do nada, aparece um amigo hipster do seu lado, dando gritinhos de alegria porque Zé Fulano está no evento. E você achava que conhecia a bolha do seu amigo hipster, mas, de repente, se vê boiando sobre quem seria Zé Fulano. 

E por que saber quem é Zé Fulano é tão importante assim? - acabo me perguntando, pois justo eu, tenho ojeriza à ideia de celebridade, salvadores, endeusamento e idolatria. Só faz sentido saber quem é esta celebridade se você quer participar da bolha em questão. 

Ah... as bolhas. E o que são bolhas? Esses grupinhos que antigamente chamavam de tribos e só se identificava na adolescência. Mas agora que uma boa parte do mundo se esqueceu de crescer, a ideia adolescente de tribos se transformou em bolhas. Grupinhos que se identificam por um jeito de vestir, de falar, de se comportar, aparência similar, ídolos similares, ideias muito mais do mesmo similar. 

Comportamento de bolha, então, se torna tudo aquilo que essas pessoas fazem para se manter na bolha. E, acredite, são as coisas mais simples, como os canais de YouTube que seguem, e as coisas mais bizarras, como assassinar um cachorro e desenhar uma baleia na pele com estilete. 

Não são pessoas livres, pois estão na bolha e se a estourarem, serão afastadas com indiferença, bloqueio de perfil e até mesmo cancelamento online. O medo de não pertencer é constante e faz essas pessoas agirem como ratos em laboratório, hamsteres correndo em rodinhas até aceitarem que a bolha do Prozac é bem normal e bem-vinda. 

A ideia toda de identidade aprisiona estes seres, pois se forem excluídos da bolha, quem serão? O que farão de seu cabelo, o que vestirão? Que livros vão ler, que séries assistir? Com quem vão conversar sobre o mais novo episódio de Master Cheff, ou comentar sobre a mais nova tendência na cerveja artesanal? 

Quando você olha para os lados e vê apenas pessoas iguais a você, meu conselho é fuja. Fuja rápido e para longe. Sem olhar para trás. Porque sua vida vai ser só triste e monótona. Sua ilusão de pertencer vai te levar ao vazio criado pela identidade falsa. Você será apenas um falsário de si próprio. 

A liberdade não é concedida por ninguém, é tomada à força. 

É uma ideia da qual as mentes vivazes absorvem a essência repudiando rótulos, bolhas, identidades, similares, unanimidades. Toda unanimidade é burra, já dizia alguém muito importante que infelizmente esqueci quem é. 

Só tem liberdade quem tem coragem. Coragem de furar a bolha, de questionar a identidade, de abandonar seus rótulos e deixar de esperar likes e comentários nas mídias sociais para se sentir influenciador. Não vou usar o clichê de "ser quem você é", porque a maioria das pessoas infelizmente não sabe quem é, nem o que quer. Só sabe do que gosta e do que não gosta e isso não define ninguém. 

Gostar e não gostar é a receita para a eterna insatisfação e sofrimento. Se você apenas aceita o que tem para hoje, independente de gosto, se adapta e se move naquilo, buscando o que há de melhor, não no outro, mas em si mesmo com aquela situação, você domina as circunstâncias que causam o sofrimento. E aprende a ser livre. 

Liberdade é ser ninguém na fila do pão e amar isso. 

Quem se importa?

Este resumo não está disponível. Clique aqui para ver a postagem.

terça-feira, 28 de maio de 2024

Sobre o gozar e a dificuldade de se adaptar ao envelhecimento

 Sabe qual é o pior tipo de velho? É aquele que quando era novo tirava sarro dos mais velhos. Porque ele cresceu achando a velhice ruim. Cresceu achando que seria eternamente jovem e nunca mudaria. 

Mas, fato da vida é que ninguém neste mundo está ficando mais novo. E o adolescente que hoje tira sarro dos idosos, um dia será idoso também. A menos que morra, aí, pelo menos, vai ser um velho ranzinza a menos no mundo. 

O passar do tempo é de uma inevitabilidade marcante. Mas então por que nos apegamos à uma imagem tão breve quanto é a da juventude? Será que o ser humano é tão ignóbil assim a ponto de tentar parar o tempo? 

Tempo é como água, você pode tentar segurar nas mãos, mas não vai conseguir. Vai fenecer no processo. E quanto mais tentar, quanto mais se esforçar, pior vai ser seu fenecimento. Será um velho do pior tipo. Aquele que range os dentes porque os joelhos rangem. Que acha que é o único a sentir dores articulares e o peso da idade. Que anseia por um implante capilar, um novo tratamento antirrugas, um modo de deixar a próstata enxuta, hormônios para não perder testosterona, para superar a menopausa. 

O decaimento do corpo é sutil, mas nem sempre suave. É um encontrar-se branco onde era preto. Enrugado onde era liso. Frágil onde era forte. O broxável no imbroxável. 

E o gozo que antes era constante, saudável, jorrava e espirrava, agora é raro. E se não for é apenas falso. Pílula azul. 

O pior velho é aquele que queria, mas não goza. 

Porque aprendeu o gozar apenas no predomínio fálico e não transferiu o gozar para a vida inquietante e mágica. Porque em vez de apreciar, conviver, amar e se deslumbrar com o novo, dia após dia, reclamou, odiou o mais velhos e quando envelheceu, odiou por inveja os mais novos. Perdeu a chance de se surpreender com o belo no simples, com a nobreza na atitude serena e compassiva do aceitar que o tempo passa. 

E que o gozar muda de objeto. Se o objeto óbvio do gozo jovem era o sexo. Na velhice, o gozo é atitude, é a sabedoria, a nitidez que a experiência acrescenta sobre a vida. O simples entender que a ansiedade de estar sempre certo e querer resultados rápidos morre muito rápido. 

Na medida em que o gozo muda de objeto, entendemos que o prazer da vida é o simples viver. Encantar-se pela surpresa diária de se ser quem é, sem esperar ser o mesmo. Que estar sempre certo é um grande erro. E que resultados rápidos tiram o prazer da jornada do aprender. 

E que ninguém nem liga para você tanto quanto você gostaria. Você acha que todos te olham e te vigiam. Que comentam sobre você e te acham incrível ou detestável. E mostram comentários do Instagram para provar que sim, as pessoas se importam. Bem, a realidade é que se você excluir seu perfil, ninguém vai vir na sua porta perguntar o motivo. 

Ninguém se importa contigo por um tempo maior que um rápido clique. E se você acha isso cruel é porque nunca foi livre de verdade. Porque liberdade é agir como se ninguém se importasse. Ser o que se é, sem prestar contas, nem criar ou ter expectativas. 

Liberdade é gozar ao infinito, a vida inquietante, mágica e impermanente. 

Frequentadores de academia: personagens ou gente real?

Olha, já gostei muito de frequentar a academia. Aquela de ginástica, não a de cérebros. Mas hoje, depois das lesões nos joelhos, tenho tido repetidas tentativas de retornos e desistências, porque a motivação que eu tinha antes das lesões, miou. E motivação é tudo, te dá energia, alegria, mesmo na contrariedade. 

Hoje, a única coisa que me diverte na academia é observar as pessoas, um hábito que adquiri desde criança e hoje atribuo ao meu autismo. Eu não sabia como me comportar, então observava e copiava. Com o tempo, passei a entender mais de gente, fui para o teatro e comecei a escrever histórias de ficção com centenas de personagens. Me interessei por psicologia. 

E assim, minha observação de pessoas passou a ser mais técnica, mais profunda. A academia é um lugar fascinante de observação e reitera algo que eu tinha observado em retiros de silêncio: todos acham que estão sendo observados pelos outros, mas ninguém olha para ninguém, apenas para si próprio. 

Isso é muito curioso! Fica bem evidente na vestimenta, maquiagem, olhares furtivos, inclusive no espelho. As pessoas querem ser notadas. Mas não se esforçam para enxergar os outros. A menos que seja para criticar. Aí...

Vamos aos personagens
Tem um rapaz na academia que frequento que entre os próximos foi apelidado de GI Joe. Sim, aquele bonequinho militar dos comandos em ação, uma franquia de brinquedos que virou desenho e filme para catapultar as vendas. 

E porque o apelido? Primeiro, porque, de acordo com o que eu soube, ele é um entusiasta das forças armadas. Usa umas roupas camufladas, tem um jeitão marrudo e gosta de conversar sobre forças militares. Mas ele não é militar. Dois militares veteranos que frequentam a academia já conversaram com ele e atestaram que o cara é só um fanático, não tem nenhum histórico em nenhum órgão militar. 

Daqueles militares de boutique. 

O que leva ao segundo motivo: as roupas que ele usa. Bem aí, eu comecei a chamar a figura de GI Joe Barbie, porque ele vai dos camuflados aos microshorts colados na cor branca, de um dia para outro. Usa um mp3 player rosa e um óculos vermelho, mesmo dentro da academia. Aparentemente, calças coladas são muito seu estilo. E coladas daquele jeito que dá até para saber se a pessoa tem uma ou duas bolas. 

Ou seja, a figura é só estilo! Uma mistura de GI Joe e Barbie, duas influências muito distintas para um personagem apenas. Mas seu comportamento também é digno de nota: nos dias mais inspirados, ele puxa cargas altas e depois de soltar, ele berra com o aparelho. 

