quinta-feira, 18 de julho de 2024

Liberdade é mesmo uma boa coisa?

Ouvi a história de um monge Budista que vivia entre a China e o Tibet e certa vez, ele se despediu de seus discípulos, pois ia fazer um retiro solitário nas montanhas. Quando os monges budistas resolvem fazer retiros solitários, eles não sabem quando e se voltarão, pode durar meses, anos, décadas, ninguém sabe. 

Então, ele se despediu e foi. E alguns discípulos se dispuseram a levar alimentos de vez em quando, até o local onde ele ficaria. Ocorre que bem no período em que ele estava na montanha, eclodiu um conflito e ele foi pego pelo país vizinho e colocado injustamente em uma prisão. 

O monge não falava a língua dos vizinhos, então nem mesmo conseguiu explicar que estava por ali por motivos espirituais e permaneceu preso, sumariamente. Os discípulos que ficaram de levar alimento, não o encontraram mais e pensaram que o monge havia sido morto no conflito. 

Passaram-se três anos, em que o monge esteve preso em uma pequena cela, simples, solitário. Os guardas levavam alimento a ele e o monge seguia sua rotina diária: fazer suas orações, comer, dormir, sentar-se para meditar por horas a fio. Até que um dia, o conflito cessou e mandaram soltar o monge. Só que quando abriram a cela, o monge lá permaneceu, meditando. 

Os guardas estranharam. Achavam que como não falava sua língua, o monge não estava entendendo que estava livre. Pegaram o monge e o levaram para fora. O monge agradeceu e retornou a sua cela. Várias vezes, os guardas o conduziram para fora, mas o monge retornava todas as vezes para sua cela. 

Até que os guardas perceberam que o monge apenas queria continuar seu retiro. 

Ocorre que para o monge, ter sido preso injustamente, recolhido a uma pequena cela, alimentado todos os dias de forma simples, com um teto e um lugar para dormir era um grande benefício para seu retiro. Ele se sentia abençoado por terem-no acolhido ali. Não precisava se preocupar com trivialidades como conseguir alimento e cuidar de seu teto. A prisão era o lugar mais perfeito do mundo para fazer seu retiro. 

Para o monge a privação da liberdade era sua própria libertação mental. 

Compreendendo isso, os guardas deixaram que ele permanecesse ali por mais dois anos, até que o monge deu seu retiro por concluído e se despediu, retornando a seu mosteiro e seus discípulos. 


Esta história é verídica. E eu gosto de me lembrar dela quando falamos em liberdade porque o que sabemos da liberdade é uma ilusão que nos leva a decisões estúpidas, cagadas homéricas e preguiça histórica que nos deixa imóveis na merda quentinha e confortável que cultivamos com tanto apego e chamamos de liberdade. 

Liberdade para a maioria das pessoas é comer e beber sem limites, assistir porcaria na TV, não ter horário para nada, nem obrigações, ter muito dinheiro e poder para tomar suas decisões sem depender de ninguém. A grande ilusão é que tudo isso só nos leva a sermos mais preguiçosos, ignorantes, gordos, inúteis e dependentes de dinheiro, poder, lazer e diversão. É uma dependência inconsciente, pois as pessoas vão dizer que são livres perseguindo essas coisas. Se não as têm, são livre para perseguir esses "sonhos", ou seus "sonhos de consumo". 

Mas dependência não é liberdade

Não estou dizendo que você pode ser livre se andar por aí nu com a mão no bolso. Não é isso. Tenha seus bens, compre coisas, tudo bem. Mas esteja sempre alerta para o que significa isso. Estou comprando isso porque é necessário, ou porque preenche uma carência afetiva minha? Estou comemorando a sexta por quê? Odeio meu trabalho e o tédio me faz encher a cara o fim de semana todo pela ilusão de liberdade? Meus sonhos são plantados pela ilusão de liberdade? 

No fim das contas, a liberdade inventada pela sociedade de consumo só deixa as pessoas mais infelizes e presas, dependentes de padrões forçados, incutidos em suas mentes para não questionarem e continuarem produzindo, consumindo, perseguindo sua pseudo felicidade nisso. 

Tá e como fico livre se não é assim e não é nu com a mão no bolso? 

É libertando sua mente destes padrões, pequeno Padawan! Não apenas questionando intelectualmente, mas praticando o desapego a essas ideias fracassadas de liberdade e felicidade. É tomando consciência da sua prisão dourada, invisível, porém presente, a cada dia, a cada data de vencimento do cartão de crédito. 

É tirando todo o trivial e vivendo apenas a essência da vida, aquilo que ninguém pode te dar, te vender, te mostrar. Mas só você pode encontrar, se for menos seguidor de tendências e mais consciente de suas escolhas. 

Tente! É horrível nadar contra a maré de zumbis iludidos. Mas é libertador. 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

Verônica Mars matando fadas da conveniência

Talvez você já tenha reparado a quantidade de clichês que as séries, programas televisivos, livros e filmes abraçam para satisfazer seus consumidores. Talvez você até goste destes clichês. Não te culpo, clichês são como comer a comida da sua mãe: é confortável, acolhedor e mesmo se não tiver um gosto muito bom, tem gostinho de afeto. 

Os clichês são sempre a busca pela fórmula vendável de uma peça de entretenimento. Isso ajuda a explicar porque algumas séries muito boas e originais não fazem um estrondoso sucesso e outra caem facilmente no gosto popular. Não que não tenha clichês em séries boas, mas esses clichês ocorrem com argumentos tão sólidos que se envolvem na trama e fazem muito sentido na história. 

Ao contrário dos clichês tolinhos que ficam figurando apenas como "fadas da conveniência", aquelas coincidências que acontecem para resolver o roteiro rapidamente, um personagem mau que morre, um policial que literalmente tropeça na pista, uma testemunha que viu tudo e do nada aparece para contar a história, o vilão que conta todo seu plano enquanto o mocinho está espionando...

Uma dessas séries que considero excelente e negligenciada pelo grande público é Verônica Mars. Foi lançada para a TV em um canal pequeno nos EUA, em 2004. Sim, caro leitor, na época em que mal havia vídeos na internet, você consegue imaginar a vida sem streaming? As produções artísticas e de entretenimento podem até ser excelentes, mas se não tiverem ampla distribuição e divulgação, jamais alcançarão o público. 

O contrário também acontece: produções clichezísticas amplamente divulgadas e distribuídas, que quando roda o trailer, já te dá aquela coceira. É alergia a "mais do mesmo". Arruina o cérebro, sério. 

Verônica Mars é uma série de drama, com mistério, investigações de assassinatos, crítica social, muito sarcasmo, drama e um roteiro muito bem escrito com personagens excelentes para uma história que começa no Ensino Médio de uma escola nos Estados Unidos. 

A gente vê a investigação se desenrolando sem fadas da conveniência, sem clichês forçados apenas para agradar ao popularesco, sem saídas fáceis para casos difíceis e com uma pegada firme em questões que não costumam ser retratadas com seriedade nos idos de 2004, como estupro de meninas e garotos, exposição de vídeos e fotos íntimas na internet, exposição de dados pessoais, as consequências do bullying por popularidade, por exemplo. E estas questões expostas ao desamparo da lei que na época não protegia ninguém dos abusos da internet e da negligência das autoridades policiais, que tratava meninas estupradas como aproveitadoras. 

Sabe, são questões que à época eram muito negligenciadas e a série as levanta com a força de uma protagonista mulher, inteligente, instigadora, meio maquiavélica, mas extremamente cativante. Hoje vemos personagens femininas "empoderadas" numa tentativa fraca de imitar superheroínas. Muito fajutismo feminista. E Verônica Mars tem uma natureza forte, embora apareça também em suas vulnerabilidades de forma tão natural, que as personagens girl power de hoje ficam na sola do chinelo. 

E ela tem a parceria, na verdade, uma cumplicidade incrível, com o pai, figura engraçadissima, com um grande senso de dever, que ensina a ela tudo sobre investigação e lhe dá liberdade de entrar em suas roubadas, ao mesmo tempo em que tenta protegê-la para que tenha uma vida mais próxima do normal para uma adolescente. É uma dupla que, sozinha, rende a série. Se não me engano até ganhou um prêmio de melhor relação pai e filha da TV. Se não ganhou, deveria, pois é inspiradora e os dois atores passam muita verdade. 

Outros personagens fecham o comboio. Verônica tem Wallace como seu melhor amigo e é uma amizade irmandade mesmo. Não vemos tensões amorosas em nenhum momento em sua relação. E seus namorados são peças muito interessantes também. Em particular, Logan, que cativou o público com sua veia de pobre menino rico extremamente sarcástico e rebelde, que não dá a mínima para nada, mas carrega um trem e bate em algumas caras por seu amor. 

E as investigações, nem mesmo o CSI tem um roteiro tão bom. Primeiro que, ao mesmo tempo em que ajuda o pai em investigações hardcore, Verônica resolve casos menores dos colegas para ganhar um extra na escola. E vemos como o trabalho se desenrola, sem truques cibernéticos, sem fadas da conveniência brotando magicamente. Investigação daquelas de chafurdar os confins do além e os detalhes não ditos de provas esquecidas ou negligenciadas pelo xerife vaidoso e incompetente da cidadela chamada Neptune. 

Enfim, estou revendo a série agora, por falta absoluta de encontrar qualidade ou roteiros bons em outras do Prime Vídeo. Mas, ao mesmo tempo, é interessante rever estes temas e ver que hoje são tratados de forma diferente, com outra pegada. 

E, claro, é sempre bom matar umas fadas

Crédito da foto: Warner Bros, Divulgação.


segunda-feira, 10 de junho de 2024

A capacidade humana de ser uma eterna criança fingindo ser um adulto

 Tenho escrito muito aqui sobre comportamento e várias vezes menciono a infantilidade nas relações e comportamentos humanos. Esta é uma constante que, por vezes, negamos que exista em nosso próprio comportamento. Mas está sempre lá. 

Porque a criança em nós é o Id. Sabe, da Teoria da Personalidade, descrita por nosso estimado companheiro de insônia e psicanálise, Sigmund Freud. Para resumir esta teoria, o Ego, o Superego e o Id são instâncias que formam a psique humana e vivem brigando entre si

O Id é a criança que só quer comer, brincar, cagar e prazeres da vida. O Ego é o que vai dar uma controlada no Id para adequá-lo à vida real, que precisa de convívio social, logo, algumas regras. E o Superego é o sábio em nós, tentado mostrar ao Id e ao Ego que existe mais do que necessidades básicas na vida. 