Ele nunca vai saber, mas ir à academia e observar o figurino do dia do GI Joe é uma motivação muito importante para essa atividade tão chata. Como disse, adoro observar pessoas e ver nelas, personagens, me deixa realmente com mais animação do que as músicas puntz puntz que insistem em tocar nesses lugares. 

Hoje, vi uma senhora que aparenta ter já seus 60 anos, com uma roupa macacão estampada. Muito compenetrada em seu treino, parecia uma hard worker, com seu fone de ouvido e celular rolando vídeo, sem se distrair com ele. Tem outra senhora, de 86 anos, que faz musculação e Karatê. E tem as moças, de vários estilos: as gordinhas que querem emagrecer; aquelas com personal que parecem sementes de atletas; aquelas "bumbum na nuca" que vão bem maquiadas com roupas coladas e curtas; aquelas mais simplonas, tipo camiseta e calça. 

De homens, tem alguns senhores cabeça branca: uns bem fortinhos; outros barrigudos. Tem alguns veteranos fortes também. Mas a maioria é de rapazes em busca de shape. Uns mais discretos, do tipo short e camiseta e outros do tipo selfie no espelho, regata bem cavada. Tem um rapaz, cabelos encaracolados e óculos, camisetas nerd. Vai todos os dias bem cedo. O que prova que nerds não derretem se vão para a academia. 

Estas observações me ajudam um pouco a diminuir o tédio absoluto de continuar frequentando a academia, pois minhas motivações que uma vez eram: vou estrelar uma peça de teatro musical; vou fazer um endurance; vou fazer o Caminho de Santiago; hoje são apenas: vou fazer esta merda para tentar adiar a artrose até os 60 anos. 

Não é uma boa motivação, confesso. Mas não existe teatro musical para cadeirantes. O mundo é cruel com aqueles que não têm saúde. Por isso, se você tem, esforce-se para não perdê-la. Porque uma vez perdida, recuperar é mais difícil, e por vezes, impossível. 

sábado, 25 de maio de 2024

A moda de mendigar na internet

Estava lendo um artigo sobre psicologia humana e ao final, na sessão de comentários, me deparo com o quê? Um comentário mendicante: 


Além do despropósito de o comentário estar em um artigo que falava sobre vingança, ou seja, nem mesmo entrava no assunto assistencialismo ou qualquer coisa parecida, a mensagem em si me chamou atenção pela absoluta dificuldade de a pessoa que escreveu nem mesmo conseguir se expressar propriamente em uma frase razoavelmente construída. 

Fiz apenas uma breve investigação e encontrei o mesmo comentário em outro site, já com um nome diferente: 


Neste, chama a atenção que a pessoa que escreveu, fez questão de errar também o nome, ou seja, será uma estratégia de "fazer-se de pobre miserável"?

Talvez, mas vejo os mendigos de rua com seus cartazinhos feitos em papelão de caixa muito mais bem escritos, com erros ocasionais, ok, mas com frases compreensíveis, tipo: "Fome. Ajude um desempregado pai de 5 filhos". 

Bem, nesta de buscar a mensagem mendicante, vi que a BBC escreveu um artigo sobre a mendicância pela internet. E a frequência com que isso mascara golpes: 
'Estou passando fome, faz um Pix': como pedidos de doação se multiplicaram nas redes sociais

A matéria enfatiza que "A análise de mais de 1,5 mil tuítes de 181 usuários que pediram doações via Pix num período de 15 dias em julho deste ano revelou que ao menos 4% dos perfis e 10% das postagens tinham "alta probabilidade de comportamento automatizado". Ou seja, muito provavelmente, são robôs programados para pedir doações nas redes." 

Lógico que, pela análise, percebemos que a maioria dos pedidos mendicantes pela internet são reais. Só que para ser bem sucedido, um pedido desses deve viralizar e viralizar é algo que não acontece com todo mundo, logo, nem todo mundo que mendiga pela internet consegue bons resultados. 

Já quem mendiga no mundo real, semáforos e afins, até que consegue uma grana, de moedinha em moedinha, paga seu aluguel, compra sua comida, fralda para os filhos, já ouvi vários casos. A moda de mendigar na rua é vender paçoca contando uma historinha triste. Tem até mendicante empreendedor. Ele inova: vende paçoca com um texto diferente. Algo do tipo: não estou pedindo o peixe, estou usando a vara (prá se ver que o empreendedorismo, ou melhor "empreendedorismo" também virou modinha. Sobre isso talvez eu fale em outro post. Ou talvez não. Só se me der vontade.) 

Claro que tem os mendicantes golpistas e já me deparei com alguns. Um texto muito bom, ensaiado, mas a memória curta. Porque quando vem até você e você já viu aquela figura pedindo e dizendo que morava em um lugar e tinha tantos filhos e um problema na perna e dois anos depois, o discurso é o mesmo, mas a doença e os personagens são diferentes, você fica na desconfiança. 

Uma delas comecei a chamar de a eterna grávida: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Oito meses depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Dois anos depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer." Até que vi a pessoa comprando droga na esquina do lugar onde costumava pedir. A barriga tava sempre lá, ela não tinha filhos e mendigava para comprar drogas. 

E pela internet, você só vê o que o mendicante quer mostrar. E pode ser que não seja real, quem vai saber. Joãozinho é meu filho de quatro anos e tem uma doença raríssima que precisa de uma cirurgia urgente que custa 600 mil reais. A foto do Joãozinho é comovente. Três anos depois, a corrente ainda circula: ajudem o Joãozinho, tem quatro anos, uma doença rara, precisa de uma cirurgia urgente. A mesma foto comovente. Aí você se pergunta: Joãozinho está na Terra do Nunca? Nunca cresce?

Olha, não estou dizendo para não ajudar, não doar, não ter compaixão. Estou alertando para quem se comove: pesquise os antecedentes. Vai atrás da informação correta, das fontes reais. Se interessa, vai conhecer. Não cai naquela falácia de doar não importa a quem. Importa sim! Porque você pode escolher ajudar alguém que realmente precisa. Eu sempre recomendo procurar ONGs para doar. Porque elas conseguem ser abrangentes, ter transparência e idoneidade. A ONG certa faz um trabalho que se multiplica por muitas pessoas, enquanto que ajudar uma só pessoa pode ser só assistencialismo. 

Hoje existem plataformas de vaquinha online, onde as pessoas podem criar uma campanha para arrecadar doações. Mas elas também precisam de divulgação e se não viralizarem, não arrecadam grande coisa. E também há fraudes nestas vaquinhas, há pessoas que criam vaquinhas com justificativas estranhas (vide caso Bel Pesce), enfim, há humanos e humanos. 



domingo, 12 de maio de 2024

Bizarrices do desastre no Rio Grande do Sul

Depois de acompanhar muitos desastres e analisar a atuação dos órgãos de resposta e principalmente os de comunicação, certas coisas passam a ser tão repetitivas que ficam irritantes. E agora, com esse grande desastre no Rio Grande do Sul, com as chuvas que causaram enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos, às vezes dá vontade de distribuir marretadas de conhecimento, para cessar a ignorância alheia. 

Vou listar: 

1. Sempre tem oportunistas no desastre

Políticos, influenciadores digitais, empresas privadas, até mesmo acadêmicos oportunistas, veja bem! Nunca se interessaram por defesa civil e de repente são solidários e começam a falar em prevenção, reproduzir uma palavra aqui, outra lá de defesa civil e com toda a cara de pau do mundo, posar de herói. 

O principal objetivo dos oportunistas é posar de herói, pois de acordo com o manual do marketing, o mito do herói ainda está em alta. Se emocionam, disponibilizam seu pix para receber doações, enchem um caminhão com doações e uma equipe bem preparada de vídeo e fazem aquela cena para se promover no sofrimento alheio. 

Vide: Pablo Marçal, o próprio governador do RS, aquela prefeita do RS fazendo vídeos na chuva, Esperidião Amin, Astronauta Pontes e Sérgio Moro naquela PL ridícula que mostra que nenhum deles conhece a legislação já existente. E muitos outros fulanos que fizeram posts e stories. A incompetência no desastre aparece na ação destes oportunistas. 


2. Toneladas de doações inúteis

Um grande erro é doar qualquer coisa, porque "eles não têm nada". Aí chega calçado sem par, sem sola, sem cadarço, velho, fedido e sujo. Roupa de cama com sarna, colchão mofado, roupa velha, rasgada, suja. Comida vencida, vide Coca Cola, Tyrol. Comida inútil: Danone (como vai distribuir um caminhão de iogurte, que precisa de refrigeração em uma área que mal tem energia elétrica para o básico?). Essas empresas só doam para abater do imposto de renda, por isso enviam qualquer porcaria. 

Doação não é descarte! Mas na hora de posar de herói, a foto não registra isso. 


3. Acadêmicos com propostas mirabolantes e "inovadoras"

Ah, o ego acadêmico é algo a ser estudado. Uma certa professora da UFSC, pesquisadora de governança, nunca pesquisou desastres na vida, aí, de repente apresentou a governança como a solução de todos os problemas da Defesa Civil. Um pouquinho de realidade nesta mente esquizofrênica, né? 

Nesta hora, os agentes de Defesa Civil levantam aquela sobrancelha e só lamentam, porque a pessoa ainda insiste que seu modelo é universal. Nesta onda, vi muito projeto de banheiro seco ganhar premiozinhos de sustentabilidade, porque implantam na comunidade X e olha só, funciona? Só que funciona por alguns meses, até a comunidade sacar que terá de fazer ela própria o manejo da merda toda. Aí, abandonam o banheiro seco. 

Foi sustentável? Não. Foi útil? Não. Virou lixo muito cedo? Sim. Assim como muitos projetos de acadêmicos iludidos e esquizofrênicos. 


4. Vou pegar um bote e ir lá salvar as pessoas

Quando precisa, você tem que ajudar. Mas se você não sabe o que fazer, não faça nada. Esta é uma regra básica de primeiros socorros. Primeiro você cuida de si, depois cuida do outro. É a fala da comissária de bordo no avião: primeiro coloque a máscara em si, depois no outro. Porque se você não cuidar de si, vai se expôr ao risco e vai virar mais um precisando de ajuda. 

Aí, aqueles fulanos comentando nos posts: "cadê os empresários que têm helicópteros para resgatar estas pessoas?" Tipo... oi? Desde quando um piloto comercial virou resgatista? Ele não tem treinamento, nem equipamento, vai só se expôr ao risco, arriscar a vida dos que precisam de ajuda e pode ainda atrapalhar as equipes verdadeiras de resgate. 

VIDE: Luciano Hang e vários outros que não me dei ao trabalho de ver. 


5. A cobertura da imprensa explorando a emoção 

Eu tenho uma palavra para isso: lamentável. William Bonner de camiseta preta à lá Zielenski, entrevistando o governador gaúcho, Eduardo, com camiseta branca, à lá Zielenski, falando baboseiras sem fim, como se estivessem em campanha política. Anos de incompetência e descaso com a defesa civil não é o assunto porque isso é falta de empatia com a dor do momento. Foi o que o governador respondeu ao André Trigueiro, um jornalista muito melhor que Bonner, ao ser perguntado sobre as políticas de prevenção. 

Falta de empatia, caro governador, é sua incompetência em estruturar a defesa civil. Falta de empatia é botar a culpa nas chuvas, como todo incompetente se vitimizando e jogando a responsabilidade para um fator externo. Falta de empatia é sua cara de pau de posar de herói falando besteiras sobre meio ambiente e zero entendimento de defesa civil. 

E Fantástico, que patético aquele texto narrando o desastre, "a água como vilão da história". Ora, francamente, vão estudar desastres! 


São tantas as bizarrices do desastre no RS que nem quero continuar daqui. Este assunto me deprime. 


sábado, 11 de maio de 2024

Cada um tem o umbigo que merece

 Tem uma coisa no ser humano que se você observar, vai começar a perceber e vai achar patético. 

Ah, sim, os seres humanos são muito patéticos. 

Porque eles se acham o umbigo do mundo. Sempre pensam que todos estão olhando para ele, sabendo o que eles sabem, agindo como se soubessem quem ele é e o que faz, como se fossem a pessoa mais importante do universo. 

Comecei a notar isso em um retiro de silêncio. Eu observava as pessoas, mas não no grau de interesse de saber o que estavam fazendo, mas com interesse em conhecer quem eram pelos gestos, pelo que fazem quando não podem falar e quando ninguém está olhando. 

Só que quando começaram a falar no final do retiro, percebi que várias pessoas achavam que estavam sendo observadas o tempo todo. Que os outros sabiam o que elas estavam fazendo. A princípio, achei aquilo curioso. Eu me sentia muito à vontade, não via olhares sobre mim. Depois, fiquei preocupada, será que observam mesmo? 

Então, percebi que a maioria não está nem ligando para o que os outros fazem ou como se parecem, mas acham que estão sendo observadas. 

E em minha mente criei a teoria do umbiguismo. Obviamente deve haver estudos psicológicos de comportamento neste sentido. Mas eu apenas guardei a teoria para mim, não pesquisei sobre isso em profundidade. Sei que o processo narcísico é importante para o crescimento, mas nunca tinha pensado no narcisista em cada um de nós mantém na vida adulta em graus variados. 

E então, certo dia ouvindo a palestra de um lama, ele narrou sobre um outro lama que apesar de seu enorme conhecimento e anos de monastério, quando o Dalai Lama visitava o mosteiro, mesmo sendo amigo pessoal dele e convidado a ficar ao seu lado, no alto, onde os palestrantes ficam, ele se recusava. Ficava lá fora, junto com os leigos, longe dos holofotes. 

Não era um ato de esnobar a hierarquia, o poder, nem mesmo era um ato de humildade. Ao ser perguntado porque não ia para o lado do Dalai Lama, o outro lama respondeu o seguinte: eu conheço meus defeitos. Sei que se estiver lá, ao lado de importantes figuras, vou me preocupar com que as pessoas pensam de mim ali. E enquanto não domar essa vaidade, não posso sucumbir a ela. 

A maioria dos humanos não tem esse nível de esclarecimento e autoconsciência. São vaidosas e quando se dão conta disso, ficam ainda mais vaidosas, entram numa onda de auto-empoderamento baseado apenas em imagem. 

Isso não seria problema se não toldasse os olhos das pessoas para o que verdadeiramente importa. O umbiguismo julga: isso se parece comigo, gosto; aquilo não se parece, não gosto. 

Criamos bolhas e permanecemos dentro delas, com os olhos fechados, dentro de nossas ilusões. Alguns vão dizer que é Matrix, mas Matrix é apenas arranhar a superfície. A cobertura de Nutella da realidade. Porque dentro da Matrix tem um outro sistema umbiguista, não é um sistema liberto de vaidades. 

O libertar-se de vaidades não é aquilo que muitos afirmam: "Sou assim, não me importo com o que os outros pensam". Porque quando a pessoa afirma "Sou assim", ela já está mostrando sua vaidade. E o não umbiguismo seria: Não sou nada. 

Ontem, discuti com uma cientista com a mente fechada. Tentou me ofender, dizendo que meu conhecimento não era válido, que eu não havia entendido um determinado conceito, porque discordei de sua ideia sobre os limites daquele conceito. Disse a ela que havia os limite do conceito, por isso ele não era aplicado universalmente como ela imaginava. 

Ela não quis nem refletir sobre isso. Do alto de sua arrogância, disse que seu campo de pesquisa resolveria todos os problemas da minha pesquisa. Só que ela nem sabia o que eu pesquisava. Imaginou, se iludiu, mente fechada, não curiosa, cheia de julgamentos e achismos, não quis nem saber. 

Em certo momento, ela achou que encerraria a conversa dizendo que eu não deveria estar em tal grupo, pois não entenderia o que discutiriam lá. Eu, que nunca tive a intenção de participar de tal grupo, disse simplesmente que ela tivesse respeito pelo campo de pesquisa que estava adentrando e que não era área dela. Que mantivesse a mente aberta para perceber os limites de sua própria área, ao tentar a conexão com um campo que não dominava. 

E disse que havia observado sua comunicação desde o princípio, desrespeitosa, cheia de achismos e julgamentos e que não era esta a postura que eu esperava de um par científico. A ciência não tem espaço para achismos. 

Com certeza, não tenho nem a intenção de mudar a ideia dela sobre nada. Não tenho essa ilusão. Quer ampliar seu horizonte, venha com a mente aberta. Não quer, fique aí, nas suas ilusões e não atrapalhe. 

Ninguém muda ninguém, ninguém observa ninguém. A maioria das pessoas não dá a mínima para as outras, mesmo que pensem estar sendo observadas por serem muito importantes. 

E todo mundo tem o umbigo que merece. 


quarta-feira, 1 de maio de 2024

A ilusão de que trabalho enriquece

Estava analisando uma entrevista em que, dado momento, o entrevistado, um senhor distinto, militar, conservador, com linguajar simples, porém com arroubos de sofisticação, se refere a um assassino que matou crianças em uma creche como "aquele marginal". 

Então, passado o trabalho de análise, "aquele marginal" não saiu da minha cabeça. O sujeito, branco, militar, cargo importante, influente politicamente e em suas bolhas sociais já tinha se referido anteriormente à questão indígena com um discreto desprezo. E "aquele marginal" confirmou que seu verniz de pessoa importante era só a fachada do que representa uma boa parcela do povo, brasileiro ou não: 

garanto meus privilégios e os da minha bolha social, o resto é "aquele marginal". 

Indígena não compra imóveis, só pede suas terras de volta, então são "aquele marginal". Favelados, descendentes de escravizados não compram imóveis, então são "aquele marginal". 

Mas o mais interessante é que "aquele marginal", o assassino de crianças na creche era branco, vindo de uma família estruturada, pessoa "de bem". 

Talvez nazista, talvez psicótico, com acesso pela internet a bolhas bem específicas de muito ódio. Talvez o assassino quisesse cobrar a vida de crianças porque ele próprio não tinha mais o direito a uma creche com hora do soninho, em vez do trabalho assalariado que, segundo prometeram, traria a riqueza e o poder. 

Enfim, "aquele marginal" é qualquer pessoa "de bem" que, metida em uma bolha, alucina que o mundo está contra ele. Pode ser você, pode ser eu, pode ser qualquer fulano neste mundo. 