Aí, vai umas piadas sobre isso: 

O que disse o ego para o id? Não pense apenas em você mesmo! 

O que disse o superego ao id? Senta lá, Id! 

Por que o ego e o superego nunca saem para a noite? Porque eles são muito egoístas! 


Então, voltando para nossa divagação, a eterna criança em nós, esse Id, é quem sempre estraga tudo: os relacionamentos, suas metas, de trabalho, de estudos, de dieta, de qualquer coisa que exija um pouco de esforço. A pessoa com o Id dominante vive querendo apenas que seus desejos sejam atendidos e quando isso não acontece, se frustra como a criança que é. Às vezes isso aparece em formas bem elaboradas, como um mau humor, uma sabotagem, uma vingança. Mas outras vezes, vem em forma de birra, gritaria e raiva descontrolada. 

É possível enxergar essas nuances apenas se nós temos uma caminhada de autoobservação. Porque primeiro devemos olhar a coisa em nós, para depois observar nos outros. E claro, aprender a dominá-la nos ajuda a sermos humanos melhores. 

Mas, mesmo depois de uma boa dose de dominação do Id, mesmo sendo uma pessoa controlada e bastante Superego, sim, no fundo somos apenas crianças fingindo ser adultos. E quando a gente se pega chutando o balde é porque a criança birrenta, o Id tá no controle. Mas o pior é que a gente raramente se pega chutando o balde, a gente já se pega com o balde chutado e a merda toda feita. 

Então, se temos um Superego exigente, ficamos nos cobrando: porque não parei o pé antes de chutar? Mas nosso Ego vem e diz: ok você chutou por motivos nobres. E assim, a briga segue. 

No final das contas, na maioria das vezes o Id ganha. A chutação de balde continua, às vezes piora até um extremo, aí vem o Ego dá uma mediada, mas o Id é quem domina o mundo. Porque a gente consegue ver o Id nas ações dessas pessoas poderosas e bizarras, como o Putin, o Trump, Kim Jong-Un, Nicolás Maduro (engraçado, são todos homens!). 

A gente consegue ver a carência afetiva imensa dessas pessoas e o quanto precisam dominar, mostrar para o mundo, exibir seu poder, como um menino de oito anos que mostra o pinto para as meninas porque descobriu que isso causa certa comoção. 

Lógico que o pinto do menino de oito anos é um simbolismo para o que essas figuras mostram em termos de armas fálicas, obeliscos fálicos, topetes fálicos, bigodes fálicos, várias demonstrações de pintos infantis em obras adultas. Símbolos de adultos mal resolvidos e carentes

O Id é o que mostra que a humanidade não vai evoluir. Seremos todos eternas crianças birrentas, mostrando as genitálias como forma de chamar a atenção. 

sábado, 8 de junho de 2024

Por que os homens traem mais que os cães

Havia um cão. Ele se chamava Winky. Não sei se este era mesmo o nome dele, só sei que eu o chamava de Winky e ele me atendia. Olhava para mim, sorrindo, abanando o rabo. Feliz como só toda vez que me via. Winky era um cão ruivo, porte médio, pelo liso e um pouco longo. Um típico vira-lata bonito. Tinha o focinho fino e as orelhas pontudas de pé, como uma raposa. 

Era um cão muito esperto. Sabia que na rua tinha carros e somente a atravessava com muito cuidado. Winky era o cão mais esperto que eu já vira naquela rua onde eu o cuidava. Minha família tinha um mercado naquela rua e eu trabalhava nele. Todos os dias, lhe dava ração, trocava a água. Ele vinha querendo afago, brincava, caminhava ao meu lado, faceiro e contente. 

Se fosse longe, logo voltava. Eu sabia que não podia levá-lo para casa, pois já tinha mais cães que quintal, então, certo dia, um senhor que cuidava de um sítio se interessou por Winky e o demos a ele. O sítio ficava distante, quase uma hora de combi. E Winky foi na combi, feliz e faceiro, junto com as compras do mês. 

Até que três dias depois, quem aparece na rua outra vez? Ele mesmo, Winky, o cão ruivo. Feliz e faceiro. Sabe lá como, mas voltou a pé do sítio para o lugar que considerava seu lar. Eu disse que era o cão mais esperto que eu já conheci. E não só esperto, era leal. Leal como poucos humanos neste mundo. O cão mais leal do mundo. 

Winky não ficava conosco por comida, por cama quentinha, teto, dinheiro ou brinquedos. Ele apenas via em nós seu lar, seu bando. E como todo cão, Winky precisava de um bando e era leal a ele. 

Até que um dia, eu estava no mercado, quando dois clientes apareceram dizendo que Winky tinha morrido atropelado ali perto. Não é possível, pensei. Ele era muito esperto com carros e ruas. 

Mas o ser humano, este, desleal, o atropelou mesmo assim. Passou com o carro por cima dele, por querer. Não parou para prestar socorro, por querer. Nem mesmo procurou de quem seria aquele cão, por querer. O ser humano foi desleal com o cão mais leal do mundo. 

Os dois clientes, amigos nossos, se ofereceram para enterrar o Winky e sua curta e marcante história conosco se encerrou em uma cova triste. Sim, há homens leais. Mas nenhum como um cão. Nenhum como Winky. 

O homem que trai tem medo de ser dominado por sentimentos bons. Escolhe os ruins, portanto. Escolhe flutuar na superficialidade das relações egocêntricas, pautadas apenas por seus próprios prazeres. Não merece, portanto, confiança. Mas tem gente que confia. Que acha que ele é bom porque se ilude. Ou porque sabe que ele é ruim, mas acha que só com você ele não será. Porque você é especial. 

O homem que trai não vê ninguém como especial, apenas seu próprio pênis. Não pensa, pois se pensar, o pinto cai. O homem desleal não é desleal apenas com sua amante. É assim com tudo e com todos, por isso é tão visível que ele assim o será. 

O homem desleal tem traços muito evidentes: não cumpre pequenas promessas, menos ainda as grandes; tem uma baixa autoestima enrustida, que pode disfarçar com uma capacidade de sedução bem desenvolvida; quer dominar e busca o poder, nem que seja por meios desonestos; quer vantagem em tudo o que faz, mesmo que não mereça; não se importa em prejudicar outras pessoas, desde que leve alguma vantagem; pode até fingir muito bem que se importa contigo, mas você o pega nos detalhes; não está presente quando você precisa, sempre tem um compromisso; mente para os outros e espera que você o acoberte, ou esconde a mentira de você. 

Há ainda vários outros traços, mas o homem desleal sempre está no campo da necessidade de dominação sem escrúpulos, portanto tudo o que deriva disso está nos traços. Dá pra reconhecer um sem muita dificuldade, ele cheira deslealdade. Chega todo sedutor, sorriso estampador, charmoso. Você o pega na conversa, se quiser. Pergunta a ele se já traiu alguém, assim, de cara. Ele vai sorrir, tentar mudar o assunto, mas se responder, vai coçar o nariz, dizendo alguma mentira plausível. Vai olhar fixo em seus olhos e dizer que jamais faria isso contigo. Assim agem os mentirosos. 

Já o cão, ah... serzinho simples de entender. Se o cão quer te dominar, você o adestra. Ele convive contigo e te acompanha, te segue, te protege e te ama. Não exige muito. Até se você se esquecer de dar comida, ele não te cobra, não faz chantagens e manipulações. Facilmente se torna o cão mais leal do mundo. Assim como Winky era. 

Espero que você possa ter um Winky em sua vida. 

Por que sempre brigo com todo mundo - o rato interior de cada um

 Ontem, saí com alguns amigos para um rodízio de sopas. Um deles, engenheiro civil, está cuidando de uma obra cujos pedreiros dão muito trabalho, a despeito de seus esforços. E nesta semana, ocorreu uma briga entre dois dos pedreiros. O motivo: ignorância. 

A principal vulnerabilidade humana é a ignorância. Ignorar suas emoções, que são o principal condutor de seus pensamentos. As ações que o pedreiro que primeiro atacou tomou foram fruto de ignorar o que realmente ele sente em relação ao outro. Qual é sua necessidade? Dominar? Amar? Quer ser reconhecido? Ou apenas enxerga no outro algo que gostaria de ser e falha miseravelmente, por isso desconta sua frustração nele? 

A formação em engenharia falha em muitas coisas, a principal é que ninguém ensina a esses pobres profissionais que terão de ser psicólogos para mediar conflitos na equipe. Que trabalhar com acadêmicos é até fácil, pois eles são razoavelmente menos ignorantes emocionalmente. Mas trabalhar com trabalhadores de escolaridade baixa é extremamente problemático. 

É o nível mais baixo da roda dos ratos. Aquele nível em que eles apenas correm, correm e nunca chegam nem na ilusão de que vão chegar, pois são dependentes de seus vícios e paixões. Muitos são literalmente viciados, álcool, drogas, pornô, música ruim com péssimas mensagens (leia-se sertanejo popular e funk pessimista). 

Este blog não é nenhum meio de auto ajuda, pelo contrário. Estou aqui para provocar, distribuir tapas na cara, com verdades difíceis de digerir. E iningolíveis. 

Então se você é dessas pessoas que briga com todo mundo, esteja bem certo que o problema é todo seu. Você é a pessoa ignorante que implica por um copo de refrigerante, porque não reconhece que sente a necessidade de dominar. É uma criança frustrada que nunca dominou merda nenhuma na própria vida, por isso, esbraveja com todo mundo, culpando deus e o mundo por sua péssima educação e autopercepção. 

Se você briga com todo mundo, tenha certeza de que é uma pessoa patética. As pessoas inteligentes olham para você com pena. Você jamais será melhor que um pobre inseto tentando chegar na luz e morrendo ao se deparar com o calor dela. Você nem mesmo está pronto para a luz. Provavelmente a coisa mais perto de melhoria pessoal que vai conseguir será trocar seus vícios em álcool, drogas, pornô e música ruim por uma dessas igrejas evangélicas de brejo, que te oferecem a salvação fácil: basta acreditar e seu deus imaginário, benevolente, porém vingativo. 

Claro que existe outro caminho, mas este, uma pessoa ignorante, que briga com todo mundo por mesquinharia não está disposta a alcançar. Porque este caminho significaria abrir mão da fuga confortável dos vícios. Implica sentar-se e ouvir o que tem dentro de si. Entender seu demônios e começar a domá-los um a um. 