Tem um estudo baseado no Experimento de Aprisionamento de Stanford, que mostra que não é preciso muito estímulo ou muita realidade para uma pessoa "de bem" virar um maníaco assassino. Basta se perder em sua bolha. 

E como seres humanos, sempre fomos bolhosos, não é prerrogativa da sociedade atual. Então, talvez devêssemos ser menos humanos. Transitar entre bolhas, estourar bolhas, perceber como elas se movem. Mas, não se faça superior por isso, porque você vai perder sua humanidade: deixará de pertencer, de ser bairrista, de usar a mesma linguagem e mesmos argumentos dos outros. Vai ser o diferentão. 

Mas perdendo sua humanidade, você ganha toda a natureza que está fora da bolha. É mais ampla, é mais sábia, é mais livre. Poucos aguentam, se você não tem coragem, nem tente. 

Ah, mas é solitário... Sim, talvez seja. Mas, você às vezes esbarra em outras pessoas que não são mais cabeça de bolha e aí, começa a perceber que não é o diferentão, a bolachinha dourada do pacote especial do universo. Você é é mais um na multidão. E isso é o que te dá a liberdade de ser o que quiser ser. 



Manezinho, povo mesquinho

 Minha rima é válida, porque é real. Basta ver um velho morrer no Ribeirão da Ilha pra já notar a mesquinheza do povo manezinho, esse que nasce na ilha de Santa Catarina, Florianópolis, para os menos chegados. 

O defunto mal esfriou, às vezes o passante nem morreu, e lá vão os parentes procurar saber o que vão ter de herança. Nunca vi povo mais mesquinho nas minhas andanças pelo Brasil. Enriquecem à custa de herança, se desentendem por herança, matam por herança. 

Trabalhar que é bom, aí é difícil, porque manezinho bom é manezinho preguiçoso. Reclama de tudo. A tainha alheia é sempre maior. Os turistas infestam nossas praias, mas vamos aumentar o valor dos aluguéis pra explorar o pobre coitado de férias. 200 reais um prato de peixe numa dessas vias gastronômicas. Vamos vender os terrenos invadidos e herdados para construir condomínio e ah, plano diretor, preservar a mata pra quê? 

É, se fosse pelos manezinhos, a ilha de Floripa já teria virado a Ilha de Páscoa, inerte, sem vida, sem árvores, só com ilhéus "típicos" pra cobrar caro numa tainha xôxa e num hotel de besta. O atendimento ao cliente tão ruim que o cliente quase pede desculpa por comprar. 

Esse é o manezinho. 

Ah, mas você só foca na negatividade, deve ter coisa boa. Coisa boa só quando o manezinho vai embora da ilha. Porque daí, pode ser que ele tenha um choque cultural e comece a enxergar sua pequeneza diante do mundo e ser menos mesquinho. 

Pois é, só que isso não acontece. Não com o manezinho. Olha bem, Floripa é um paraíso. Minha tainha vai ser sempre melhor que qualquer peixe metido a besta. 

Então, é isso, não tem coisa boa. Nem manezinho morto é manezinho bom, porque os parentes, os mesmos que querem só a herança do defunto, só falam mal da criatura. 

Eles dão um jeito de se autodestruírem. 

domingo, 21 de abril de 2024

Quando a felicidade é comprar e o mito do mindfulness

No post anterior, eu falei sobre a paz mundial relacionada à liberação do sexo anal e este assunto é só mais um dos que eu considero essenciais para a construção da paz. Agora, este blog se chama Universo Bizarro, então, você pode levar a sério o que digo, ou fuder para isso e dar umas boas risadas. Qualquer um dos resultados tá valendo. 

Na busca por entender a paz, inevitavelmente passamos pela análise do ser humano, esta figura complexa e completamente descartável para o mundo. Sim, descartável. Se a raça humana se extinguisse de repente, o mundo continuaria numa boa, na verdade, bem melhor. Somos descartáveis, muito mais do que as formigas, as abelhas e com certeza muito mais que os vermes. 

Você pode ler isso com uma sensação niilista depressiva ou com uma sensação de liberdade, a escolha é sua. Como eu odeio os niilistas, fico com a sensação de liberdade. 

Coisa mais boa saber que nada nem ninguém depende de mim! Que estou livre para escolher o caminho que for e que o impacto disso na vida dos outros é insignificante! Ahh... liberdade é isso. 

Mas, tem gente que acha que liberdade é ter dinheiro pra comprar tudo o que quiser. Eu não as recrimino (muito) por isso. Mas vejo como são tapadas. Porque dinheiro é uma prisão. Olha só a sua vida: quando você era criança e não lidava com dinheiro, você era bem mais livre do que é agora, como adulto, não é? 

Não tinha que vender seu tempo, agradar pessoas tolas, cumprir metas estúpidas, vender produtos que ninguém quer, ou cumprir burocracias que ninguém gosta. Isso tudo por dinheiro. 

Aí, se você ganha bem, tem dinheiro, faz aquela viagem legal, gasta tudo em hotel, comidas, roupas caras, carro novo, uma casa luxuosa, serviços de entrega, streaming, atendimento em domicílio, etc...  Mas apenas no seu parco tempo livre. Cadê a liberdade? 

E se você não ganha bem, o que é a realidade da maioria, digo, 95% da população brasileira, você não vai ter nem dinheiro suficiente, nem tempo para liberdade, você é um pobre assalariado em regime semiaberto. Vai pra casa apenas para dormir. 

E aí mora num cubículo empilhado, também chamado de apartamento, no qual não pode nem abrir as janelas, porque o prédio da frente é tão próximo que seu vizinho poderia opinar sobre a cor de suas meias se suas cortinas estivessem abertas. O condomínio é cheio de regras, não pode nem pendurar a roupa no varal. Não tem um jardim, a menos que haja um gramado para os cães cagarem. E tudo o que lhe resta para o lazer no seu parco tempo de folga é comprar. 

Sair pra comprar, ou comprar em casa, tanto faz. Você compra o streaming para maratonar séries por horas a fio (e falavam que a TV de antigamente abitolava o cérebro), compra a comida pronta, entregue na sua porta, compra a rebimboca da parafuseta e o serviço do encanador pelo site de compras online. 

E se sai... bom, você provavelmente não vai a um parque ou a uma praia. Sai para comprar. Porque a sensação de estar fazendo algo útil é maior (já leu Domenico De Masi?). O tempo de ócio, o tempo "inútil", em que você apenas se deita no gramado ou na areia e fica olhando o céu, sem fazer absolutamente nada é errado! É pecado! O que diria seu chefe, sua família, seus amigos? Que você é vagabundo, vive chapado, não leva nada a sério, veio ao mundo a passeio. 

Eles não diriam que você é feliz por contemplar o céu no seu tempo livre. Mas diriam que você é feliz porque comprou um carro novo

Porra, tenho tanto ódio de gente assim que mal consigo continuar escrevendo. Mas vou continuar, porque tenho compaixão por você, pobre ser abitolado no mundo das compras, a pretensa felicidade enfiada na sua cabeça por sua bolha social. 

Comprar não traz felicidade. Traz dívidas. Você tem uma liberação momentânea de dopamina e só. Depois você volta a buscar mais itens para comprar, porque a sensação de prazer já passou, é muito fraca, é muito pouca. E você se vicia em compras, em streaming, em comida rápida, em consumo veloz. 

Sabe, é por isso que a geração de hoje acumula menos dinheiro que as anteriores. Gastamos mais com prazer do que com bens. Não digo que isso é ruim, pois considero ambos os gastos, bens e prazer, uma ilusão. Ilusão de felicidade, de poder, de prazer. Gente, sério, se vocês fizessem sexo com pessoas significativas, aquelas que amam vocês de verdade, não teriam tanta fome de prazer falso. Se vocês tivessem um senso de espiritualidade, aquele êxtase espiritual, ou religioso que se experimenta na completude não material, vocês teriam felicidade a longo prazo. 

Hoje falam muito sobre viver o agora, o poder da presença, mindfulness, mente presente, mas entendem tudo errado. Porque mindfulness virou um negócio, um produto chulo, vendido por falsos gurus, profetas do agora, da felicidade instantânea. E outra vez, você compra a felicidade. 

Mindfulness é uma versão nutella bem barata de zen, de Budismo, saibam disso. Mas na sociedade cristã puritana, Budismo deve ser pecado, porque acham que Buda é uma espécie de Deus que rivaliza com o tal barbudo monogâmico patriarcal, então, cortaram a raiz e a filosofia do que chamam de mindfulness e resolveram ensinar o poder do agora, a mente presente sem filosofia. 

Só senta e curte a vista. Como um retardado qualquer.

Pronto, você comprou a felicidade mindfulness e pode se considerar feliz, porque funciona por um tempo. Mas como tudo que é vazio por ter sido arrancado de suas raízes, funciona por pouco tempo. A mente humana, essa danadinha, é inquieta e começa a se questionar: ok, é só isso? E logo, você estará querendo mais e mais. Vai pagar retiros caros de Yoga com mindfulness, fazer viagens à Índia onde conhecerá ashrams mágicos de cura ayurveda e vai voltar vestindo roupas baratas e coloridas cheirando a incenso. 

Outra vez, você comprou a felicidade. Mas é um produto, a dopamina da aquisição dura pouco. 

Percebeu que é um ciclo sem fim? 

Você não pode comprar a felicidade! Porque a verdadeira felicidade te liberta. Você se sente livre, não preso a um monte de dívidas e a necessidade de estar sempre em um lugar assim ou assado, com pessoas zés ou marias. Você é feliz por si, zerou suas carências afetivas, zerou sua fome de tudo, suas expectativas e nem por isso está doente, em depressão. Não espera nada, não quer ter nada, mas é feliz.

Sim, isso existe. Mas não vou entregar o caminho, porque não existe um caminho. Existem vários e cada um deve seguir o seu, na medida em que caminha. Ter a mente aberta e a percepção de liberdade, o objetivo de se libertar, sempre à frente. Não mais aceitar as coisas, as opiniões sem questionar, mas nem por isso se tornar um chato, reclamando de tudo e de todos. Não é se bastar, nada disso. É perceber que você é só uma migalha no universo e ao lado de todas as outras migalhas, forma um pãozinho. Sem a pretensão de ser alguém importante, você descarta o seu ego, construído por valores sociais feitos para deitar as pessoas em cabrestos. 

Os valores sociais só existem para te tornar infeliz e escravo da busca por sanar suas carências que jamais serão sanadas. 

Cabe a cada um questionar o que te aprisiona e romper suas próprias algemas. Não adianta buscar no outro um salvador, nem deuses te salvarão. No máximo, eles te ajudarão a refletir. Mas se você não provocar sua mudança, ninguém fará. 

Ser feliz é perceber que somos menos importantes que insetos neste mundo e não se chatear com isso. 


sábado, 20 de abril de 2024

O caminho para a paz mundial pela verdade sobre sexo, testosterona e fuder para regras e algoritmos

Vocês fazem ideia que este blog já tem 20 anos? É o auge da testosterona para um jovem, pequeno padawan! Mas, o auge da testosterona não significa melhores experiências. Talvez mais, talvez mais rápidas. Melhores, hahaha, no. 

Então, vamos falar de sexo. Porque parte das pessoas que buscam no google por "bizarro", buscam "sexo bizarro" e este blog tem devido muito neste assunto. Um assunto tão banal, trivial, sexo, a origem de muitos seres. E devido aos algoritmos puritanos das mídias sociais, quando se fala em sexo e correlatos no youtube e Instagram tem que falar em uma linguagem cifrada, tipo, s3x0, para não ser punido pelo algoritmo puritano amém. 

Só que aqui no UniB, estamos fudendo para o algoritmo, para o número de curtidas ou seguidores. Nem leitores nos interessam. Se você está lendo isso, parabéns, não dou a mínima pra você. Estamos há 20 anos online, cagando e andando para a popularidade e tendemos a continuar assim e piores. Porque decidimos envelhecer no modo Dercy Gonçalves, a musa insuperável da velhice "tô fudendo para regras". 

E por que quero falar de sexo? Porque me deu na telha. E porque acho um assunto subvalorizado. 

Quando se fala em sexo com gente subdesenvolvida sexualmente, eles riem, fazem piada. Ou, os reprimidos se fazem de escandalizados. As donas de casa belas, recatadas e do lar são contra. Mas lá no fundo da gaveta da cozinha guardam a trilogia dos Cinquenta tons de cinza e aquelas safadezas literárias do gênero pornô para donas de casa. 

Eu sei, porque escrevo. Escrevo muito de tudo. Inclusive ficção. Lógico que meus trabalhos profissionais não cagam para regras, porque a lei capitalista é simples: resultado = grana. E resultado literário é leitores e influência, curtidas, cliques, escrotices banais da vida social media. Mas aqui, a regra é clara: 

fodam-se as regras. 

Por isso, o texto não tem estrutura, começo, meio e fim, nem mesmo revisão tem. mas se quero falar de sexo, falo o que quero, não o que me pagam pra fazer, porque não sou profissional do sexo, mas do texto. 

O fato é que, faz um tempo, percebi o quanto é escrota essa lógica de pau na vagina, boca no pau, boca na vagina. E comecei a pensar que pau no cu tem muita validade. 

Não falo só de sexo gay, mas de sexo anal de todos os tipos, inclusive aquele com os brinquedos eróticos. E olha que tem cada tamanho que se chega a duvidar que entre. 

E, juro juradinho que essa lógica do pau no cu abriu meus horizontes literários. 

Não falo de literatura pornô, porque nunca publiquei nada neste sentido, mas minha visão de mundo se ampliou por causa disso. E então, comecei a considerar nas minhas obras de ficção o poliamor, o multipoliamor e o amor desapegado não escroto, que não é um Pau Amigo, mas um Pau Parceiro que está sempre contigo, mas que aceita sua liberdade de amar. 

É, porque sexo só é sexo se o coitado tem por volta de 20 anos, muita testosterona e pouca experiência, na qual as rapidinhas não são opções, mas é o que dá pra fazer de pé no banheiro de uma boate. 

Sexo só é sexo se a pessoa tem a autoestima tão baixa que só uma boa punheta e um filme pornô não satisfazem sua carência afetiva e precisa de outra pessoa para gozar e fingir que é atraente para alguém. Mesmo sabendo que essa outra pessoa deve estar imaginando uma cena com um grande galã pra topar transar. 

E aí chegamos no ponto onde a vaca torce o rabo: sexo sem imaginação é só testosterona em ação. Acompanha meu raciocínio: a pessoa que quer transar alucina que a outra quer também. É aquele olhar, aquela língua nos lábios, uma mãozinha no pescoço e puft! Mão na coisa, coisa na mão, coisa na coisa. 

E quem acredita em amor à primeira vista, sinto muito, você acredita em alucinações. Só isso. É só testosterona, aquele tesão que acomete homens e mulheres, independente do gênero. 

Sexo bom é sexo de ficção literária. Sexo de imaginação, que pode ser o que quiser, que o tamanho do pau é sempre enorme, o homem é sempre viril e bem disposto, a mulher nunca sente sono ou está cansada, menos ainda menstruada, as preliminares são intensas e criativas, os buracos são sempre encaixes perfeitos e os brinquedinhos funcionam (porque na realidade, eles duram bem pouco quando vibram). 

Porque o sexo de verdade exige uma energia que você só se esforça pra ter no início da relação. Depois do parceiro fidelizado, o sexo vai ficando mais rápido, mais raro, menos criativo. E como neste mundo ninguém está ficando mais novo, a lei da gravidade age sobre os corpos, bolas caem, peitos despencam, panças crescem e como não vemos terceira idade nos filmes hot, achamos que velhos não transam. 

Só que a imaginação continua forte na terceira idade, é claro. E se for uma velhice Dercy Gonçalves, ah, essa vale a pena. Tem muita gente de 20 e poucos que não tem o vigor de uma velha como a Dercy. São múmias, meio mortas, meio vivas, fazendo tudo conforme a cartilha do politicamente correto, tentando se encaixar para ser aceito. Falta imaginação, criatividade e um gozar além do sexo nessas vidas. 

Por isso, acho que sexo e criatividade, tesão pela vida, são parceiros inseparáveis. Distribuam pênis de borracha para os políticos que fazem guerra e eles vão aliviar sua testosterona em um bom anal. Quem sabe o que Putin, Netanyahu e companhia fariam se realmente pudessem dar uma boa trepada? Liberem o sexo anal de todo preconceito, liberem todos os buracos para entrada

E a criatividade invadirá o íntimo do ser humano. Enfim, este é o caminho para a paz mundial

E da próxima vez que você ouvir uma miss falando que deseja a paz mundial, pense no papel do sexo nisso. Vamos botar pra fuder!


quinta-feira, 14 de março de 2024

Uns comem os outros e os vermes comem todos

Me peguei hoje, pensando sobre como aprendi na escola que existe uma cadeia alimentar. Que existe uma pirâmide na qual os predadores ficam no topo. Algo mais ou menos assim: 


 
E toda vez que surge uma metáfora do tipo animal-cadeia alimentar, se incentiva que sejamos os predadores. As publicidades ressaltam o poder dos carnívoros: leões; águias; tigres e seus correlatos. 

O ser humano então, se tornou o rei da cadeia alimentar, porque dominou os meios de produção e todas as espécies que deseja comer. Mas, sinceramente, e ecologicamente falando, isso não é verdade. 

Os reis da cadeia alimentar são os vermes. 

Porque os vermes comem todos no final. Eles não precisam do equilíbrio do ecossistema, pois são ultra adaptáveis e estão em todo lugar, até dentro de nós. (Aqui faço uma licença poética para chamar os microorganizamos que nos habitam de vermes)

Então aprendemos errado? 