Ah... este é um processo lento, difícil e doloroso, conhecido como zen

O quê? Você achou que zen fosse calmo, lindo e tranquilo? Vou puxar seu tapetinho imaginário de conto de fadas. Não é. 

E é por isso que nunca tem muita gente praticando, meditando. Porque quando percebe que é dureza, pula fora, vai procurar a paz nutella, o mindfulness, Yoga na prática física, coisas assim que só iludem a mente com uma pseudopaz. Ou as igrejas cristãs com seus salvadores imaginários. Se você gosta de ser a eterna donzela em perigo que precisa de um salvador, seu caminho é este. Iluda-se com seu príncipe. 

Agora, se você quer mesmo dominar sua vida e suas emoções e não ser dominado por elas, o caminho é matar seu salvador e salvar a si mesmo. Matar metaforicamente, é claro, num processo de libertar -se desta ideia ilusória de que "alguém tem que me ajudar", "eu sou especial", "sou do povo escolhido". 

Essa ideia falsa e aprisionante de que sua vida depende de uma figura externa a você, mais poderosa, mais magnânima e mais inteligente, que vai te pegar pela mãozinha ou te carregar no colo quando você precisar. Isso, que você chama de deus, de guru, a figura da mãe, do pai, do chefe, do governo, do protetor, do salvador, não existe. É só sua imaginação. 

Claro que não é porque é sua imaginação que é falso. Pelo contrário. A imaginação é um ativo muito poderoso que os humanos possuem e que pode construir e destruir a si mesmo e ao mundo. E é por isso que devemos entendê-la e dominá-la. 

Porque se deixar a imaginação nos dominar, seremos eternamente os ratos correndo na rodinha, esperando chegar a algum lugar indicado por nosso salvador, o príncipe encantado, a mãe, o pai, seu deus, seu guru. Nunca botaremos a cabeça pra fora desta gaiola. 

A imaginação é um domínio humano e quando não a controlamos, são as convenções sociais que a controlam, a cultura popular incute imagens na nossa mente e nos tornamos apenas ratos obedientes. E temos até a ilusão de ter liberdade, pois o pão e o circo (leia como sextou, churrasco, álcool, drogas, pornô e música ruim) é permitido aos ratos no fim de semana. 

Então, se você quer continuar sendo um rato obediente e frustrado, que briga com todo mundo e acha que é porque a culpa é deles de te encherem o saco, continue correndo infinitamente, sextando obedientemente, alimentando seus vícios como um bom seguidor capitalista do consumo feliz. Continue sua vidinha de rato. 

Mas não sei... talvez você queira liberdade de verdade. Dói e é solitário, muitas vezes. Mas depois de algum tempo, a felicidade construída na verdadeira liberdade não morre, não depende de nada externo, é cultivada e mantida dentro de si. E ninguém lhe tira. 

A escolha é sua

domingo, 2 de junho de 2024

A liberdade de ser ninguém na fila do pão

 Ainda me lembro de uma figura comum nas tardes de domingo. Chamava-se Faustão e ocupava a grande da TV aberta em um canal bastante popular comum programa popularesco de auditório, Domingão do Faustão. Revelava artistas, tinha grande influência em suas carreiras. Logo, era disputadíssimo e brilhar no palco do programa era deslanchar na carreira. 

Isso em anos 1990, 2000, por aí. Depois, o programa foi caindo em desuso pela classe artística que passou a dispor da internet e das mídias sociais para se promover e se autopromover. 

Eu me lembro do Faustão, especificamente por uma frase que ele dizia: Um dia toda a plateia vai estar no palco e ninguém vai estar na plateia, pois todo mundo quer ser famoso. Ora, será que ele estava prevendo a ascensão dos influenciadores digitais? 

Obviamente ele não era tão digno de nota em sua capacidade cognitiva, então, acho que só o que ele queria dizer é: todo mundo quer ser famoso porque vê na TV esse "glamour" e acha isso bom. Acontece que as mídias sociais vieram para mostrar que a TV não importa mais tanto assim. E famosos aos milhares aparecem todos os dias. Tem muito famoso quem, mas também tem muita gente que não quer aparecer. 

Celebridades de internet ultra-nichadas. Quem nunca se deparou com o cartaz de um evento anunciando que Fulano, Ciclano e Beltrano vão estar lá e se perguntou quem eram? Hoje as celebridades são tão ultra-nichadas que, do nada, aparece um amigo hipster do seu lado, dando gritinhos de alegria porque Zé Fulano está no evento. E você achava que conhecia a bolha do seu amigo hipster, mas, de repente, se vê boiando sobre quem seria Zé Fulano. 

E por que saber quem é Zé Fulano é tão importante assim? - acabo me perguntando, pois justo eu, tenho ojeriza à ideia de celebridade, salvadores, endeusamento e idolatria. Só faz sentido saber quem é esta celebridade se você quer participar da bolha em questão. 

Ah... as bolhas. E o que são bolhas? Esses grupinhos que antigamente chamavam de tribos e só se identificava na adolescência. Mas agora que uma boa parte do mundo se esqueceu de crescer, a ideia adolescente de tribos se transformou em bolhas. Grupinhos que se identificam por um jeito de vestir, de falar, de se comportar, aparência similar, ídolos similares, ideias muito mais do mesmo similar. 

Comportamento de bolha, então, se torna tudo aquilo que essas pessoas fazem para se manter na bolha. E, acredite, são as coisas mais simples, como os canais de YouTube que seguem, e as coisas mais bizarras, como assassinar um cachorro e desenhar uma baleia na pele com estilete. 

Não são pessoas livres, pois estão na bolha e se a estourarem, serão afastadas com indiferença, bloqueio de perfil e até mesmo cancelamento online. O medo de não pertencer é constante e faz essas pessoas agirem como ratos em laboratório, hamsteres correndo em rodinhas até aceitarem que a bolha do Prozac é bem normal e bem-vinda. 

A ideia toda de identidade aprisiona estes seres, pois se forem excluídos da bolha, quem serão? O que farão de seu cabelo, o que vestirão? Que livros vão ler, que séries assistir? Com quem vão conversar sobre o mais novo episódio de Master Cheff, ou comentar sobre a mais nova tendência na cerveja artesanal? 

Quando você olha para os lados e vê apenas pessoas iguais a você, meu conselho é fuja. Fuja rápido e para longe. Sem olhar para trás. Porque sua vida vai ser só triste e monótona. Sua ilusão de pertencer vai te levar ao vazio criado pela identidade falsa. Você será apenas um falsário de si próprio. 

A liberdade não é concedida por ninguém, é tomada à força. 

É uma ideia da qual as mentes vivazes absorvem a essência repudiando rótulos, bolhas, identidades, similares, unanimidades. Toda unanimidade é burra, já dizia alguém muito importante que infelizmente esqueci quem é. 

Só tem liberdade quem tem coragem. Coragem de furar a bolha, de questionar a identidade, de abandonar seus rótulos e deixar de esperar likes e comentários nas mídias sociais para se sentir influenciador. Não vou usar o clichê de "ser quem você é", porque a maioria das pessoas infelizmente não sabe quem é, nem o que quer. Só sabe do que gosta e do que não gosta e isso não define ninguém. 

Gostar e não gostar é a receita para a eterna insatisfação e sofrimento. Se você apenas aceita o que tem para hoje, independente de gosto, se adapta e se move naquilo, buscando o que há de melhor, não no outro, mas em si mesmo com aquela situação, você domina as circunstâncias que causam o sofrimento. E aprende a ser livre. 

Liberdade é ser ninguém na fila do pão e amar isso. 

Quem se importa?

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terça-feira, 28 de maio de 2024

Sobre o gozar e a dificuldade de se adaptar ao envelhecimento

 Sabe qual é o pior tipo de velho? É aquele que quando era novo tirava sarro dos mais velhos. Porque ele cresceu achando a velhice ruim. Cresceu achando que seria eternamente jovem e nunca mudaria. 

Mas, fato da vida é que ninguém neste mundo está ficando mais novo. E o adolescente que hoje tira sarro dos idosos, um dia será idoso também. A menos que morra, aí, pelo menos, vai ser um velho ranzinza a menos no mundo. 

O passar do tempo é de uma inevitabilidade marcante. Mas então por que nos apegamos à uma imagem tão breve quanto é a da juventude? Será que o ser humano é tão ignóbil assim a ponto de tentar parar o tempo? 

Tempo é como água, você pode tentar segurar nas mãos, mas não vai conseguir. Vai fenecer no processo. E quanto mais tentar, quanto mais se esforçar, pior vai ser seu fenecimento. Será um velho do pior tipo. Aquele que range os dentes porque os joelhos rangem. Que acha que é o único a sentir dores articulares e o peso da idade. Que anseia por um implante capilar, um novo tratamento antirrugas, um modo de deixar a próstata enxuta, hormônios para não perder testosterona, para superar a menopausa. 

O decaimento do corpo é sutil, mas nem sempre suave. É um encontrar-se branco onde era preto. Enrugado onde era liso. Frágil onde era forte. O broxável no imbroxável. 

E o gozo que antes era constante, saudável, jorrava e espirrava, agora é raro. E se não for é apenas falso. Pílula azul. 

O pior velho é aquele que queria, mas não goza. 

Porque aprendeu o gozar apenas no predomínio fálico e não transferiu o gozar para a vida inquietante e mágica. Porque em vez de apreciar, conviver, amar e se deslumbrar com o novo, dia após dia, reclamou, odiou o mais velhos e quando envelheceu, odiou por inveja os mais novos. Perdeu a chance de se surpreender com o belo no simples, com a nobreza na atitude serena e compassiva do aceitar que o tempo passa. 

E que o gozar muda de objeto. Se o objeto óbvio do gozo jovem era o sexo. Na velhice, o gozo é atitude, é a sabedoria, a nitidez que a experiência acrescenta sobre a vida. O simples entender que a ansiedade de estar sempre certo e querer resultados rápidos morre muito rápido. 

Na medida em que o gozo muda de objeto, entendemos que o prazer da vida é o simples viver. Encantar-se pela surpresa diária de se ser quem é, sem esperar ser o mesmo. Que estar sempre certo é um grande erro. E que resultados rápidos tiram o prazer da jornada do aprender. 

E que ninguém nem liga para você tanto quanto você gostaria. Você acha que todos te olham e te vigiam. Que comentam sobre você e te acham incrível ou detestável. E mostram comentários do Instagram para provar que sim, as pessoas se importam. Bem, a realidade é que se você excluir seu perfil, ninguém vai vir na sua porta perguntar o motivo. 

Ninguém se importa contigo por um tempo maior que um rápido clique. E se você acha isso cruel é porque nunca foi livre de verdade. Porque liberdade é agir como se ninguém se importasse. Ser o que se é, sem prestar contas, nem criar ou ter expectativas. 

Liberdade é gozar ao infinito, a vida inquietante, mágica e impermanente. 

Frequentadores de academia: personagens ou gente real?

Olha, já gostei muito de frequentar a academia. Aquela de ginástica, não a de cérebros. Mas hoje, depois das lesões nos joelhos, tenho tido repetidas tentativas de retornos e desistências, porque a motivação que eu tinha antes das lesões, miou. E motivação é tudo, te dá energia, alegria, mesmo na contrariedade. 

Hoje, a única coisa que me diverte na academia é observar as pessoas, um hábito que adquiri desde criança e hoje atribuo ao meu autismo. Eu não sabia como me comportar, então observava e copiava. Com o tempo, passei a entender mais de gente, fui para o teatro e comecei a escrever histórias de ficção com centenas de personagens. Me interessei por psicologia. 

E assim, minha observação de pessoas passou a ser mais técnica, mais profunda. A academia é um lugar fascinante de observação e reitera algo que eu tinha observado em retiros de silêncio: todos acham que estão sendo observados pelos outros, mas ninguém olha para ninguém, apenas para si próprio. 

Isso é muito curioso! Fica bem evidente na vestimenta, maquiagem, olhares furtivos, inclusive no espelho. As pessoas querem ser notadas. Mas não se esforçam para enxergar os outros. A menos que seja para criticar. Aí...

Vamos aos personagens
Tem um rapaz na academia que frequento que entre os próximos foi apelidado de GI Joe. Sim, aquele bonequinho militar dos comandos em ação, uma franquia de brinquedos que virou desenho e filme para catapultar as vendas. 

E porque o apelido? Primeiro, porque, de acordo com o que eu soube, ele é um entusiasta das forças armadas. Usa umas roupas camufladas, tem um jeitão marrudo e gosta de conversar sobre forças militares. Mas ele não é militar. Dois militares veteranos que frequentam a academia já conversaram com ele e atestaram que o cara é só um fanático, não tem nenhum histórico em nenhum órgão militar. 

Daqueles militares de boutique. 

O que leva ao segundo motivo: as roupas que ele usa. Bem aí, eu comecei a chamar a figura de GI Joe Barbie, porque ele vai dos camuflados aos microshorts colados na cor branca, de um dia para outro. Usa um mp3 player rosa e um óculos vermelho, mesmo dentro da academia. Aparentemente, calças coladas são muito seu estilo. E coladas daquele jeito que dá até para saber se a pessoa tem uma ou duas bolas. 

Ou seja, a figura é só estilo! Uma mistura de GI Joe e Barbie, duas influências muito distintas para um personagem apenas. Mas seu comportamento também é digno de nota: nos dias mais inspirados, ele puxa cargas altas e depois de soltar, ele berra com o aparelho. 

Ele nunca vai saber, mas ir à academia e observar o figurino do dia do GI Joe é uma motivação muito importante para essa atividade tão chata. Como disse, adoro observar pessoas e ver nelas, personagens, me deixa realmente com mais animação do que as músicas puntz puntz que insistem em tocar nesses lugares. 

Hoje, vi uma senhora que aparenta ter já seus 60 anos, com uma roupa macacão estampada. Muito compenetrada em seu treino, parecia uma hard worker, com seu fone de ouvido e celular rolando vídeo, sem se distrair com ele. Tem outra senhora, de 86 anos, que faz musculação e Karatê. E tem as moças, de vários estilos: as gordinhas que querem emagrecer; aquelas com personal que parecem sementes de atletas; aquelas "bumbum na nuca" que vão bem maquiadas com roupas coladas e curtas; aquelas mais simplonas, tipo camiseta e calça. 

De homens, tem alguns senhores cabeça branca: uns bem fortinhos; outros barrigudos. Tem alguns veteranos fortes também. Mas a maioria é de rapazes em busca de shape. Uns mais discretos, do tipo short e camiseta e outros do tipo selfie no espelho, regata bem cavada. Tem um rapaz, cabelos encaracolados e óculos, camisetas nerd. Vai todos os dias bem cedo. O que prova que nerds não derretem se vão para a academia. 

Estas observações me ajudam um pouco a diminuir o tédio absoluto de continuar frequentando a academia, pois minhas motivações que uma vez eram: vou estrelar uma peça de teatro musical; vou fazer um endurance; vou fazer o Caminho de Santiago; hoje são apenas: vou fazer esta merda para tentar adiar a artrose até os 60 anos. 

Não é uma boa motivação, confesso. Mas não existe teatro musical para cadeirantes. O mundo é cruel com aqueles que não têm saúde. Por isso, se você tem, esforce-se para não perdê-la. Porque uma vez perdida, recuperar é mais difícil, e por vezes, impossível. 

sábado, 25 de maio de 2024

A moda de mendigar na internet

Estava lendo um artigo sobre psicologia humana e ao final, na sessão de comentários, me deparo com o quê? Um comentário mendicante: 


Além do despropósito de o comentário estar em um artigo que falava sobre vingança, ou seja, nem mesmo entrava no assunto assistencialismo ou qualquer coisa parecida, a mensagem em si me chamou atenção pela absoluta dificuldade de a pessoa que escreveu nem mesmo conseguir se expressar propriamente em uma frase razoavelmente construída. 

Fiz apenas uma breve investigação e encontrei o mesmo comentário em outro site, já com um nome diferente: 


Neste, chama a atenção que a pessoa que escreveu, fez questão de errar também o nome, ou seja, será uma estratégia de "fazer-se de pobre miserável"?

Talvez, mas vejo os mendigos de rua com seus cartazinhos feitos em papelão de caixa muito mais bem escritos, com erros ocasionais, ok, mas com frases compreensíveis, tipo: "Fome. Ajude um desempregado pai de 5 filhos". 

Bem, nesta de buscar a mensagem mendicante, vi que a BBC escreveu um artigo sobre a mendicância pela internet. E a frequência com que isso mascara golpes: 
'Estou passando fome, faz um Pix': como pedidos de doação se multiplicaram nas redes sociais

A matéria enfatiza que "A análise de mais de 1,5 mil tuítes de 181 usuários que pediram doações via Pix num período de 15 dias em julho deste ano revelou que ao menos 4% dos perfis e 10% das postagens tinham "alta probabilidade de comportamento automatizado". Ou seja, muito provavelmente, são robôs programados para pedir doações nas redes." 

Lógico que, pela análise, percebemos que a maioria dos pedidos mendicantes pela internet são reais. Só que para ser bem sucedido, um pedido desses deve viralizar e viralizar é algo que não acontece com todo mundo, logo, nem todo mundo que mendiga pela internet consegue bons resultados. 

Já quem mendiga no mundo real, semáforos e afins, até que consegue uma grana, de moedinha em moedinha, paga seu aluguel, compra sua comida, fralda para os filhos, já ouvi vários casos. A moda de mendigar na rua é vender paçoca contando uma historinha triste. Tem até mendicante empreendedor. Ele inova: vende paçoca com um texto diferente. Algo do tipo: não estou pedindo o peixe, estou usando a vara (prá se ver que o empreendedorismo, ou melhor "empreendedorismo" também virou modinha. Sobre isso talvez eu fale em outro post. Ou talvez não. Só se me der vontade.) 

Claro que tem os mendicantes golpistas e já me deparei com alguns. Um texto muito bom, ensaiado, mas a memória curta. Porque quando vem até você e você já viu aquela figura pedindo e dizendo que morava em um lugar e tinha tantos filhos e um problema na perna e dois anos depois, o discurso é o mesmo, mas a doença e os personagens são diferentes, você fica na desconfiança. 

Uma delas comecei a chamar de a eterna grávida: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Oito meses depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer.". Dois anos depois: "Tô grávida de quatro meses, tenho doença autoimune e preciso de dinheiro para comer." Até que vi a pessoa comprando droga na esquina do lugar onde costumava pedir. A barriga tava sempre lá, ela não tinha filhos e mendigava para comprar drogas. 

E pela internet, você só vê o que o mendicante quer mostrar. E pode ser que não seja real, quem vai saber. Joãozinho é meu filho de quatro anos e tem uma doença raríssima que precisa de uma cirurgia urgente que custa 600 mil reais. A foto do Joãozinho é comovente. Três anos depois, a corrente ainda circula: ajudem o Joãozinho, tem quatro anos, uma doença rara, precisa de uma cirurgia urgente. A mesma foto comovente. Aí você se pergunta: Joãozinho está na Terra do Nunca? Nunca cresce?

Olha, não estou dizendo para não ajudar, não doar, não ter compaixão. Estou alertando para quem se comove: pesquise os antecedentes. Vai atrás da informação correta, das fontes reais. Se interessa, vai conhecer. Não cai naquela falácia de doar não importa a quem. Importa sim! Porque você pode escolher ajudar alguém que realmente precisa. Eu sempre recomendo procurar ONGs para doar. Porque elas conseguem ser abrangentes, ter transparência e idoneidade. A ONG certa faz um trabalho que se multiplica por muitas pessoas, enquanto que ajudar uma só pessoa pode ser só assistencialismo. 

Hoje existem plataformas de vaquinha online, onde as pessoas podem criar uma campanha para arrecadar doações. Mas elas também precisam de divulgação e se não viralizarem, não arrecadam grande coisa. E também há fraudes nestas vaquinhas, há pessoas que criam vaquinhas com justificativas estranhas (vide caso Bel Pesce), enfim, há humanos e humanos. 



domingo, 12 de maio de 2024

Bizarrices do desastre no Rio Grande do Sul

Depois de acompanhar muitos desastres e analisar a atuação dos órgãos de resposta e principalmente os de comunicação, certas coisas passam a ser tão repetitivas que ficam irritantes. E agora, com esse grande desastre no Rio Grande do Sul, com as chuvas que causaram enchentes, enxurradas, inundações e deslizamentos, às vezes dá vontade de distribuir marretadas de conhecimento, para cessar a ignorância alheia. 

Vou listar: 

1. Sempre tem oportunistas no desastre

Políticos, influenciadores digitais, empresas privadas, até mesmo acadêmicos oportunistas, veja bem! Nunca se interessaram por defesa civil e de repente são solidários e começam a falar em prevenção, reproduzir uma palavra aqui, outra lá de defesa civil e com toda a cara de pau do mundo, posar de herói. 