Não, aprendemos de um ponto de vista antropocêntrico. E agora, podemos entender que do ponto de vista vermocêntrico, a verdade é que uns comem os outros, mas quem está no topo e come todo mundo são os vermes. 


terça-feira, 5 de março de 2024

Se minha vida fosse um filme

 Se minha vida fosse um filme, eu não sei qual seria o enredo principal. Poderia ser muita coisa. Mas geralmente sua vida se torna um filme por alguns motivos de roteiro bem óbvios: 

1. Você tem uma doença rara e supera isso ou faz uma boa coisa e morre (O Menino da Bolha de Plástico; O Homem Elefante; Por toda minha vida; A Teoria de Tudo; A culpa é das Estrelas; O óleo de Lorenzo);

2. Você tem uma carreira de sucesso, mesmo que seja escrota (Jerry Maguire; O Lobo de Wall Street; Prenda-me se for capaz; Fome de Poder; O senhor das Armas; Obrigado por fumar; À Procura da Felicidade);

3. Você tem uma doença psiquiátrica e romantizar isso dá um roteiro razoável (O lado bom da vida; Uma mente brilhante; Adam; Clube da Luta; Melhor é Impossível; Primeiro da Classe; Garota Interrompida);

4. Você passou por um desastre ou precisou ser resgatado ou resgatou alguém (A lenda de Tham Luang; Enchente; Sully - O Herói do Rio Hudson; A Sociedade da Neve; No ar rarefeito; O resgate do soldado Ryan);

5. Você fez algo significativo na vida e se romantizar isso dá um roteiro passável (Erin Broncovit; Estrelas Além do Tempo; Nise, o coração da loucura; O jogo da imitação; Escritores da Liberdade; A Lista de Schindler; Selma: Uma Luta Pela Igualdade; Clube de Compras Dallas)

6. Você tem uma designação de gênero distinta e romantizar isso é um clichê aceitável (Todos Estão Falando Sobre Jamie; Azul é a cor mais quente; Meninos Não Choram);

7. Você era um Zé Ninguém, ou era até uma pessoa razoavelmente reconhecida, mas morreu tragicamente (Sérgio; Na natureza Selvagem; O Diário de Anne Frank)

8. Você tem uma vida medíocre e de repente acontece algo extraordinário (Homem Aranha) (ok, fiquei com preguiça de buscar roteiros tão clichês assim)


Acho que se a gente refletir um pouquinho, dá pra perceber que todos os filmes, mesmo que baseados em fatos reais, não são nada realistas, né? São obras de ficção que pinçam momentos extraordinários de vidas ordinárias, dão uma boa maquiada, colocam alguns atores bonitos e talentosos em uma fotografia impecável e pá: Mito do Herói

O mais clichê dos roteiros é o baseado no Mito do Herói e praticamente todos, 99,9% deles são Mito do Herói. Só que a vida real não é nada heróica. É uma odisseia monótona e muitas vezes sem sentido, em uma busca por algo que ninguém sabe o que é. 

Não tem um prêmio no final da aventura, não tem felizes para sempre, não tem subir os créditos no auge da vida do protagonista com aquela música comovente de fundo. 

Vida real é confusa, estranha, não tem roteiro, não tem ensaio. É improviso, um atrás do outro, cagadas homéricas, confusões idiotas causados por pequenas bobagens. Não tem diálogos inteligentes ensaiados para serem dinâmicos e completos. 

Não tem uma personagem durona, mas no fundo amável e acolhedora que pergunta: "Você está bem?". Nem em momentos de supremo sofrimento, menos ainda em momentos triviais. 

A vida é dura, é difícil, conflituosa, cheia de pequenos dramas que nem mesmo dão um roteiro razoável para entretenimento barato e novelesco. 

Viver dói e não tem marketing que deixe isso menos dolorido. Só aceita que sua vida não é um filme e pés no chão, a realidade chama. 

É isso que temos pra hoje. 

Agora, você pode se ver como a pobre vítima da realidade cruel, ou encarar essa realidade de frente, segurando o boi pelo chifre para domar a vida e tirar o melhor que ela pode dar. 

A vida é um saco. Mas a decisão de encher o saco ou estourá-lo de uma vez é sua. 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Se cada um for um...

 Vivemos em um mundo estranho. 

Aqui, a virtualidade importa mais que a realidade. 

Aqui, cada um é um, se der sua opinião. 

Mesmo que fajuta. Mesmo que ignóbil. Mesmo que racista. Mesmo que machista. 

Mesmo que seja um monte de lixo saindo de uma latina pútrida. 

Vivemos sem querer viver, mas querendo aparecer. 

Aparecer por fazer o mal feito. 

Por ser o miserável, o pior exemplo, o mais escroto. 

Mas, desde que tenha seguidores: 

minha bunda é sua bunda;

minha desgraça vale likes; 

minha alegria é ter, consumir, ostentar; 

encher a cara de bebida, remédio, drogas, séries. 

E dizer que se foda, que sou assim e nunca vou mudar. 

Nessa vida sem sentido, esse é todo sentido que a internet vai te dar.  



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Como seria bom se o Google tivesse todas as respostas do mundo...

O Google, de vez em quando, surpreende, quando você digita uma pergunta e aparece alguma resposta, mesmo que não seja exatamente o que você procura.

Mas tem perguntas que realmente nem o Google sabe... Fiz uma pequena lista, baseada em coisas que ouvi e que vivi nessa eterna busca por respostas. Contemple, agora, a vacuidade de sua busca:

- Quem eu fui em uma vida passada? 
Você vai encontrar respostas, mas são todas genéricas e sem sentido. A resposta mesmo, você não consegue.

- Quantas cervejas devo tomar para me tornar alcoólatra?
Há respostas que te ajudam a identificar se você é alcoólatra, mas o Google não vai te responder isso.

- Por que minha vida está uma merda? 
Bem... se nem você sabe, o que dirá o Google...

- O que acontece com a humanidade se o eixo da Terra mudar drasticamente? 
Há várias respostas sobre a obliquidade da eclíptica, mas nenhuma prevê o que será da humanidade. Somente a ficção prevê. Pra caramba!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O mistério do cuecão preto

Chego cedo ao trabalho, como em todo dia quente, para evitar que o sol estabeleça seus raios (que o parta) em minha pele, e aproveitar o clima ameno produzido artificialmente pelo ar condicionado. Estou eu, sentada em minha cadeira, com um rock metal nos ouvidos, trabalhando prodigiosamente, quando aparece a assistente de serviço com a novidade mais quente do momento na empresa:

- acharam uma cueca preta no corredor.
Eu:
- quê?

Já comentei que adoro conversar com a assistente de serviço? Ela sempre sabe de tudo! Eu fico aqui, reclusa em minha sala ar-condicionada, em minha cadeira com vista para o mar, sem querer mais nada neste mundo. Mas ela não! Ela circula por todas as celas, ops, salas, e, por isso, sabe tudo o que acontece nos departamentos onde a vista não alcança.

- Uma cueca! - continuou ela. - E não era só uma cueca, era um baita cuecão! Foi a moça do RH que encontrou e tem mais: a cueca apareceu agora de manhã, porque ela foi a primeira a chegar e disse que antes a cueca não estava lá! Ela encontrou perto do bebedouro.
- Não brinca? Soltaram uma macumba no prédio?
- Uééé? Será? Macumba? Porque era uma cueca toda velha, rasgada e preta!
- Se não for macumba, não vejo forma de alguém perder uma cueca no meio do corredor de uma empresa como a nossa. Se fosse uma empresa de sex-shop, roupa íntima, fotografia, ou, sei lá, artigos para o lar, eu até poderia considerar, mas o que uma cueca faria numa empresa de tecnologia?

Assim, a conversa foi seguindo, de mesa em mesa, de sala em sala, ganhando novos palpites e amplitudes, mas o verdadeiro dono (ou dona) da cueca jamais foi encontrado (a).
Hoje não faço isso muito, mas em meus tempos de foca, eu criaria uma história, mais ou menos assim (pensando bem, eu continuo sendo foca):

certo funcionário, revoltado porque seu Vale Refeição não dava mais conta de tudo o que ele comia, resolveu fazer um protesto silencioso. Precisava ser um protesto que causasse, mas que não o identificasse. De que forma?
Veio a solução: um baita cuecão! 
E no meio do corredor, silenciosamente rindo, o funcionário, indignado, protestou.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Teoria da divisão da humanidade em duas dimensões

Eu já expressei aqui a ideia genial e inovadora (isso é uma ironia, se você não sabe o que é ironia, clique aqui) de se pensar que a Terra é plana, há uns posts atrás.
Hoje, retorno com uma teoria sobre isto e sobre este mundinho no qual vivemos atualmente, no qual o passado deixa de ser passado, para ser revivido e ressignificado de uma forma, por vezes, duvidosa.

Temos a ciência. A ciência evolui baseada em teorias e experiências, desenvolvidas com métodos rigorosos e pareceres de pares (cientistas que pesquisam a mesma coisa que você). 
Se não tem método, revisão por pares, teorias e experiências, não é ciência. Simples assim. 

Aí, vem uma galera que acredita que ciência é outra coisa, outra coisa qualquer, tipo: decidi que ciência é uma cervejaria. Lá se faz cerveja e se o povão ignorante gosta, é ciência, se não gosta, não é ciência. 

O mais interessante disso é que fica na cara que as pessoas que acreditam na cervejaria que produz ciência, realmente acreditam que é ciência. Temos um caso de histeria coletiva? Massa acrítica? Massa acéfala? Modo pônei de ver o mundo? Mil teorias, meus caros blogonautas, e eu, é claro, lancei a minha própria. 

Minha teoria é que o mundo vai se dividir em duas dimensões: uma real e científica, vamos chamar de Mundo Cruel, ou MC; e a outra ilusória, a dimensão Pônei Unicórnio, ou, como prefiro chamar, PU. 

MC versus PU
MC vai voltar ao normal, misteriosamente após quatro anos. Já PU vai se perder para sempre nas brumas, cada vez mais separado da realidade do mundo MC. Tipo, equivalente à ilha de Morgana, Le fair, nas Brumas de Avalon. 
As pessoas que não escolherem entre as duas, não poderão ter uma vida normal, pois PU e MC tem seus opostos congruentes estatéticos e constelatícios já bem definidos e exatamente corretos, em relação ao universo. Ou seja, as duas dimensões existem em polos opostos na realidade atual. Isso já é real! 😳

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Família Adams no Tic Tic Tac - vai saber...

Sessão flashback com toques bizarros hoje. Nos anos 1990 tinha um grupo de música chamado Carrapicho, que fez sucesso com a música "Tic tic tac" (Bate forte o tambor). Vindo do Amazonas, o grupo tem músicas de toada do boi bumbá e forró e fez bastante sucesso na Europa, antes de estourar no Brasil. Na época a TV aberta era a principal responsável por lançar os artistas ao estrelato e foi no SBT, num programa do Gugu Liberato, que o Carrapicho começou a fazer sucesso no Brasil.

Agora, descubro que essa música teve uma versão russa. E, no clipe a seguir, a participação especial da Família Adams. Aí, não me pergunte por quê, eu também fiquei boiando...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Terraplanistas farão excursão até a 'beirada' do planeta para provar teoria

Primeiro: lembrem-se que este é um blog de bizarrices. 
Segundo: a notícia abaixo é verdadeira e foi publicada originalmente no Yahoo notícias. Link aqui. Copiei a notícia inteira para tecer os comentários bizarros que sustentam este blog.


Um grupo de pessoas que acredita que a Terra é plana vai embarcar em um cruzeiro que tem como objetivo provar que a teoria ensinada nas escolas é uma farsa. O grupo vai realizar a viagem no ano que vem e deve se aproximar das “beiradas” do planeta.

Entenda
Organizada pela Conferência Internacional da Terra Plana, a viagem vai contar com o rapper B.o.B e com a modelo Tila Tequila. Além da “constatação” a respeito do formato do planeta, os hóspedes do navio terão direito a piscinas, restaurantes e outros benefícios.

Ao The Guardian, a organização da Conferência Internacional da Terra Plana preferiu não comentar o assunto e justificou que depois de “extensas experimentações, análises e pesquisas”, o grupo chegou à conclusão de que o planeta não é uma esfera, mas um grande disco, cercado por uma “barreira de parede de gelo”.Para a organização, as agências espaciais de todo o mundo “conspiraram para falsificar viagens e explorações espaciais”. “Isso provavelmente começou durante a Guerra Fria.

A União Soviética e os Estados Unidos estavam obcecados em se confrontar no espaço e chegaram ao ponto de falsificar suas realizações, na tentativa superar as supostas conquistas do outro”, explica a entidade, em nota.



JK: espero que eles cheguem na barreira de gelo. Espero sinceramente que tenham coragem de se lançar da beirada do planeta, para descobrir o que tem depois. Espero que sejam realmente aventureiros, tão aventureiros, quanto parecem ser em suas opiniões. Espero mesmo, porque assim, vou continuar tendo notícias bizarras para postar. 

domingo, 11 de novembro de 2018

Como somos caretas: doutrinação, censura e liberdade

As novas gerações são muito caretas. Muito mais do que a geração de nosso pais e de nossos avós, que passaram pelo Movimento Hippie, anos 1960-1970. Sim, mesmo com maior aceitação de LGBTs e afins, somos muito, mas muito mais caretas e medrosos hoje.

E por que temos medo? Porque existem mídias sociais online, prontas para compartilhar aquele seu momento mico com todas as pessoas do mundo. E para sempre! Um mico seu, pode destruir sua carreira, seu status social, sua timeline e sua vida. Por isso, as pessoas se tornaram medrosas, politicamente corretas, no modo hipócrita de ser, escondendo quem são, para sair bem na foto. Porque tudo o que você postar pode e será usado contra você em algum momento.

Mas elas nunca conseguem esconder quem são por muito tempo. E agora, vemos muita gente que se escondia por detrás de uma fachada de "pessoa de bem", mostrar o que realmente é. 

Neste exato momento, isso acontece por conta da polarização política em que vivemos. E não, essa polarização não é esquerda-direita, pois a maioria dos brasileiros é burra demais para entender o básico sobre o que significa ser direita ou esquerda. Pra se ter ideia, tem gente que ainda teme a "ameaça comunista". Não vou nem explicar o motivo disso ser tão século passado. Quem não souber e tiver interesse, vai estudar história!

A polarização política que vivemos agora é Ignorância X Liberdade de Pensamento.

Por um lado, o Polo da Ignorância (PI, para abreviar) nos mostra, por meio de fake news, como as pessoas são frágeis em suas ideias, alguns chegam a ser ignorantes com educação, analfabetos políticos na política. Seguem a emoção, nunca a razão, por isso, tomam decisões prejudiciais. Pensam apenas no imediato, não têm visão de futuro. Dão opinião sobre tudo, mas não entendem conceitos básicos e fundamentais. Não leem, não conhecem história, não sabem a diferença entre informação e opinião, não se dão ao trabalho de compreender a raiz, o rastro de seu pensamento.

Não sabem e não querem rastrear suas ideias, pois o que querem é apenas ter uma opinião. Vai ser, obviamente uma opinião preconceituosa, pois não há conceito nela, será sempre um pré-conceito de tudo. Por isso, são pessoas que gostam de rotular as outras, já que não conseguem entender o que há por trás dos rótulos.

No outro polo, o da Liberdade de Pensamento, que vamos chamar de PLP. Pessoas que discordam do que as massas dizem. Porque as massas são sempre manada e o efeito manada é sempre ignorante. Esse polo não pode ser definido por rótulos, ele abriga pessoas muito diferentes e que mudam de opinião quando encontram argumentos que as fazem refletir. Eles rasgam os rótulos para entender o que existe em cada um deles. Não se fixam a ideias preconcebidas, porque reconhecem a raiz de uma ideia, no momento em que ela aparece.

Por exemplo: quando alguém diz que é contra a doutrinação nas escolas e que os alunos devem filmar e expor os professores que eles consideram "doutrinários", o PLP grita: CENSURA! O PI não vai entender, porque não entende que o que está fazendo, ao expor professores é censura, acha que está apenas "combatendo a doutrinação". Só que, vamos parar para pensar: Se a pessoa está ouvindo um professor "doutrinar" e discorda dele, isso é mesmo doutrinação?

Vou facilitar e dar a resposta: NÃO! Doutrinação é quando alguém incute na mente de outra pessoa, por meios verbais e não-verbais, uma doutrina específica, por exemplo a da censura. O doutrinado, neste caso, não vai reconhecer que está sendo doutrinado, pois está sendo manipulado pelo medo. Então, quem está doutrinando quem?

Os professores, dos quais podemos discordar livremente, ou a deputada estadual Ana Caroline Campagnolo (PSL), que está transgredindo leis e sendo seguida por uma manada de pessoas que ignoram o que é doutrinação? Não sei onde e como ela estudou, mas parece ter fugido da biblioteca, pois ela própria seria denunciada por doutrinação, pelo que ela faz em sala de aula.

Sabe o que é bom do PLP? Ele permite que você pense e reflita livremente, discordando abertamente da doutrinação, se assim desejar. Mas se opor à doutrinação, não é impor as suas ideias pelo grito. É abraçar a liberdade. E apenas temos liberdade, quando há respeito.

E respeito basicamente é: cuidar da própria vida e não meter o bedelho na vida alheia. Você pode até defender a censura, mas defenda-a para si mesmo. Você tem a liberdade de se censurar, mas não tente usar a sua régua para outras pessoas que não querem censura.

Com liberdade, você pode ser o que quiser. Mas seja você mesmo e viva o que você acredita.

Se você é contra a corrupção, ótimo! Comece não sendo corrupto. Se você quer violência, viva a sua violência, mas não agrida os outros. Você quer uma arma, use a sua arma para si mesmo, mas não aponte para quem não quer. Você é contra os direitos humanos? Então exerça sua liberdade de viver como um animal, explorado e manipulado, mas não se meta na vida dos humanos que querem seus direitos básicos garantidos.  

Quer ser contra a doutrinação? Então não doutrine.

Isso é liberdade, é exercer o pensamento livre, ao invés da ignorância.

domingo, 21 de outubro de 2018

Tempo de mudar

As pessoas poetas conseguem compreender a realidade de uma forma profunda e sensível, tirando lá do fundo, aquilo que todo mundo quer dizer, mas ninguém tem palavras que expressem.


Fernando Pessoa:

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".

domingo, 20 de maio de 2018

As pessoas mudam. E as focas também ;) Se tudo der certo, você envelhece!

Você que lê este post, muito provavelmente não sabe que este blog tem quase 15 anos de estrada. 15 anos é um adolescente! oO
Pensando nisso, comecei a refletir sobre o quanto a gente muda em 15 anos.