O principal objetivo dos oportunistas é posar de herói, pois de acordo com o manual do marketing, o mito do herói ainda está em alta. Se emocionam, disponibilizam seu pix para receber doações, enchem um caminhão com doações e uma equipe bem preparada de vídeo e fazem aquela cena para se promover no sofrimento alheio. 

Vide: Pablo Marçal, o próprio governador do RS, aquela prefeita do RS fazendo vídeos na chuva, Esperidião Amin, Astronauta Pontes e Sérgio Moro naquela PL ridícula que mostra que nenhum deles conhece a legislação já existente. E muitos outros fulanos que fizeram posts e stories. A incompetência no desastre aparece na ação destes oportunistas. 


2. Toneladas de doações inúteis

Um grande erro é doar qualquer coisa, porque "eles não têm nada". Aí chega calçado sem par, sem sola, sem cadarço, velho, fedido e sujo. Roupa de cama com sarna, colchão mofado, roupa velha, rasgada, suja. Comida vencida, vide Coca Cola, Tyrol. Comida inútil: Danone (como vai distribuir um caminhão de iogurte, que precisa de refrigeração em uma área que mal tem energia elétrica para o básico?). Essas empresas só doam para abater do imposto de renda, por isso enviam qualquer porcaria. 

Doação não é descarte! Mas na hora de posar de herói, a foto não registra isso. 


3. Acadêmicos com propostas mirabolantes e "inovadoras"

Ah, o ego acadêmico é algo a ser estudado. Uma certa professora da UFSC, pesquisadora de governança, nunca pesquisou desastres na vida, aí, de repente apresentou a governança como a solução de todos os problemas da Defesa Civil. Um pouquinho de realidade nesta mente esquizofrênica, né? 

Nesta hora, os agentes de Defesa Civil levantam aquela sobrancelha e só lamentam, porque a pessoa ainda insiste que seu modelo é universal. Nesta onda, vi muito projeto de banheiro seco ganhar premiozinhos de sustentabilidade, porque implantam na comunidade X e olha só, funciona? Só que funciona por alguns meses, até a comunidade sacar que terá de fazer ela própria o manejo da merda toda. Aí, abandonam o banheiro seco. 

Foi sustentável? Não. Foi útil? Não. Virou lixo muito cedo? Sim. Assim como muitos projetos de acadêmicos iludidos e esquizofrênicos. 


4. Vou pegar um bote e ir lá salvar as pessoas

Quando precisa, você tem que ajudar. Mas se você não sabe o que fazer, não faça nada. Esta é uma regra básica de primeiros socorros. Primeiro você cuida de si, depois cuida do outro. É a fala da comissária de bordo no avião: primeiro coloque a máscara em si, depois no outro. Porque se você não cuidar de si, vai se expôr ao risco e vai virar mais um precisando de ajuda. 

Aí, aqueles fulanos comentando nos posts: "cadê os empresários que têm helicópteros para resgatar estas pessoas?" Tipo... oi? Desde quando um piloto comercial virou resgatista? Ele não tem treinamento, nem equipamento, vai só se expôr ao risco, arriscar a vida dos que precisam de ajuda e pode ainda atrapalhar as equipes verdadeiras de resgate. 

VIDE: Luciano Hang e vários outros que não me dei ao trabalho de ver. 


5. A cobertura da imprensa explorando a emoção 

Eu tenho uma palavra para isso: lamentável. William Bonner de camiseta preta à lá Zielenski, entrevistando o governador gaúcho, Eduardo, com camiseta branca, à lá Zielenski, falando baboseiras sem fim, como se estivessem em campanha política. Anos de incompetência e descaso com a defesa civil não é o assunto porque isso é falta de empatia com a dor do momento. Foi o que o governador respondeu ao André Trigueiro, um jornalista muito melhor que Bonner, ao ser perguntado sobre as políticas de prevenção. 

Falta de empatia, caro governador, é sua incompetência em estruturar a defesa civil. Falta de empatia é botar a culpa nas chuvas, como todo incompetente se vitimizando e jogando a responsabilidade para um fator externo. Falta de empatia é sua cara de pau de posar de herói falando besteiras sobre meio ambiente e zero entendimento de defesa civil. 

E Fantástico, que patético aquele texto narrando o desastre, "a água como vilão da história". Ora, francamente, vão estudar desastres! 


São tantas as bizarrices do desastre no RS que nem quero continuar daqui. Este assunto me deprime. 


sábado, 11 de maio de 2024

Cada um tem o umbigo que merece

 Tem uma coisa no ser humano que se você observar, vai começar a perceber e vai achar patético. 

Ah, sim, os seres humanos são muito patéticos. 

Porque eles se acham o umbigo do mundo. Sempre pensam que todos estão olhando para ele, sabendo o que eles sabem, agindo como se soubessem quem ele é e o que faz, como se fossem a pessoa mais importante do universo. 

Comecei a notar isso em um retiro de silêncio. Eu observava as pessoas, mas não no grau de interesse de saber o que estavam fazendo, mas com interesse em conhecer quem eram pelos gestos, pelo que fazem quando não podem falar e quando ninguém está olhando. 

Só que quando começaram a falar no final do retiro, percebi que várias pessoas achavam que estavam sendo observadas o tempo todo. Que os outros sabiam o que elas estavam fazendo. A princípio, achei aquilo curioso. Eu me sentia muito à vontade, não via olhares sobre mim. Depois, fiquei preocupada, será que observam mesmo? 

Então, percebi que a maioria não está nem ligando para o que os outros fazem ou como se parecem, mas acham que estão sendo observadas. 

E em minha mente criei a teoria do umbiguismo. Obviamente deve haver estudos psicológicos de comportamento neste sentido. Mas eu apenas guardei a teoria para mim, não pesquisei sobre isso em profundidade. Sei que o processo narcísico é importante para o crescimento, mas nunca tinha pensado no narcisista em cada um de nós mantém na vida adulta em graus variados. 

E então, certo dia ouvindo a palestra de um lama, ele narrou sobre um outro lama que apesar de seu enorme conhecimento e anos de monastério, quando o Dalai Lama visitava o mosteiro, mesmo sendo amigo pessoal dele e convidado a ficar ao seu lado, no alto, onde os palestrantes ficam, ele se recusava. Ficava lá fora, junto com os leigos, longe dos holofotes. 

Não era um ato de esnobar a hierarquia, o poder, nem mesmo era um ato de humildade. Ao ser perguntado porque não ia para o lado do Dalai Lama, o outro lama respondeu o seguinte: eu conheço meus defeitos. Sei que se estiver lá, ao lado de importantes figuras, vou me preocupar com que as pessoas pensam de mim ali. E enquanto não domar essa vaidade, não posso sucumbir a ela. 

A maioria dos humanos não tem esse nível de esclarecimento e autoconsciência. São vaidosas e quando se dão conta disso, ficam ainda mais vaidosas, entram numa onda de auto-empoderamento baseado apenas em imagem. 

Isso não seria problema se não toldasse os olhos das pessoas para o que verdadeiramente importa. O umbiguismo julga: isso se parece comigo, gosto; aquilo não se parece, não gosto. 

Criamos bolhas e permanecemos dentro delas, com os olhos fechados, dentro de nossas ilusões. Alguns vão dizer que é Matrix, mas Matrix é apenas arranhar a superfície. A cobertura de Nutella da realidade. Porque dentro da Matrix tem um outro sistema umbiguista, não é um sistema liberto de vaidades. 

O libertar-se de vaidades não é aquilo que muitos afirmam: "Sou assim, não me importo com o que os outros pensam". Porque quando a pessoa afirma "Sou assim", ela já está mostrando sua vaidade. E o não umbiguismo seria: Não sou nada. 

Ontem, discuti com uma cientista com a mente fechada. Tentou me ofender, dizendo que meu conhecimento não era válido, que eu não havia entendido um determinado conceito, porque discordei de sua ideia sobre os limites daquele conceito. Disse a ela que havia os limite do conceito, por isso ele não era aplicado universalmente como ela imaginava. 

Ela não quis nem refletir sobre isso. Do alto de sua arrogância, disse que seu campo de pesquisa resolveria todos os problemas da minha pesquisa. Só que ela nem sabia o que eu pesquisava. Imaginou, se iludiu, mente fechada, não curiosa, cheia de julgamentos e achismos, não quis nem saber. 

Em certo momento, ela achou que encerraria a conversa dizendo que eu não deveria estar em tal grupo, pois não entenderia o que discutiriam lá. Eu, que nunca tive a intenção de participar de tal grupo, disse simplesmente que ela tivesse respeito pelo campo de pesquisa que estava adentrando e que não era área dela. Que mantivesse a mente aberta para perceber os limites de sua própria área, ao tentar a conexão com um campo que não dominava. 

E disse que havia observado sua comunicação desde o princípio, desrespeitosa, cheia de achismos e julgamentos e que não era esta a postura que eu esperava de um par científico. A ciência não tem espaço para achismos. 

Com certeza, não tenho nem a intenção de mudar a ideia dela sobre nada. Não tenho essa ilusão. Quer ampliar seu horizonte, venha com a mente aberta. Não quer, fique aí, nas suas ilusões e não atrapalhe. 

Ninguém muda ninguém, ninguém observa ninguém. A maioria das pessoas não dá a mínima para as outras, mesmo que pensem estar sendo observadas por serem muito importantes. 

E todo mundo tem o umbigo que merece. 


quarta-feira, 1 de maio de 2024

A ilusão de que trabalho enriquece

Estava analisando uma entrevista em que, dado momento, o entrevistado, um senhor distinto, militar, conservador, com linguajar simples, porém com arroubos de sofisticação, se refere a um assassino que matou crianças em uma creche como "aquele marginal". 

Então, passado o trabalho de análise, "aquele marginal" não saiu da minha cabeça. O sujeito, branco, militar, cargo importante, influente politicamente e em suas bolhas sociais já tinha se referido anteriormente à questão indígena com um discreto desprezo. E "aquele marginal" confirmou que seu verniz de pessoa importante era só a fachada do que representa uma boa parcela do povo, brasileiro ou não: 

garanto meus privilégios e os da minha bolha social, o resto é "aquele marginal". 

Indígena não compra imóveis, só pede suas terras de volta, então são "aquele marginal". Favelados, descendentes de escravizados não compram imóveis, então são "aquele marginal". 

Mas o mais interessante é que "aquele marginal", o assassino de crianças na creche era branco, vindo de uma família estruturada, pessoa "de bem". 

Talvez nazista, talvez psicótico, com acesso pela internet a bolhas bem específicas de muito ódio. Talvez o assassino quisesse cobrar a vida de crianças porque ele próprio não tinha mais o direito a uma creche com hora do soninho, em vez do trabalho assalariado que, segundo prometeram, traria a riqueza e o poder. 

Enfim, "aquele marginal" é qualquer pessoa "de bem" que, metida em uma bolha, alucina que o mundo está contra ele. Pode ser você, pode ser eu, pode ser qualquer fulano neste mundo. 

Tem um estudo baseado no Experimento de Aprisionamento de Stanford, que mostra que não é preciso muito estímulo ou muita realidade para uma pessoa "de bem" virar um maníaco assassino. Basta se perder em sua bolha. 

E como seres humanos, sempre fomos bolhosos, não é prerrogativa da sociedade atual. Então, talvez devêssemos ser menos humanos. Transitar entre bolhas, estourar bolhas, perceber como elas se movem. Mas, não se faça superior por isso, porque você vai perder sua humanidade: deixará de pertencer, de ser bairrista, de usar a mesma linguagem e mesmos argumentos dos outros. Vai ser o diferentão. 

Mas perdendo sua humanidade, você ganha toda a natureza que está fora da bolha. É mais ampla, é mais sábia, é mais livre. Poucos aguentam, se você não tem coragem, nem tente. 

Ah, mas é solitário... Sim, talvez seja. Mas, você às vezes esbarra em outras pessoas que não são mais cabeça de bolha e aí, começa a perceber que não é o diferentão, a bolachinha dourada do pacote especial do universo. Você é é mais um na multidão. E isso é o que te dá a liberdade de ser o que quiser ser. 



Manezinho, povo mesquinho

 Minha rima é válida, porque é real. Basta ver um velho morrer no Ribeirão da Ilha pra já notar a mesquinheza do povo manezinho, esse que nasce na ilha de Santa Catarina, Florianópolis, para os menos chegados. 

O defunto mal esfriou, às vezes o passante nem morreu, e lá vão os parentes procurar saber o que vão ter de herança. Nunca vi povo mais mesquinho nas minhas andanças pelo Brasil. Enriquecem à custa de herança, se desentendem por herança, matam por herança. 

Trabalhar que é bom, aí é difícil, porque manezinho bom é manezinho preguiçoso. Reclama de tudo. A tainha alheia é sempre maior. Os turistas infestam nossas praias, mas vamos aumentar o valor dos aluguéis pra explorar o pobre coitado de férias. 200 reais um prato de peixe numa dessas vias gastronômicas. Vamos vender os terrenos invadidos e herdados para construir condomínio e ah, plano diretor, preservar a mata pra quê? 

É, se fosse pelos manezinhos, a ilha de Floripa já teria virado a Ilha de Páscoa, inerte, sem vida, sem árvores, só com ilhéus "típicos" pra cobrar caro numa tainha xôxa e num hotel de besta. O atendimento ao cliente tão ruim que o cliente quase pede desculpa por comprar. 

Esse é o manezinho. 

Ah, mas você só foca na negatividade, deve ter coisa boa. Coisa boa só quando o manezinho vai embora da ilha. Porque daí, pode ser que ele tenha um choque cultural e comece a enxergar sua pequeneza diante do mundo e ser menos mesquinho. 

Pois é, só que isso não acontece. Não com o manezinho. Olha bem, Floripa é um paraíso. Minha tainha vai ser sempre melhor que qualquer peixe metido a besta. 

Então, é isso, não tem coisa boa. Nem manezinho morto é manezinho bom, porque os parentes, os mesmos que querem só a herança do defunto, só falam mal da criatura. 

Eles dão um jeito de se autodestruírem. 

domingo, 21 de abril de 2024

Quando a felicidade é comprar e o mito do mindfulness

No post anterior, eu falei sobre a paz mundial relacionada à liberação do sexo anal e este assunto é só mais um dos que eu considero essenciais para a construção da paz. Agora, este blog se chama Universo Bizarro, então, você pode levar a sério o que digo, ou fuder para isso e dar umas boas risadas. Qualquer um dos resultados tá valendo. 

Na busca por entender a paz, inevitavelmente passamos pela análise do ser humano, esta figura complexa e completamente descartável para o mundo. Sim, descartável. Se a raça humana se extinguisse de repente, o mundo continuaria numa boa, na verdade, bem melhor. Somos descartáveis, muito mais do que as formigas, as abelhas e com certeza muito mais que os vermes. 

Você pode ler isso com uma sensação niilista depressiva ou com uma sensação de liberdade, a escolha é sua. Como eu odeio os niilistas, fico com a sensação de liberdade. 

Coisa mais boa saber que nada nem ninguém depende de mim! Que estou livre para escolher o caminho que for e que o impacto disso na vida dos outros é insignificante! Ahh... liberdade é isso. 

Mas, tem gente que acha que liberdade é ter dinheiro pra comprar tudo o que quiser. Eu não as recrimino (muito) por isso. Mas vejo como são tapadas. Porque dinheiro é uma prisão. Olha só a sua vida: quando você era criança e não lidava com dinheiro, você era bem mais livre do que é agora, como adulto, não é? 

Não tinha que vender seu tempo, agradar pessoas tolas, cumprir metas estúpidas, vender produtos que ninguém quer, ou cumprir burocracias que ninguém gosta. Isso tudo por dinheiro. 

Aí, se você ganha bem, tem dinheiro, faz aquela viagem legal, gasta tudo em hotel, comidas, roupas caras, carro novo, uma casa luxuosa, serviços de entrega, streaming, atendimento em domicílio, etc...  Mas apenas no seu parco tempo livre. Cadê a liberdade? 

E se você não ganha bem, o que é a realidade da maioria, digo, 95% da população brasileira, você não vai ter nem dinheiro suficiente, nem tempo para liberdade, você é um pobre assalariado em regime semiaberto. Vai pra casa apenas para dormir. 

E aí mora num cubículo empilhado, também chamado de apartamento, no qual não pode nem abrir as janelas, porque o prédio da frente é tão próximo que seu vizinho poderia opinar sobre a cor de suas meias se suas cortinas estivessem abertas. O condomínio é cheio de regras, não pode nem pendurar a roupa no varal. Não tem um jardim, a menos que haja um gramado para os cães cagarem. E tudo o que lhe resta para o lazer no seu parco tempo de folga é comprar. 

Sair pra comprar, ou comprar em casa, tanto faz. Você compra o streaming para maratonar séries por horas a fio (e falavam que a TV de antigamente abitolava o cérebro), compra a comida pronta, entregue na sua porta, compra a rebimboca da parafuseta e o serviço do encanador pelo site de compras online. 

E se sai... bom, você provavelmente não vai a um parque ou a uma praia. Sai para comprar. Porque a sensação de estar fazendo algo útil é maior (já leu Domenico De Masi?). O tempo de ócio, o tempo "inútil", em que você apenas se deita no gramado ou na areia e fica olhando o céu, sem fazer absolutamente nada é errado! É pecado! O que diria seu chefe, sua família, seus amigos? Que você é vagabundo, vive chapado, não leva nada a sério, veio ao mundo a passeio. 

Eles não diriam que você é feliz por contemplar o céu no seu tempo livre. Mas diriam que você é feliz porque comprou um carro novo

Porra, tenho tanto ódio de gente assim que mal consigo continuar escrevendo. Mas vou continuar, porque tenho compaixão por você, pobre ser abitolado no mundo das compras, a pretensa felicidade enfiada na sua cabeça por sua bolha social. 

Comprar não traz felicidade. Traz dívidas. Você tem uma liberação momentânea de dopamina e só. Depois você volta a buscar mais itens para comprar, porque a sensação de prazer já passou, é muito fraca, é muito pouca. E você se vicia em compras, em streaming, em comida rápida, em consumo veloz. 

Sabe, é por isso que a geração de hoje acumula menos dinheiro que as anteriores. Gastamos mais com prazer do que com bens. Não digo que isso é ruim, pois considero ambos os gastos, bens e prazer, uma ilusão. Ilusão de felicidade, de poder, de prazer. Gente, sério, se vocês fizessem sexo com pessoas significativas, aquelas que amam vocês de verdade, não teriam tanta fome de prazer falso. Se vocês tivessem um senso de espiritualidade, aquele êxtase espiritual, ou religioso que se experimenta na completude não material, vocês teriam felicidade a longo prazo. 

Hoje falam muito sobre viver o agora, o poder da presença, mindfulness, mente presente, mas entendem tudo errado. Porque mindfulness virou um negócio, um produto chulo, vendido por falsos gurus, profetas do agora, da felicidade instantânea. E outra vez, você compra a felicidade. 

Mindfulness é uma versão nutella bem barata de zen, de Budismo, saibam disso. Mas na sociedade cristã puritana, Budismo deve ser pecado, porque acham que Buda é uma espécie de Deus que rivaliza com o tal barbudo monogâmico patriarcal, então, cortaram a raiz e a filosofia do que chamam de mindfulness e resolveram ensinar o poder do agora, a mente presente sem filosofia. 

Só senta e curte a vista. Como um retardado qualquer.

Pronto, você comprou a felicidade mindfulness e pode se considerar feliz, porque funciona por um tempo. Mas como tudo que é vazio por ter sido arrancado de suas raízes, funciona por pouco tempo. A mente humana, essa danadinha, é inquieta e começa a se questionar: ok, é só isso? E logo, você estará querendo mais e mais. Vai pagar retiros caros de Yoga com mindfulness, fazer viagens à Índia onde conhecerá ashrams mágicos de cura ayurveda e vai voltar vestindo roupas baratas e coloridas cheirando a incenso. 

Outra vez, você comprou a felicidade. Mas é um produto, a dopamina da aquisição dura pouco. 

Percebeu que é um ciclo sem fim? 

Você não pode comprar a felicidade! Porque a verdadeira felicidade te liberta. Você se sente livre, não preso a um monte de dívidas e a necessidade de estar sempre em um lugar assim ou assado, com pessoas zés ou marias. Você é feliz por si, zerou suas carências afetivas, zerou sua fome de tudo, suas expectativas e nem por isso está doente, em depressão. Não espera nada, não quer ter nada, mas é feliz.