Se você tem 15 anos ou menos, deve estar pensando que quando tiver mais 15 vai estar um velho, não é mesmo? Boas notícias pra você! Aos 30, você ainda é jovem e com um ótimo adicional: grana ;) Você tem mais independência e conhece melhor a si mesmo, o que garante que suas decisões não serão tão ingênuas como eram na adolescência.

Dos 20 e poucos para os 30 e poucos, a diferença é que você está mais seletivo, curte coisas mais elaboradas e não vai a qualquer bodega pra beber (salvo algumas exceções, por que ninguém é igual, né :). Aí, você já começa a pensar em saúde, em qualidade de vida e, se você for esperto nisso, vai ter ainda mais energia e disposição que tinha na adolescência.

Essa disposição inclui a possibilidade de pensar fora da caixa. Isso significa que, se você tinha um blog há 15 anos e seguiu carreira no mundo digital, mantendo-se atualizado sobre as mudanças vertiginosas que foram surgindo desde então, você é um dos Millennials, ou Geração Y, aquela galera que cresceu migrando do analógico para o digital. Então, você tem uma mente de transição, nada pra você é estático, tudo muda e tudo se transforma.

Então, você até pode ser conservador, mas as novidades entram rápido na sua cachola (ou às vezes nem tanto) e com seu background, você já desconfia o que pode acontecer depois daquilo, detecta os problemas e até pensa em como melhorar, para já se preparar para a próxima novidade. Bem, pode não ser uma novidade que vai surgir tão logo, mas você ainda se lembra de quando tinha esperanças de ter uma tela touch e ela chegou, não é? Pois, a boa notícia é que as novidades chegam, cedo ou tarde e os Millennials são os mais capazes de prevê-las.

O que ocorreu com as mídias sociais são dessas mudanças. O blog, hoje em dia, perdeu espaço para outras mídias, mas permanece firme e forte e até corporativo. O que antes era visto como um diário pessoal bobo e sem noção, hoje é negócio. Não esse meu blog, é claro, porque isso aqui sempre foi o espaço do bizarro, nada mais.


E, falando de blog...
Quando comecei o blog, havia uns famosos por aí, como o Blog do Noblat, mas eu não conhecia nenhum brasileiro que falasse de humor, da forma como eu queria ler e, por isso, comecei a escrever, para dar vazão a este ser bizarro que habita em mim. Essa é uma coisa que não mudou. Você pode até ganhar anos na bagagem, mas sua mente continua livre, ao infinito e além.

Na verdade, até mais livre, porque quando você é mais novo, não tem muito background e experiência para entender que tudo o que você sabe e o que você é, vem de algum lugar. Com o tempo, você vai entendendo de que lugar isso tudo vem e, assim, entende melhor quem você é e por quê. E, inclusive, pode se transformar, se quiser, porque você tem mais controle sobre si mesmo.

E, por falar em transformação, se tem uma coisa que gosto de fazer é aprender. E aprendo muito com idosos jovens, a envelhecer com sabedoria. É, meu querido blogonauta, porque ninguém nesse mundo está ficando mais novo! Todos nós envelhecemos, ou melhor, nosso corpo envelhece, mas nossa mente....

Ah...nossa mente...

Ela é livre! Se você quiser deixá-la livre, é claro! E os idosos jovens me ensinam que sim, é possível ser jovem para sempre! Basta ter uma mente sem limites, sem preconceitos, sem imposições e obrigações desnecessárias. Se tem uma coisa que acho desperdício é um adolescente que faz bullying com pessoas mais velhas, às vezes apenas uns poucos anos mais velhas. Desperdício de potencial e de energia, pois esse adolescente poderia se livrar de seus preconceitos tolos e ser livre, pois se tudo der certo, todo mundo envelhece, meus queridos.

E o adolescente de hoje que faz bullying com pessoas mais velhas será o trintão desesperado e o idoso ranzinza de amanhã, pode contar!

Finalizando, metas! Você descobre que metas são mais importantes que sonhos, porque você aprende que realizar metas é possível, com planejamento, estratégia, alguns sacrifícios, várias decisões e aprendizados. Já sonhos, são como nuvens, não dá pra pegar. Então, ficam no campo da ilusão e, assim, nunca se realizam.

É isso! Aos 30 e poucos, você está experiente, cheio de energia e capacidade de traçar estratégias para continuar conquistando metas, traçando novas, usando sua inteligência para ser sempre o melhor que puder, errante e aprendante pelo mundo!

Como UmaFoca faz ;)

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Prêmio IgNobel: Brasil vence em duas categorias!

Esse prêmio IgNobel já figurou aqui no blog, porque seleciona o que tem de mais bizarro na ciência ao redor do mundo. O IgNobel foi criado pela revista de humor científico Improbable Research, que traz o lema: "Research that makes people LAUGH and then THINK", traduzindo: pesquisas que fazem as pessoas rirem e depois pensarem.

Se você aí pensou que ciência era coisa pra gente séria, estava seriamente enganado (trocadilhos como esse comprovam que cientistas tem um humor bizarro mesmo :P). Aqui no blog mesmo, já demos várias provas de como os cientistas podem ser fora da casinha.

A Universidade Harvard, anfitriã do IgNobel desde 1991, recebe os ganhadores todo ano, em setembro, e as categorias do prêmio mudam, de acordo com a avaliação dos pareceristas. Em 2017, dois grupos de pesquisadores levaram o prêmio nas categorias de biologia e nutrição, graças a seus artigos publicados em revistas internacionais que são o feijão com arroz de todo cientista.

Em biologia, o prêmio foi para os resultados publicados no relatório Female Penis, Male Vagina, and Their Correlated Evolution in a Cave Insect, que revela a descoberta de um pênis feminino e uma vagina masculina em um inseto que vive em cavernas da caatinga, no Brasil. Os pesquisadores envolvidos são da Universidade Federal de Lavras (MG, Brasil) e da Universidade Hokkaido (Japão).

O prêmio de nutrição foi dado pela pesquisa desenvolvida na  Universidade Federal de Pernambuco, que resultou no primeiro relatório, em 2016, What is for Dinner? First Report of Human Blood in the Diet of the Hairy-Legged Vampire Bat Diphylla ecaudata. No relatório, os pesquisadores revelam que o morcego de perna peluda, está deixando de se alimentar do sangue de aves para se alimentar de sangue humano.
 
Leia mais aqui no site da PEGN. 

domingo, 30 de julho de 2017

A tecnologia que quero e ainda não existe

Não só eu, mas quem para pra pensar no que realmente seria útil na vida quer, pelo menos algum item desta lista. 

1. Teletransporte
Sempre que tenho de ir a um lugar distante e, principalmente, quando estou atrasada, me pergunto quando vão inventar o teletransporte. Soube que já teletransportaram minúsculas particulinhas começando em 1997 pelo fóton, uma partícula de energia e por último, em 2009, foi o teletransporte quântico, no qual apenas vai informação, não matéria, nem energia. Para ler um breve histórico do teletransporte, vai lá no site da SuperInteressante. As pesquisas seguem, tentando provar que Einstein estava errado ao debochar do teletransporte. Muita gente, eu inclusive, se pergunta se será possível algum dia teletransportar pessoas como no Star Trek. Pelo fóton e pelo quântico, acho melhor não esperar.

2. Eu, eu mesmo e outro eu
Em um momento ou outro da nossa vida, queremos ser dois ou três ou quatro para dar conta de nossas tarefas e ainda delegar as coisas mais chatas a outra pessoa, não é? Nas histórias de ficção, já fizeram isso pacas, mas aí é só. Tecnicamente você não pode se dividir em dois, pois a partir do momento em que haveria outro de você, essa pessoa teria outra consciência, portanto seria outra pessoa. Mesmo que a consciência possa se dividir, na meditação, por exemplo, isso só acontece por causa dos níveis da consciência que uma pessoa possui. Isso é assunto pra psicologia e neurociência, muito interessante. Portanto, se você tem um monte de coisas pra fazer, é melhor não procrastinar e fazer rápido, porque a ciência não vai te ajudar.

3. Transformar pensamento em coisas
Isso seria a solução de todos os nossos problemas. Ninguém mais passaria fome, nem tédio, nem carência afetiva. Mas, não, não há como. No máximo você pode ver no Guia do Mochileiro das Galáxias uma máquina que transforma o que você tá pensando em comida. Mas mesmo assim, a comida não sai da mesma forma que você queria.


4. Sonhos que viram filme
Você sempre sonha coisas incríveis que dariam filmes ótimos. Mas ainda não existe tecnologia para transformá-los em nada além de um post no blog. No filme A Origem, as pessoas conseguem montar e conduzir os sonhos com um sistema interessante. Mas, esse sistema não existe de verdade, portanto, vai sonhando.

5. Um convocador de coisas perdidas
Seria ótimo ser como Harry Potter e convocar magicamente qualquer coisa com um simples Accio! E não só vassouras voadoras, mas chaves, celular, guarda-chuvas, pendrive. Principalmente para as pessoas que nunca se lembram em que buraco negro meteram suas coisas. Para isso, a tecnologia dá jeito! Mas só para metais atraídos por ímãs. Ou seja, se você perder uma agulha num palheiro, use a tecnologia, pronto! Fora isso o melhor é tomar vergonha na cara e melhorar sua organização e concentração, porque tecnologia até salva mas, não é deus.