Sim, isso existe. Mas não vou entregar o caminho, porque não existe um caminho. Existem vários e cada um deve seguir o seu, na medida em que caminha. Ter a mente aberta e a percepção de liberdade, o objetivo de se libertar, sempre à frente. Não mais aceitar as coisas, as opiniões sem questionar, mas nem por isso se tornar um chato, reclamando de tudo e de todos. Não é se bastar, nada disso. É perceber que você é só uma migalha no universo e ao lado de todas as outras migalhas, forma um pãozinho. Sem a pretensão de ser alguém importante, você descarta o seu ego, construído por valores sociais feitos para deitar as pessoas em cabrestos. 

Os valores sociais só existem para te tornar infeliz e escravo da busca por sanar suas carências que jamais serão sanadas. 

Cabe a cada um questionar o que te aprisiona e romper suas próprias algemas. Não adianta buscar no outro um salvador, nem deuses te salvarão. No máximo, eles te ajudarão a refletir. Mas se você não provocar sua mudança, ninguém fará. 

Ser feliz é perceber que somos menos importantes que insetos neste mundo e não se chatear com isso. 


sábado, 20 de abril de 2024

O caminho para a paz mundial pela verdade sobre sexo, testosterona e fuder para regras e algoritmos

Vocês fazem ideia que este blog já tem 20 anos? É o auge da testosterona para um jovem, pequeno padawan! Mas, o auge da testosterona não significa melhores experiências. Talvez mais, talvez mais rápidas. Melhores, hahaha, no. 

Então, vamos falar de sexo. Porque parte das pessoas que buscam no google por "bizarro", buscam "sexo bizarro" e este blog tem devido muito neste assunto. Um assunto tão banal, trivial, sexo, a origem de muitos seres. E devido aos algoritmos puritanos das mídias sociais, quando se fala em sexo e correlatos no youtube e Instagram tem que falar em uma linguagem cifrada, tipo, s3x0, para não ser punido pelo algoritmo puritano amém. 

Só que aqui no UniB, estamos fudendo para o algoritmo, para o número de curtidas ou seguidores. Nem leitores nos interessam. Se você está lendo isso, parabéns, não dou a mínima pra você. Estamos há 20 anos online, cagando e andando para a popularidade e tendemos a continuar assim e piores. Porque decidimos envelhecer no modo Dercy Gonçalves, a musa insuperável da velhice "tô fudendo para regras". 

E por que quero falar de sexo? Porque me deu na telha. E porque acho um assunto subvalorizado. 

Quando se fala em sexo com gente subdesenvolvida sexualmente, eles riem, fazem piada. Ou, os reprimidos se fazem de escandalizados. As donas de casa belas, recatadas e do lar são contra. Mas lá no fundo da gaveta da cozinha guardam a trilogia dos Cinquenta tons de cinza e aquelas safadezas literárias do gênero pornô para donas de casa. 

Eu sei, porque escrevo. Escrevo muito de tudo. Inclusive ficção. Lógico que meus trabalhos profissionais não cagam para regras, porque a lei capitalista é simples: resultado = grana. E resultado literário é leitores e influência, curtidas, cliques, escrotices banais da vida social media. Mas aqui, a regra é clara: 

fodam-se as regras. 

Por isso, o texto não tem estrutura, começo, meio e fim, nem mesmo revisão tem. mas se quero falar de sexo, falo o que quero, não o que me pagam pra fazer, porque não sou profissional do sexo, mas do texto. 

O fato é que, faz um tempo, percebi o quanto é escrota essa lógica de pau na vagina, boca no pau, boca na vagina. E comecei a pensar que pau no cu tem muita validade. 

Não falo só de sexo gay, mas de sexo anal de todos os tipos, inclusive aquele com os brinquedos eróticos. E olha que tem cada tamanho que se chega a duvidar que entre. 

E, juro juradinho que essa lógica do pau no cu abriu meus horizontes literários. 

Não falo de literatura pornô, porque nunca publiquei nada neste sentido, mas minha visão de mundo se ampliou por causa disso. E então, comecei a considerar nas minhas obras de ficção o poliamor, o multipoliamor e o amor desapegado não escroto, que não é um Pau Amigo, mas um Pau Parceiro que está sempre contigo, mas que aceita sua liberdade de amar. 

É, porque sexo só é sexo se o coitado tem por volta de 20 anos, muita testosterona e pouca experiência, na qual as rapidinhas não são opções, mas é o que dá pra fazer de pé no banheiro de uma boate. 

Sexo só é sexo se a pessoa tem a autoestima tão baixa que só uma boa punheta e um filme pornô não satisfazem sua carência afetiva e precisa de outra pessoa para gozar e fingir que é atraente para alguém. Mesmo sabendo que essa outra pessoa deve estar imaginando uma cena com um grande galã pra topar transar. 

E aí chegamos no ponto onde a vaca torce o rabo: sexo sem imaginação é só testosterona em ação. Acompanha meu raciocínio: a pessoa que quer transar alucina que a outra quer também. É aquele olhar, aquela língua nos lábios, uma mãozinha no pescoço e puft! Mão na coisa, coisa na mão, coisa na coisa. 

E quem acredita em amor à primeira vista, sinto muito, você acredita em alucinações. Só isso. É só testosterona, aquele tesão que acomete homens e mulheres, independente do gênero. 

Sexo bom é sexo de ficção literária. Sexo de imaginação, que pode ser o que quiser, que o tamanho do pau é sempre enorme, o homem é sempre viril e bem disposto, a mulher nunca sente sono ou está cansada, menos ainda menstruada, as preliminares são intensas e criativas, os buracos são sempre encaixes perfeitos e os brinquedinhos funcionam (porque na realidade, eles duram bem pouco quando vibram). 

Porque o sexo de verdade exige uma energia que você só se esforça pra ter no início da relação. Depois do parceiro fidelizado, o sexo vai ficando mais rápido, mais raro, menos criativo. E como neste mundo ninguém está ficando mais novo, a lei da gravidade age sobre os corpos, bolas caem, peitos despencam, panças crescem e como não vemos terceira idade nos filmes hot, achamos que velhos não transam. 

Só que a imaginação continua forte na terceira idade, é claro. E se for uma velhice Dercy Gonçalves, ah, essa vale a pena. Tem muita gente de 20 e poucos que não tem o vigor de uma velha como a Dercy. São múmias, meio mortas, meio vivas, fazendo tudo conforme a cartilha do politicamente correto, tentando se encaixar para ser aceito. Falta imaginação, criatividade e um gozar além do sexo nessas vidas. 

Por isso, acho que sexo e criatividade, tesão pela vida, são parceiros inseparáveis. Distribuam pênis de borracha para os políticos que fazem guerra e eles vão aliviar sua testosterona em um bom anal. Quem sabe o que Putin, Netanyahu e companhia fariam se realmente pudessem dar uma boa trepada? Liberem o sexo anal de todo preconceito, liberem todos os buracos para entrada

E a criatividade invadirá o íntimo do ser humano. Enfim, este é o caminho para a paz mundial

E da próxima vez que você ouvir uma miss falando que deseja a paz mundial, pense no papel do sexo nisso. Vamos botar pra fuder!


quinta-feira, 14 de março de 2024

Uns comem os outros e os vermes comem todos

Me peguei hoje, pensando sobre como aprendi na escola que existe uma cadeia alimentar. Que existe uma pirâmide na qual os predadores ficam no topo. Algo mais ou menos assim: 


 
E toda vez que surge uma metáfora do tipo animal-cadeia alimentar, se incentiva que sejamos os predadores. As publicidades ressaltam o poder dos carnívoros: leões; águias; tigres e seus correlatos. 

O ser humano então, se tornou o rei da cadeia alimentar, porque dominou os meios de produção e todas as espécies que deseja comer. Mas, sinceramente, e ecologicamente falando, isso não é verdade. 

Os reis da cadeia alimentar são os vermes. 

Porque os vermes comem todos no final. Eles não precisam do equilíbrio do ecossistema, pois são ultra adaptáveis e estão em todo lugar, até dentro de nós. (Aqui faço uma licença poética para chamar os microorganizamos que nos habitam de vermes)

Então aprendemos errado? 

Não, aprendemos de um ponto de vista antropocêntrico. E agora, podemos entender que do ponto de vista vermocêntrico, a verdade é que uns comem os outros, mas quem está no topo e come todo mundo são os vermes. 


terça-feira, 5 de março de 2024

Se minha vida fosse um filme

 Se minha vida fosse um filme, eu não sei qual seria o enredo principal. Poderia ser muita coisa. Mas geralmente sua vida se torna um filme por alguns motivos de roteiro bem óbvios: 

1. Você tem uma doença rara e supera isso ou faz uma boa coisa e morre (O Menino da Bolha de Plástico; O Homem Elefante; Por toda minha vida; A Teoria de Tudo; A culpa é das Estrelas; O óleo de Lorenzo);

2. Você tem uma carreira de sucesso, mesmo que seja escrota (Jerry Maguire; O Lobo de Wall Street; Prenda-me se for capaz; Fome de Poder; O senhor das Armas; Obrigado por fumar; À Procura da Felicidade);

3. Você tem uma doença psiquiátrica e romantizar isso dá um roteiro razoável (O lado bom da vida; Uma mente brilhante; Adam; Clube da Luta; Melhor é Impossível; Primeiro da Classe; Garota Interrompida);

4. Você passou por um desastre ou precisou ser resgatado ou resgatou alguém (A lenda de Tham Luang; Enchente; Sully - O Herói do Rio Hudson; A Sociedade da Neve; No ar rarefeito; O resgate do soldado Ryan);

5. Você fez algo significativo na vida e se romantizar isso dá um roteiro passável (Erin Broncovit; Estrelas Além do Tempo; Nise, o coração da loucura; O jogo da imitação; Escritores da Liberdade; A Lista de Schindler; Selma: Uma Luta Pela Igualdade; Clube de Compras Dallas)

6. Você tem uma designação de gênero distinta e romantizar isso é um clichê aceitável (Todos Estão Falando Sobre Jamie; Azul é a cor mais quente; Meninos Não Choram);

7. Você era um Zé Ninguém, ou era até uma pessoa razoavelmente reconhecida, mas morreu tragicamente (Sérgio; Na natureza Selvagem; O Diário de Anne Frank)

8. Você tem uma vida medíocre e de repente acontece algo extraordinário (Homem Aranha) (ok, fiquei com preguiça de buscar roteiros tão clichês assim)


Acho que se a gente refletir um pouquinho, dá pra perceber que todos os filmes, mesmo que baseados em fatos reais, não são nada realistas, né? São obras de ficção que pinçam momentos extraordinários de vidas ordinárias, dão uma boa maquiada, colocam alguns atores bonitos e talentosos em uma fotografia impecável e pá: Mito do Herói

O mais clichê dos roteiros é o baseado no Mito do Herói e praticamente todos, 99,9% deles são Mito do Herói. Só que a vida real não é nada heróica. É uma odisseia monótona e muitas vezes sem sentido, em uma busca por algo que ninguém sabe o que é. 

Não tem um prêmio no final da aventura, não tem felizes para sempre, não tem subir os créditos no auge da vida do protagonista com aquela música comovente de fundo. 

Vida real é confusa, estranha, não tem roteiro, não tem ensaio. É improviso, um atrás do outro, cagadas homéricas, confusões idiotas causados por pequenas bobagens. Não tem diálogos inteligentes ensaiados para serem dinâmicos e completos. 

Não tem uma personagem durona, mas no fundo amável e acolhedora que pergunta: "Você está bem?". Nem em momentos de supremo sofrimento, menos ainda em momentos triviais. 

A vida é dura, é difícil, conflituosa, cheia de pequenos dramas que nem mesmo dão um roteiro razoável para entretenimento barato e novelesco. 

Viver dói e não tem marketing que deixe isso menos dolorido. Só aceita que sua vida não é um filme e pés no chão, a realidade chama. 

É isso que temos pra hoje. 

Agora, você pode se ver como a pobre vítima da realidade cruel, ou encarar essa realidade de frente, segurando o boi pelo chifre para domar a vida e tirar o melhor que ela pode dar. 

A vida é um saco. Mas a decisão de encher o saco ou estourá-lo de uma vez é sua. 

sexta-feira, 12 de maio de 2023

Se cada um for um...

 Vivemos em um mundo estranho. 

Aqui, a virtualidade importa mais que a realidade. 

Aqui, cada um é um, se der sua opinião. 

Mesmo que fajuta. Mesmo que ignóbil. Mesmo que racista. Mesmo que machista. 

Mesmo que seja um monte de lixo saindo de uma latina pútrida. 

Vivemos sem querer viver, mas querendo aparecer. 

Aparecer por fazer o mal feito. 

Por ser o miserável, o pior exemplo, o mais escroto. 

Mas, desde que tenha seguidores: 

minha bunda é sua bunda;

minha desgraça vale likes; 

minha alegria é ter, consumir, ostentar; 

encher a cara de bebida, remédio, drogas, séries. 

E dizer que se foda, que sou assim e nunca vou mudar. 

Nessa vida sem sentido, esse é todo sentido que a internet vai te dar.  



sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Como seria bom se o Google tivesse todas as respostas do mundo...

O Google, de vez em quando, surpreende, quando você digita uma pergunta e aparece alguma resposta, mesmo que não seja exatamente o que você procura.

Mas tem perguntas que realmente nem o Google sabe... Fiz uma pequena lista, baseada em coisas que ouvi e que vivi nessa eterna busca por respostas. Contemple, agora, a vacuidade de sua busca:

- Quem eu fui em uma vida passada? 
Você vai encontrar respostas, mas são todas genéricas e sem sentido. A resposta mesmo, você não consegue.

- Quantas cervejas devo tomar para me tornar alcoólatra?
Há respostas que te ajudam a identificar se você é alcoólatra, mas o Google não vai te responder isso.

- Por que minha vida está uma merda? 
Bem... se nem você sabe, o que dirá o Google...

- O que acontece com a humanidade se o eixo da Terra mudar drasticamente? 
Há várias respostas sobre a obliquidade da eclíptica, mas nenhuma prevê o que será da humanidade. Somente a ficção prevê. Pra caramba!

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

O mistério do cuecão preto

Chego cedo ao trabalho, como em todo dia quente, para evitar que o sol estabeleça seus raios (que o parta) em minha pele, e aproveitar o clima ameno produzido artificialmente pelo ar condicionado. Estou eu, sentada em minha cadeira, com um rock metal nos ouvidos, trabalhando prodigiosamente, quando aparece a assistente de serviço com a novidade mais quente do momento na empresa:

- acharam uma cueca preta no corredor.
Eu:
- quê?

Já comentei que adoro conversar com a assistente de serviço? Ela sempre sabe de tudo! Eu fico aqui, reclusa em minha sala ar-condicionada, em minha cadeira com vista para o mar, sem querer mais nada neste mundo. Mas ela não! Ela circula por todas as celas, ops, salas, e, por isso, sabe tudo o que acontece nos departamentos onde a vista não alcança.

- Uma cueca! - continuou ela. - E não era só uma cueca, era um baita cuecão! Foi a moça do RH que encontrou e tem mais: a cueca apareceu agora de manhã, porque ela foi a primeira a chegar e disse que antes a cueca não estava lá! Ela encontrou perto do bebedouro.
- Não brinca? Soltaram uma macumba no prédio?
- Uééé? Será? Macumba? Porque era uma cueca toda velha, rasgada e preta!
- Se não for macumba, não vejo forma de alguém perder uma cueca no meio do corredor de uma empresa como a nossa. Se fosse uma empresa de sex-shop, roupa íntima, fotografia, ou, sei lá, artigos para o lar, eu até poderia considerar, mas o que uma cueca faria numa empresa de tecnologia?

Assim, a conversa foi seguindo, de mesa em mesa, de sala em sala, ganhando novos palpites e amplitudes, mas o verdadeiro dono (ou dona) da cueca jamais foi encontrado (a).
Hoje não faço isso muito, mas em meus tempos de foca, eu criaria uma história, mais ou menos assim (pensando bem, eu continuo sendo foca):

certo funcionário, revoltado porque seu Vale Refeição não dava mais conta de tudo o que ele comia, resolveu fazer um protesto silencioso. Precisava ser um protesto que causasse, mas que não o identificasse. De que forma?
Veio a solução: um baita cuecão! 
E no meio do corredor, silenciosamente rindo, o funcionário, indignado, protestou.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Teoria da divisão da humanidade em duas dimensões

Eu já expressei aqui a ideia genial e inovadora (isso é uma ironia, se você não sabe o que é ironia, clique aqui) de se pensar que a Terra é plana, há uns posts atrás.
Hoje, retorno com uma teoria sobre isto e sobre este mundinho no qual vivemos atualmente, no qual o passado deixa de ser passado, para ser revivido e ressignificado de uma forma, por vezes, duvidosa.

Temos a ciência. A ciência evolui baseada em teorias e experiências, desenvolvidas com métodos rigorosos e pareceres de pares (cientistas que pesquisam a mesma coisa que você). 
Se não tem método, revisão por pares, teorias e experiências, não é ciência. Simples assim. 

Aí, vem uma galera que acredita que ciência é outra coisa, outra coisa qualquer, tipo: decidi que ciência é uma cervejaria. Lá se faz cerveja e se o povão ignorante gosta, é ciência, se não gosta, não é ciência. 

O mais interessante disso é que fica na cara que as pessoas que acreditam na cervejaria que produz ciência, realmente acreditam que é ciência. Temos um caso de histeria coletiva? Massa acrítica? Massa acéfala? Modo pônei de ver o mundo? Mil teorias, meus caros blogonautas, e eu, é claro, lancei a minha própria. 

Minha teoria é que o mundo vai se dividir em duas dimensões: uma real e científica, vamos chamar de Mundo Cruel, ou MC; e a outra ilusória, a dimensão Pônei Unicórnio, ou, como prefiro chamar, PU. 

MC versus PU
MC vai voltar ao normal, misteriosamente após quatro anos. Já PU vai se perder para sempre nas brumas, cada vez mais separado da realidade do mundo MC. Tipo, equivalente à ilha de Morgana, Le fair, nas Brumas de Avalon. 
As pessoas que não escolherem entre as duas, não poderão ter uma vida normal, pois PU e MC tem seus opostos congruentes estatéticos e constelatícios já bem definidos e exatamente corretos, em relação ao universo. Ou seja, as duas dimensões existem em polos opostos na realidade atual. Isso já é real! 😳

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Família Adams no Tic Tic Tac - vai saber...

Sessão flashback com toques bizarros hoje. Nos anos 1990 tinha um grupo de música chamado Carrapicho, que fez sucesso com a música "Tic tic tac" (Bate forte o tambor). Vindo do Amazonas, o grupo tem músicas de toada do boi bumbá e forró e fez bastante sucesso na Europa, antes de estourar no Brasil. Na época a TV aberta era a principal responsável por lançar os artistas ao estrelato e foi no SBT, num programa do Gugu Liberato, que o Carrapicho começou a fazer sucesso no Brasil.

Agora, descubro que essa música teve uma versão russa. E, no clipe a seguir, a participação especial da Família Adams. Aí, não me pergunte por quê, eu também fiquei boiando...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Terraplanistas farão excursão até a 'beirada' do planeta para provar teoria

Primeiro: lembrem-se que este é um blog de bizarrices. 
Segundo: a notícia abaixo é verdadeira e foi publicada originalmente no Yahoo notícias. Link aqui. Copiei a notícia inteira para tecer os comentários bizarros que sustentam este blog.


Um grupo de pessoas que acredita que a Terra é plana vai embarcar em um cruzeiro que tem como objetivo provar que a teoria ensinada nas escolas é uma farsa. O grupo vai realizar a viagem no ano que vem e deve se aproximar das “beiradas” do planeta.

Entenda
Organizada pela Conferência Internacional da Terra Plana, a viagem vai contar com o rapper B.o.B e com a modelo Tila Tequila. Além da “constatação” a respeito do formato do planeta, os hóspedes do navio terão direito a piscinas, restaurantes e outros benefícios.

Ao The Guardian, a organização da Conferência Internacional da Terra Plana preferiu não comentar o assunto e justificou que depois de “extensas experimentações, análises e pesquisas”, o grupo chegou à conclusão de que o planeta não é uma esfera, mas um grande disco, cercado por uma “barreira de parede de gelo”.Para a organização, as agências espaciais de todo o mundo “conspiraram para falsificar viagens e explorações espaciais”. “Isso provavelmente começou durante a Guerra Fria.

A União Soviética e os Estados Unidos estavam obcecados em se confrontar no espaço e chegaram ao ponto de falsificar suas realizações, na tentativa superar as supostas conquistas do outro”, explica a entidade, em nota.



JK: espero que eles cheguem na barreira de gelo. Espero sinceramente que tenham coragem de se lançar da beirada do planeta, para descobrir o que tem depois. Espero que sejam realmente aventureiros, tão aventureiros, quanto parecem ser em suas opiniões. Espero mesmo, porque assim, vou continuar tendo notícias bizarras para postar.